sábado, 25 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
MetalliGaga
Lembro-me bem de quando assisti no
Rock in Rio de 2013 a apresentação do Sepultura com o Zé Ramalho. Seria o
encontro da maior banda de Metal brasileira com um dos grandes nomes da MPB, em
especial da música Nordestina. Lembro-me também de que as opiniões se
dividiram, com um lado achando a oitava maravilha do mundo unir Metal e MPB, e o
outro achando que era o mesmo que comer Feijoada com Doce de leite. A segunda
opinião me pareceu mais coerente, sendo que imaginava que nunca veria outra
versão dessa culinária esquisita novamente.
O prato em questão, ou melhor, a apresentação em questão
trouxe o Metallica junto de Lady Gaga. O encontro, ocorrido em 12/02 no Grammy
2017, trouxe consigo toda a polêmica que uma parceria desse porte poderia
gerar. Ainda que o Metallica já tivesse esgotado sua cota com o controverso
“Lulu”, fruto da união com o falecido Lou Reed, ao dividir o palco com uma diva
Pop/Dance/Estilista/Marketeira como Gaga, fatalmente o dilema estaria colocado:
a água do Metal se mistura com o óleo do Pop? Antes de mais nada, a banda
executou “Moth Into Flame”, com Gaga dividindo - literalmente - o microfone com
James, já que este, numa inacreditável falha para um evento do porte do Grammy,
ficou com o seu sem funcionar quase metade da música. A apresentação teve
labaredas pelo palco, bailarinos “bangeando” (?), a banda fazendo o de sempre e
uma Lady Gaga se esforçando na atitude Rock n´Roll. A qualidade do que se viu é
duvidosa, mas tenho convicção de que coisas desse tipo nada acrescentam a banda
ou ao estilo, e foi benéfica única e exclusivamente para Gaga, ao mante-la em
evidência na mídia. Como a época das vacas gordas para ela já passou, juntando
isto aqui com a recente apresentação no intervalo do Super Bowl, deu para todo
mundo lembrar que ela existe.
Essas parcerias inusitadas não são novidade na música em
geral, principalmente em eventos gigantescos como Grammy ou MTV Awards.
Entretanto, quando envolve Heavy Metal, a coisa complica, como no caso do
“Zépultura”, citado no início do texto. É notório que o radicalismo dos fãs
ainda existe, embora hoje a mentalidade geral seja muito diferente de 30 anos
atrás. Na década de 80, se instalaria uma guerra civil se algo desse tipo
ocorresse. Lembro quando o Anthrax se juntou com o Public Enemy em 1991 para
gravar a música “Bring the Noise”, foi um Deus nos acuda, onde só faltou
chamarem o Papa para excomungar a banda. E olha que a música ainda tem um apelo
Thrash, com o Rap predominando basicamente nas linhas vocais. Acontece que
determinadas misturas dão certo, e o caso do Anthrax, além de excepcional, foi
até premonitório, pois tempos depois a união Metal + Hip Hop ainda renderia
muitos bons frutos.
Apesar do caso do Metallica ter sido apenas uma apresentação
ao vivo em conjunto, a polêmica da validade deste encontro começou forte na
rede. Já li comentários a favor, comentários contra, numa discussão que parece
não ter fim, como era de se esperar. Da parte dos comentários contrários, onde
me incluo – já disse acima que isso não acrescenta absolutamente nada para a
banda que faz isso – essa resistência vem daqueles fãs mais antigos e,
consequentemente, puristas. Lembro da época que o movimento Thrash começava a
ferventar e os nomes seminais do estilo ainda engatinhavam suas carreiras:
Slayer, Exodus, Kreator, Dark Angel, Sodom, Destruction, Overkill e muitos mais,
com uma cena underground em rápida evolução. Para quem acompanhou esse
processo, é extremamente difícil visualizar bandas dessa época se aventurarem
da maneira que o Metallica eventualmente faz hoje. A questão é que elas,
mercadologicamente falando, se encontram num patamar abaixo do Metallica, o que
possibilita que elas mantenham intactas suas inspirações musicais, seu estilo,
suas convicções e etc.. Talvez esse seja o grande trunfo dessas bandas: o fato
de não terem atingido o topo da pirâmide como o Metallica fez, as permitiu
manterem seu espírito do início de carreira. Isto possibilitou que elas e todas
as outras que seguissem de maneira linear, lançando álbuns com regularidade de
tempo e qualidade, enquanto o Metallica se dá ao direito de levar 8 anos entre
um disco e outro, só ganhando dinheiro com turnês em cima de turnês. O
mainstream e os rios de dinheiro que giram em torno da banda dão a ela conforto
e a oportunidade de determinados luxos e excentricidades, como esse de tocar
com Lady Gaga. É o tal momento em que o artista pode fazer o que lhe der na
telha, pois dinheiro de sobra já há na conta bancária.
Outro detalhe é que parcerias são coerentes quando feitas
com uma ligação lógica, uma conexão que faça sentido. No mesmo Rock in Rio do
“Zépultura” tivemos os gigantes do brutal Death Metal Krisiun com os reis do
Thrash Alemão Destruction. Na edição de 2015 tivemos Ministry (um dos
principais nomes do Metal Industrial) com Burton C Bell (vocal do Fear Factory,
outro grande nome do mesmo estilo) no mesmo palco, num encontro de gerações
diferentes. Agora, dizer que Metallica + Lady Gaga é revigorante, ainda mais
porque um nada tem haver com o outro, é contrassenso. O que se viu naquele
palco foi uma banda de rock, tocando rock, com uma cantora pop fingindo ser
rockeira: cadê a conectividade? Não há nenhuma, mas há o Marketing. O encontro (extremamente)
inusitado chamou a atenção de todos e isso é o que conta, ainda que Gaga tenha
se beneficiado mais, por razões já citadas aqui. Ao Metallica restou mais as
críticas dos detratores (apesar de muitos defenderem também) e os problemas
técnicos ao longo da apresentação. Coroando essa “vergonha alheia” (vi essa
expressão muito bem colocada em um dos diversos comentários negativos na
Internet), ainda tivemos Lars Ulrich, numa das entrevistas pós apresentação,
dizer que Gaga poderia ser efetivada como 5º membro da banda: ainda estou
tentando me decidir se foi ironia (creio que não, pois foi DELE essa idéia
brilhante), se uma brincadeira de mau gosto com os fãs ou se foi Marketing
barato mesmo.
Independente da resposta, é por essas e outras que o
Metallica não me enche mais os olhos hoje. Se for para ficar vendo coisas como
“Metalligaga” (ou “Gagallica”?) por aí, prefiro pegar meus discos antigos para
ouvir, pois o Metal que brilhava naquela época era outro: o do estilo musical,
não o do dinheiro.
sábado, 21 de janeiro de 2017
Resenha Vídeo: “Ultimate Revenge 2” 1989 (Death, Dark Angel, Forbidden, Raven e Faith Or Fear)
Impressionante que estamos perto de completar 30 anos da gravação desse vídeo, que é simplesmente um dos mais sensacionais da década de 80, trazendo a nata do cast da Combat Records na época: Forbidden e Faith Or Fear (lançando seus debuts, respectivamente “Forbidden Evil” e “Punishment Area”), Death (no 2º álbum, o espetacular “Leprosy”), Dark Angel (lançando o 3º disco, “Leave Scars”) e os veteranos do Raven (no 7º da carreira, “Nothing Exceeds Like Excess”). O mais incrível é que passados todos esses anos, algumas dessas bandas se tornaram lendárias, sendo reverenciadas até hoje. Além disso, a sensação de revisar o espírito daquela época é uma das grandes surpresas desse vídeo, mostrando como a cena Thrash americana era forte, sendo um verdadeiro espetáculo ver estas bandas em ação, num momento em que não paravam de surgir grandes nomes no cenário. O vídeo foi gravado no Trocadero Theater, um clube localizado na Philadelphia, e foi o palco perfeito (desculpem o trocadilho) para este verdadeiro massacre musical.
O primeiro no vídeo é o Forbidden, que já trazia consigo um
fato curioso: de suas fileiras, anos mais tarde, sairia o futuro batera do
Slayer, Paul Bostaph, substituindo Dave Lombardo por 10 anos. Se não bastasse
isso para atiçar a curiosidade de qualquer um sobre a banda, é necessário que
dizer que o Forbidden fez um show destruidor. A banda era uma grande promessa e
simplesmente fez uma apresentação impecável, misturando agressividade e
técnica. Completada pelo vocalista Russ Anderson, os guitarristas Glen Alvelais
e Graig Locicero e pelo baixista Matt
Camacho, a banda executa quatro verdadeiras pérolas do álbum de estréia: “Feel
No Pain”, “As Good As Dead”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”. A
banda é espetacular, destaque para a voz de Russ Anderson que se encaixa como
uma luva na proposta da banda. Que conhece este album há de lamentar apenas a
ausência de “March Into Fire” no vídeo, que provavelmente ficaria sensacional.
Desconhecido até para mim quando assisti a este vídeo pela primeira vez, o Faith Or Fear é a grande surpresa por aqui. Com o monumental “Punishment Area” recém lançado, a banda surpreende com um Thrash técnico e agressivo que não ficava devendo nada aos grandes nomes da época, bem como as outras bandas desse vídeo. Apesar de nova, a banda mostra segurança e foi destruidora na sua apresentação, com uma presença de palco muito boa. A banda executou as faixas “Punishment Area”, “What Would You Expect”, “CDS” e “Time Bomb” com sangue nos olhos e fez um set fantástico. Formado pelo vocalista Tim Blackman, os guitarristas Chris Bombeke e Bob Perna, o baixista Clarenec “CJ” Jenkins (R.I.P.) e o batera Rich Lohwasser, infelizmente o Faith Or Fear não passou do primeiro álbum, pois a banda se separou 3 anos depois. Uma pena, pois este vídeo deixa claro que a banda poderia ter alçado vôos bem mais altos.
Na sequência, aquele que, que para mim, é o nome seminal do
estilo que batizou: o Death. Chuck Schuldiner – na época com apenas 21 anos –
já dera ao mundo o assombroso “Scream Bloody Gore” e agora galgava um degrau
acima no cenário do Metal extremo com o sensacional “Leprosy”. Com Schuldiner
na guitarra e vocais, Rick Rozz na guitarra (que o acompanhava desde o embrionário
Mantas, mas não tocou no debut), Terry Butler no baixo e Bill Andrews na bateria,
a banda executa os hinos “Left to Die”, “Forgotten Past” e Pull The Plug”
(simplesmente monstruosa ao vivo) do novo álbum e “Denial of Life” do primeiro
disco. A banda dispensa comentários, as músicas são clássicos absolutos do
estilo e são executadas numa performance impecável. Quanto às ausências,
“Zombie Ritual” é quase que uma escolha óbvia. Se você é novo e não conhece
esta banda, não perca tempo, pois é clássica.
Depois do Death, outro nome de peso surge: Dark Angel.
Navegando nas águas de um Thrash brutal, tocado a velocidade da luz, a banda
havia perdido o vocalista Don Doty, que havia cantado nos dois primeiros álbuns
e cujo timbre característico já havia dado uma cara para a banda. Apesar do
desafio, a banda recrutou o desconhecido Ron Rinehart, que apesar de inferior a
Doty, executa bem o seu papel e tem grande presença de palco. Com restante do
grupo intacto - Erick Meyer e Jim Durkin nas guitarras, Mike Gonzalez no baixo
e Gene Hoglan na bateria – o Dark Angel faz uma performance coesa e empolgante,
com direito até a teatrinho no início do show, com a banda de costas para o
publico enquanto rola uma introdução movida à microfonia das guitarras. O
destaque individual, obviamente, vai para Gene Hoglan, reconhecido nos dias de
hoje como um dos maiores bateristas de metal da atualidade. Já nessa época ele
já demonstrava uma técnica absurda, mesmo em meio a velocidade alucinante de
algumas músicas. Executando
“The Death of Innocence”, “The Burning of Sodom”, “Death is Certain (Life is
Not) e “No One Answers”, o Dark Angel mostrava que era uma grande promessa que
se concretizava. Apesar dos rumos que banda tomaria no futuro, até aqui
ela foi magnífica.
Fechando, temos o bom e velho (no bom sentido) power trio Raven.
Diferentemente das demais bandas do vídeo, o Raven é focado no Rock/Heavy Metal
– ou “Atlethic Rock” como eles diziam – e não fez feio. Pelo contrário, com
seis álbuns nas costas e lançando o sétimo, a banda já era experiente e
conhecida na cena, mesmo sendo Inglesa. Apesar de duas patinadas gigantescas
nos anos de 85 e 86, onde lançou dois álbuns medíocres tentando penetrar no
mercado americano (à época dominado pelo Metal Farofa, lembram?), a banda depois
voltou aos trilhos e mostra isso no vídeo. Executando as faixas “Lay Down The
Law”, “Into The Jaws of Death” (excelente!), “You Got a Screw Loose” e a Rock N
Roll “Gimme a Break”, a banda cativa o público com um som energético e
visceral. Formado pelos irmãos Gallagher (Mark na guitarra e John no
baixo/vocais) e pelo baterista Jonh Hasselvander, o Raven é a única que se
manteve ininterruptamente na ativa até os dias de hoje, e com essa mesmíssima
formação.
Depois desse massacre sonoro, é fácil concluir que este
“Combat Tour 2” honra com sobra o primeiro volume (famoso também como “Studio
54”), onde Slayer, Exodus e Venom fizeram história. São registros eternos de
uma época rica e frutífera para o Metal mundial, onde nomes famosos surgiram e
se tornaram verdadeiros ícones. Entre os que ainda estão na ativa e outros que
já se foram, fica a certeza de que aqueles que estavam lá e viram isto ao vivo
são verdadeiros privilegiados, pois fizeram parte da história do Metal.
FORBIDDEN
DEATH
FAITH OR FEAR
DARK ANGEL
RAVEN
FAITH OR FEAR
DARK ANGEL
RAVEN
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
METALEIRO
Se você tem bom humor e não é radical, pode rir com esse vídeo, que já nasceu clássico!!!! Tente passar imune ao nome da banda e a música que eles tocam, que é hilária!!!
sábado, 24 de dezembro de 2016
Resenha: Metallica - "Hardwired... to Self-Destruct"
Ao que parece, o Metallica quis justificar a longa espera
desde o lançamento de “Death Magnetic” (2008), ao lançar, após 8 anos (!), não
apenas um disco, mas um álbum duplo com 12 composições e quase 80 minutos de
material inédito. Vários fatores que vão além da longa espera tornam este
lançamento mais significativo ainda, como por exemplo os diversos formatos em
que ele foi lançado (edições diferenciadas), o forte Marketing envolvendo seu
lançamento e o uso massivo da Internet – vide o fato de que cada uma das 12
músicas teve um clipe lançado(!) no YouTube.
Não é preciso nem dizer esse Marketing todo deu resultados e o disco já
aparece bem colocado em vários charts mundo afora. Afinal de contas, o
Metallica já deixou o underground há muito tempo, navegando hoje em águas onde
somente grandes bandas, como U2 e Iron Maiden, ousam flutuar. Mas, e o disco? Justifica
o alvoroço?
![]() |
| A banda numa pose extremamente "underground" |
Não é preciso nem dizer que os combates sangrentos entre fãs
e “haters” já começou na Internet: uma parte adorou, dizendo que o Metallica
renasceu e trouxe consigo a aura dos primeiros álbuns; outros alegam que se
trata de mais do mesmo, que a banda não tem mais pegada e por aí vai. Lars
Ulrich é um detalhe à parte, com uns exaltando sua performance, outros
criticando até não poder mais. Antes de dar minha opinião, deixo claro que
concordo os dois lados, não por ser indeciso, mas porque ambos estão certos. O
Metallica de hoje não é o fundo do poço, mas também não é o salvador da pátria.
Aliás, ninguém do Big Four, para dar um exemplo de impacto, é mais como era
antigamente. O tempo passou, a idade chegou com pesos diferentes para cada um,
e o direcionamento das bandas também sofreu mudanças. Ainda que lançando bons
trabalhos, nenhum deles repetirá a inovação e o frescor de sua música da mesma
maneira que nos 80´s. Com isso, novos trabalhos podem sim ser relevantes,
impactantes, mas não inventarão a roda novamente. E é isso que também ocorre
com o novo do Metallica.
Antes de mais nada, este novo álbum padece do mesmo problema
dos “Load´s”: álbum de estúdio duplo – sim os dois “Loads” seriam sim um álbum
duplo - mas a gravadora barrou a ideia na época, fazendo com que os lançamentos
fossem simples e separados. Sábia decisão, pois a combinação muitas músicas + muito
tempo de duração = qualidade irregular. É claro que existem lançamentos que refutam
essa minha afirmação, mas a maioria se dá mal quando adota esta tática... Quem
sabe apreciar os “Load´s” (como eu, admito) há de concordar que os dois discos,
se unificados com as melhores músicas, dariam um puta disco, mesmo com a
pegada mais Rock n´Roll não muito comum à banda. Com isso, “Hardwired...” também
é longo demais e em vez de doze, se daria muito bem com menos faixas, condensadas em menos tempo. De cara, pelo menos 4 faixas
desse trabalho são perfeitamente descartáveis. Antes que você, caro leitor, me
xingue, permita-me apenas levantar uma questão crucial para reflexão: preste
atenção se algumas faixas não estão calcadas na pegada dos “Load´s”, os discos
que, atrás somente do “St. Anger”, são os mais execrados da banda...
Mas vejamos:
Das excelentes, 4 saltam aos olhos: “Hardwired...”, “Spit out the Bone”, “Here
Comes Revenge” e “Murder One”. As duas primeiras obviamente pela pegada mais
Thrash e mais saudosista. O detalhe é que elas só não são melhores ainda por
que Lars Ulrich está lá sentado naquele banquinho da bateria, mas falo mais sobre
isso mais a frente. “Here Comes Revenge” é mais cadenciada e sensacional, com
um riff espetacular e um refrão muitíssimo bem encaixado. O único porém é a
marcação de bateria de Lars no início da música que é igual, igual a “Lepper
Messiah”(autoplágio?). Curiosamente, também achei o melhor clip entre os doze
feitos. “Murder One”, também com ritmo mais arrastado, fecha os quatro momentos
espetaculares do disco. Vale salientar que o clip desta presta uma bela
homenagem ao grande Lemmy.
Nos bons
momentos, temos “Now That We´re dead” e “Moth Into Flame”. A primeira
destaca-se pela intro diferente, sem Lars fazendo as mesmíssimas marcações na
caixa, mas como disse, falarei do ruinzinho, quer dizer, baixinho mais para a
frente. A faixa tem um estilo Load/Reload e o solo é bem bacana (uma raridade
no álbum...) A segunda mostra a busca do
Metallica por refrões de impacto, como conseguido no Black Album. Nesta faixa
em especial, foi que ficou legal, além da alternância de cadência e partes
rápidas, com resultado satisfatório.
Metade do disco é bacana, mas a outra... “Atlas, Rise!” e
“Confusion” são regulares. “Confusion”, em particular, é mais um caso - talvez
poucos tenham percebido - de autoplágio. Neste caso, “Cyanide” do “Death
Magnetic”. A estrutura da música é a mesma, com os versos em cima de uma base
cadenciada, calcada num riff bem destacado (que aqui é legal até), mas que muda
no refrão. Não precisa muito para se perceber a semelhança das músicas. A
diferença que o refrão de “Cyanide” é bacana, mas o daqui é bem chatinho.
As quatro restantes são realmente fraquíssimas: “Halo on
Fire” tem outro autoplágio (!), pois na qualidade de ser a semi-balada do
disco, puxa o riff do meio de outra semi balada, “The Day That Never Comes” do
“Death Magnetic”. Ouça e me diga se não são irmãs. Em tempo, esta aqui também
tem refrão chato. A trinca “Am I Savage”, “Dream no More” (linha vocal
horrível) e “ManUnkind” tem forte apelo Load/Reload, mas lembram o material
ruim daqueles discos. Aliás, novamente digo: chega a ser curioso como parte das
músicas deste disco tem influência de um material passado da banda que foi e
até hoje é criticado, mas que aqui ganharem elogios...
Já mencionei que Lars não ajuda muito, certo? E não ajuda
mesmo, uma vez que sua criatividade e uso de recursos são limitados, tornando
as músicas previsíveis e pouco interessantes neste aspecto. Quer um exemplo:
1/3 das músicas deste álbum começam com marcações de caixa, e não é de hoje que
ele faz isso com frequência. Quer outro? Não há uma música sequer em que ele
faça uso do Ride, ou prato de condução. Para quem não sabe o que é, ouça a
última vez em que ele fez isso em “Until It Sleeps”, do “Load”. Outra coisa:
não espere encontrar em nenhum lugar destes 80 minutos, viradas de bateria que
te deixem de queixo caído...
No fim das contas, é muito mais que um St. Anger, melhor
gravado do que um “Death Magnetic”, mas não chega aos pés de um Kill Em´All”.
Se você gostar do CD todo, ok. Se não, o bom dos dias de hoje é que você pode
ter as músicas separadas (ITunes ou YouTube, por exemplo), pois aí você pega as
melhores. Em qualquer opção, não será dinheiro ou tempo jogado fora, mas
definitivamente não é o investimento num clássico ser lembrado por gerações
futuras.
domingo, 11 de setembro de 2016
domingo, 21 de agosto de 2016
domingo, 18 de outubro de 2015
Top 100 - As 100 Melhores Músicas do Metal - Parte 5
Manowar / “Battle Hymn” / Album “Battle Hymn” – Faixa título
do album de estreia dos americanos do Manowar e que cumpre fielmente o
propósito de seu título, sendo um verdadeiro “Hino de Batalha”. É simplesmente
impossível ouvi-la sem se imaginar em uma daquelas guerras antigas, montado em
um cavalo e empunhando uma espada! Clima fantástico e com uma interpretação
inspiradísisma da banda, em especial de Scott Adams, que canta de maneira
emocionada (tente passar indiferente aos refrãos “KIll, Kill” e “Victory, Victory”,
se puder), principalmente na parte acústica antes do solo. Destaque também para
a bateria no final apoteótico, simplesmente maravilhosa e bombástica. Música
pesada, linda e inspirada como poucas. Clássico!
Children of Bodom / “Every Time I Die” / Album “Follow the
Reaper” – Algumas bandas obtem resultados surpreendentes com músicas mais
arrasatadas, quando priorizam peso à velocidade. Nesta faixa, em especial, o
COB conseguiu um peso avassalador, com um ritmo cadenciado mesclado aos velhos
conhecidos teclados utilizados em larga escala pela banda, e que já são sua
marca registrada. Destaque para o início da música, que, se ouvido no volume
máximo, consegue tremer o chão!
Torture Squad / “Chaos Corporation” / Album “Hellbound” – Se
o Dream Theater se tornasse uma banda de Brutal Death Metal, soaria como o
Torture Squad. Falo isso por que a quebradeira dessa música é tão
impressionante, usando tanta técnica, que só mesmo músicos gabaritados seriam
capazes. O mais interessante é ver/ouvir blast beats (Almir Cristófaro é um
monstro na bateria) entrecortados por partes técnicas, com muita precisão,
aliados aos variados vocais de Vitor Rodrigues, que mistura de maneira
magistral vozes graves, guturais e rasgadas, dando a impressão de que há mais
de um vocalista na banda. Simplesmente fodástico!
Machine Head / “Imperium” / Album “Through Ashes of Empires”
– Se cada estilo de Metal tivesse a sua “receita de bolo”, esta música poderia
ser a receita do Thrash. Apesar do Machine Head ser uma banda que executa do um
som mais moderno, as raízes de Robbin Flyn e o seu passado no fudidíssimo
Vio-Lence emergem de vez em quando, dando vida a obras primas como essa.
Trata-se de uma faixa longa, onde Flyn soube explorar partes mais lentas e
rápidas, riffs clássicos de Thrash Metal, um refrão muito foda e variações
espetaculares em meio a afinação baixa que traz o tom mais moderno já
mencionado. É como se ele tivesse pego o que há de melhor nos elementos para se
compor um música pesada e os uniu com maestria. No Fuckin Regrets!
Slayer /
“Jihad” / Album “Christh Illusion” – Ah, Slayer... Como sempre a banda
se mete a falar de algo que não deveria, mas é aí que saem os clássicos! Jeff
Hanneman (R.I.P.) já havia cutucado com vara curta a onça do Nazismo em “Angel
of Death”, e aí o fez de novo com o fanatismo Muçulmano em “Jihad”. Música
rápida, porrada mesmo, com início de guitarra estranhíssimo para os padrões do
Slayer (mas que tem tudo haver a temática) e um andamento meio dissonante das
guitarras em relação a bateria na parte rápida, criando um efeito muito legal.
A “paradinha” no meio da musica é simplesmente fuderosa e descamba nos solos
velocíssimos, bem ao estilo da banda. Sozinha já vale o álbum!
Dark Angel / “Perish in Flames” / Album “Darkness Descends”
– Na minha opinião, este album sempre esteve ao lado do “Reign In Blood” do
Slayer, que é o álbum mais porrada do Thrash na história da humanidade. Digo
isso porque “Darkness Descends” é duma velocidade tão absurda, uma porrada
estonteante que realmente mereceria esta condição. A faixa em questão encerra o
álbum como um soco no estômago, tocada na velocidade da luz, até mesmo nas
partes mais lentas (?), com destaque para a bateria de Gene Hoglan, que
simplesmente desce a mão sem dó e nem piedade. Apesar das letras enormes e da
velocidade estonteante, o vocalista Don Doty acompanhava de maneira soberba
essa correria toda. Indicadíssimo para quem gosta de Thrash bem porrada, sem
piedade.
Holy Moses / “Current of Death” / Album “Finished With the
Dogs” – Ainda no segmento Thrash + Porrada, o Holy Moses é uma banda alemã antiga
(iniciou atividades na década de 80 e ainda está na ativa), mas que tem o
diferencial de ter sido uma das primeiras com uma mulher nos vocais e fazendo
um som mais pesado e rápido. Nesta faixa, em cima de um Thrash hiper rápido,
Sabrina Classen urra (!) furiosamente e acompanha uma banda afiada. Mesmo no
meio de tanta pancadaria, eles conseguiram enfiar um ôôôôô no refrão, que ficou
muito legal. Para quem acha que Angela Gossow (ex-Arch Enemy) é pioneira de
mulheres urrando, vale conferir quem realmente o fez.
Morbid Angel / “Sworn to the Black” / Album “Covenant” – Se
alguém mostrou ao mundo que o Death Metal não é apenas um estilo para os
fortes, mas também para os músicos talentosos, esse alguém é o Morbid Angel. “Sworn
to the Black” é uma música absurdamente técnica, com ritmo mais cadenciado e quebradas
sensacionais, mostrando uma banda entrosada e afiada. Destaque para Pete
“Commando” Sandoval, que aqui comanda (desculpe o trocadilho) o ritmo da música
com soluções rítmicas impressionantes, aliado aos vocais de David Vincent,
cavernosos como sempre. Mesmo sem ser na velocidade da luz, a banda mostra e
confirma seu domínio absoluto quando se fala em Death Metal.
Deathrow / “Satan´s Gift” / Album “Satan´s Gift/Riders of
Doom” – Já mencionei essa banda na parte 4 desse Top 100, com uma música do seu
segundo álbum. Essa aqui é do primeiro, onde a banda era bem crua e o som mais
porrada. E para quem gosta de bateria, esta música bate alguma espécie de
recorde em termos de quantidade de viradas (cortesia do batera Markus Hahn), o
que a torna ainda mais fantástica. Somado a isso, os riffs são velocíssimos e o
refrão é muito legal. Imperdível.
Helloween / “The Dark Ride” / Album “The Dark
Ride” – Como a fase Michael Kiske é simplesmente fantástica e tudo dela é
sensacional, coloco a última grande música feita dentro da fase do seu
sucessor, Andi Deris. Na minha humilde opinião, esta é uma música que teria
lugar dentro dos “Keepers”, tamanha a sua qualidade em aglutinar todos os
elementos do melódico que o Helloween criou e que todos copiaram depois.
Instrumental impecável, solos dobrados, refrão bacana, variações de andamento
muito bem encaixadas são algumas das qualidades desse clássico. Apesar de ser a
faixa título de um álbum injustamente criticado como sombrio e longe do estilo
alegre da banda, representa o fim da fase criativa e inspirada,
caindo na mesmice nos álbuns seguintes. Mas esta música é apenas foda,
merecendo ouvidas seguidas!
sábado, 22 de março de 2014
Mistério Revelado: Lars Ulrich é Peter Criss!
Finalmente descobri a razão do Lars Ulrich ser um baterista
tão criticado: ele é o Peter Criss! Chocante, não? Infelizmente é a verdade, e
descobri isso enquanto ouvia a música nova do Metallica, “The Lords of Summer”
(que titulozinho esse...), amplamente divulgada na Internet essa semana. A
musica – que tem um riff inicial espetacular, cortesia do gênio e grande
guitarrista base que James Hetfield é – não é ruim, mas também não saiu melhor porque
Lars Ulrich cismou que é o Peter Criss, e pra isso, ser um músico virtuoso não
é exatamente o objetivo de vida dele na carreira nos dias de hoje... Para que não fique apenas nas minhas palavras, segue a versão de estúdio, mas me diga se não tenho razão nas linhas mal escritas abaixo...
Não é de hoje que Lars Ulrich é criticado e mais malhado do
que Judas por conta de sua performance tanto em estúdio, quanto ao vivo. Já
escrevi sobre o assunto em outras oportunidades, mas com essa música nova,
surgida na sequência de um álbum que foi a redenção para a banda (“Death
Magnetic”, de 2008), me deu uma certa expectativa se a banda voltaria mais
furiosa e com um acento ainda maior do Thrash do passado, o que infelizmente não
ocorreu. E detalhe: não vai ocorrer mais, pelo menos enquanto Lars Ulrich for o
baterista do Metallica. Como disse no início do texto, hoje ele está para o
Metallica, como Peter Criss era para o Kiss: um membro original, mas com
extrema limitação técnica.
É claro que as situações não são exatamente iguais, mas a
similiridade é grande. Peter Criss, baterista original do Kiss, deu a sorte de
estar no lugar certo, na hora certa. Entrou para a banda que mudaria os rumos
do Rock da época, fez sucesso, fez milhões, tudo isso em troca de uma bateria
extremamente medíocre (tudo bem que o som do Kiss não era complexo e técnico,
mas imaginem um John “Bonzo” Bonham maquiado e descendo a lenha naquele kit!).
Outra diferença é que Peter Criss apitava muito pouco ou quase nada no
direcionamento do grupo, uma vez que isto ficava ( e ainda fica) a cargo dos
sócios Genne Simons e Paul Stanley – ao passo que Lars comanda o leme do Metallica
desde o início. A realidade é que as
drogas tiraram Peter Criss do Kiss – e em mais de uma oportunidade, diga-se de
passagem – uma vez que sua atuação era satisfatória para o que o som pedia, não
demandando que um baterista técnico demais estivesse atrás das baquetas.
Entretanto, para quem curte batera, como eu, era e é difícil ver alguém como
ele tocando: basta pegar os vídeos antigos da banda e ver quão simplória era
sua técnica. Mas me dói mesmo ouvir uma das minhas músicas preferidas (“God of
Thunder”, versão ao vivo no “Alive II”) ser interrompida para um dos mais
bisonhos solos de bateria já feitos na história do Rock. Os anos se passaram e,
depois de vários chutes na bunda, Eric Singer (esse sim baterista de verdade)
assumiu o comando das baquetas do Kiss e hoje ele segue feliz, soando muito
melhor do que no passado. No caso de dúvida, basta comparar o desempenho de
ambos no acústico da MTV, onde os dois tocam separados e depois juntos no mesmo
show.
Voltando ao Lars Ulrich, fica muito difícil vê-lo fora do
Metallica, com um outro baterista em seu lugar, mesmo de técnica superior, por
várias razões.
A primeira, o fato de ser um membro fundador - lembrem-se
que a formação clássica foi diferente da
inicial e só apareceu no “Kill ‘Em All”, já algum tempo depois , face as saídas
de Ron McGovey e de Dave Mustaine . Isto pesa muito, uma vez que ele e James
Hetfield formaram o embrião do grupo e o carregaram nas costas de desde então,
ou seja, desde os idos dos anos 80.
A segunda razão, gira em torno do fato do Metallica ter três
albuns simplesmente essenciais e revolucionários dentro da música pesada, com
Lars sendo participante ativo da composição deles. Se você hoje pode ouvir
hinos como “Hit the Lights”, “Creeping Death” ou “Damage Inc”, agradeça a
inspiração dele com Hetfield, e num segundo plano, com uma participação (menor),
de Kirk Hammet e Cliff Burton Estes
álbuns foram lançados no ápice do Thrash americano, em especial no movimento
que se formou na Bay Area onde diversas bandas ajudaram a moldar o estilo
seguindo os passos de Slayer, Exodus e, claro, do Metallica.
A terceira razão, assim como Gene e Paul no Kiss, Lars
transformou sua banda num negócio milionário, capaz de pagar a um novo
integrante, recém chegado (Rob Trujillo,
baixo), a título de motivação, a bagatela de 1 milhão de dólares(!). Quem
quiser conferir esse momento mágico – para Rob Trujillo, é claro – basta checar
o documentário “Some Kind of Monster”, que retrata a época nebulosa da saída de
Jason Newsted, a gravação de “St Anger” entre outros dramas que a banda sofria
naquele período. Em suma, Lars, além de baterista, é o homem de negócios da
banda, o que para mim, numa opinião particular, é a causa da sua queda de
rendimento.
Se olharmos bem, dos
primeiros anos da banda até o período do ao vivo “Live Shit: Binge and Purge”,na
turnê do Black Album , veremos que Lars ainda era um batera competente, com
parte disso devido ao entusiasmo e desenvoltura com que ele tocava, algo muito
diferente da postura reta e monótona de hoje. A partir do Black Album, banda
começou a vender milhões de cópias e se tornar gigante no mundo todo, atingindo
o tão sonhado “mainstream”. Note-se que, depois do sucesso desse disco, a banda
soltou na sequência dois discos que foram sinônimos, entre outras coisas, de
simplicidade do som. “Load”e “Reload” abraçaram uma veia mais Rock n´Roll e
deixaram muito de lado o Thrash Metal de outrora, mostrando uma banda muito
diferente, inclusive no visual. Foi o começo do fim para Lars, que dali para a
frente apresentou uma decrescente de performance, principalmente ao vivo, onde começou
a mudar os arranjos das músicas mais antigas, tornando-as mais simples de uma
maneira muito negativa. Nas mais velozes, era (e ainda é) nítida a sua
dificuldade em manter a pegada com dois bumbos. Um detalhe interessante (e que
os bateristas entenderão) é que Lars simplesmente aboliu do seu kit qualquer
prato de condução, tirando a identidade de músicas com “Hits the Lights” (toda)
ou “No remorse” (o final, a parte rápida).
É óbvio que a banda ainda move multidões, lota estádios,
mesmo com Lars fazendo seu arroz com feijão, tal qual o Kiss fazia com Peter
Criss no passado. Entretanto, é impossível não pensar como seria a banda
(principalmente) ao vivo, com um baterista melhor. Qualquer músico que se
preze, baterista então, não pode se dar ao luxo de relaxar em termos de
técnica, a menos que seja um Neil Peart ou um Mike Portnoy da vida (esses não
são desse planeta!). Ao ouvir essa música nova, fica claro que a banda até
tenta resgatar o passado e fazer algo
mais “Old School”, mas vai empacar no eu baterista, que optou pelos
negócios e hoje é melhor contando dinheiro do que dando viradas no seu
instrumento. Alguém falou em Dave Lombardo aí?
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Rock in Rio 2013
Fim de Rock In Rio 2013! Entre mortos e feridos – sim,
porque algumas coisas foram realmente ruins de matar – tivemos 2 dias dedicados
à música pesada, o que foi muito bom. Eu diria que, mesmo com alguns equívocos,
esta edição teve o melhor cast de Metal (sem contar 1985, é óbvio) até hoje. Talvez o ineditismo de algumas
atrações tenha tido maior impacto, mas a verdade é que o ecletismo obtido
agradou a quase todos os fãs dos vários subgêneros em que o Metal se divide.
Foi realmente gratificante ver Slayer, Metallica, Iron Maiden, Destruction,
Krisiun, Helloween, Rob Zombie e Ghost juntos num festival que, apesar do Rock
no nome, nunca achamos que chegaria a tanto. A presença de atrações mais
underground realmente nos anima para o que possa vir nas edições futuras,
tornando tudo ainda mais atraente para os fãs do bom e velho Rock n´Roll.
Individualmente, algumas coisas foram espetaculares, outras
nem tanto, outras realmente ruins. Na minha humilde opinião, o festival foi
assim:
O Slayer, para quem é fã (como eu) é algo que extravasa o
conceito de banda, sendo quase uma entidade sobrenatural. Mesmo sem Jeff
Hanneman que nos deixou recentemente e sem a lenda das baquetas Dave Lombardo,
o Slayer mostrou porque ainda é uma banda respeitada na cena, mesmo com 30 anos
de Thrash nas costas. Contando o lendário Gary Holt na guitarra e o novamente
substituto de Lombardo, Paul Bostaph, a banda fez um set destruidor. Mesmo que
isso soe ofensivo para alguns, mil vezes melhor que o Metallica... Sobre este último, já dediquei um post só para eles, visto tratar-se de um caso especial e um mistério para mim...
O nosso bom e velho Maiden
veio pela 3ª vez! Não há muito o que falar, pois mesmo com as reclamações que
já estamos habituados a fazer sobre os set lists da banda, onde ela deveria ter
tirado isso e colocado aquilo, o show é espetacular. Mesmo
cinquentona/sessentona, a banda ainda arrasa no palco e toca maravilhosamente
bem, isso sem falar no show cenográfico que sempre surpreende a todos. Nota 10
e pronto.
O Ghost é uma banda que tem dividido opiniões e eu
particulamente gosto muito. Os caras não inventaram a roda, o som não é novo,
mas agradável, cativante e somado ao Marketing da banda, chama a atenção. Só
acho que o show do grupo, sua apresentação em si, não funcione em grandes
arenas, sendo mais eficaz em lugares menores. Foi o que houve aqui, com o
grande distanciamento do público e banda não proporcionando a quem não conhecia
a real ideia da proposta do grupo. Respeito
quem não gostou – realmente não é fácil assimilar de cara aquele show
extremamente parado – mas particularmente achei sensacional.
O grunge passou e poucos sobreviveram: o Alice in Chains que
o diga, mesmo porque seu vocalista original, Layne Stanley, já passou dessa
para melhor. Trocadilhos de humor negro à parte, a banda se manteve e continua
na estrada até hoje. Não é muito minha praia, acho deprê demais, mas algumas
músicas são muito boas como Would, Angry Chair, Man in the Box e outras mais. Tem
seu público e foi uma boa escolha.
O Avenged Sevenfold tem mais ou menos 14 anos de estrada, sendo uma banda nova e com moderno, bem ao gosto da molecada de hoje. Não conheço quase nada e o pouco que vi me parece meio indefinido, pois os caras não sabem se são rápidos ou mais lentos, mais pesados ou mais melódicos, enfim: a garotada curtiu, mas eu, nem tanto. Teria sido mais interessante ter visto na fase com Mike Portnoy (ex-Dream Theater) nas baquetas.
Falar o quê do Sepultura (ou Zépultura, como andaram falando
ao longo do festival)? O que falar de uma banda que acha a 8ª maravilha do
mundo pegar “Vida de Gado” ( clássico da MPB), botar uma base pesada no fundo e
o pobre do Zé Ramalho que se vire pra cantar? É claro que ele não o fez
obrigado, mas desde que o Sr. Andreas Kisser botou na cabeça de que é um músico
“plural”, parcerias estapafúrdias como essa se tornaram rotineiras. Uma pena,
pois desde que criaram a expressão “viúvas do Max”, a gente não pode dizer que
a banda nunca mais fez nada que preste e que hoje é pateticamente ruim. Assim
sendo, não vou dizer nada disso.
Destruction e Krisiun detonaram o palco Sunset com o que há
melhor no Underground: O thrash dos anos 80 e o Death Metal, ainda que na sua
vertente mais moderna, tocado na velocidade da luz. Foi fora do comum ver a
intro de “Curse the Gods” echoar nos PA´s, com a banda entrando em seguida, com
a mesma postura de estar tocando num Wacken, onde a banda é sempre presente. Set
maravilhoso, até mesmo nas composições mais recentes. Junto do Krisiun, tocaram
“Black Metal” do Venom e a fudidíssima “Total Desaster”. Surreal!
André Matos e o Viper fizeram bons shows, primeiro André com
sua carreira solo, acrescido de sons do Angra e Shaman, depois o Viper, com
sons apenas do 2º álbum “Theatre of Fate” e do “Evolution” (fase sem André nos
vocais). Como disse, bons shows, nada mais. Na minha opinião, essa onda de
saudosismo não funciona com certas bandas, e para mim, não sei a razão, o Viper
é uma delas.
Helloween com Kay Hansen prometia ser algo mágico, mas não
foi por duas razões: a primeira, Andy Deris ainda teima em (tentar) cantar o
material de Michael Kiske. Simplemente não entendo como alguém não chega para
ele e diz que não funciona e pronto. Se querem um exemplo apenas, basta checar
os minutos finais de “I Want Out” e ver que aqueles pulmões quase explodiram...
A segunda razão é que chamaram Kay Hansen para tocar guitarra apenas , ao passo
que se ele pegasse o microfone do Andi Deris (para ele respirar um pouco até) e
cantasse “Victims of Fate” ou “Gorgar”, seria perfeito! De saldo, apenas as músicas mais recentes da
banda, que dão para o gasto e Andi não morre ao tentar cantá-las.
Dr. Sin é uma banda guerreira. Tão guerreira, mas tão
guerreira, que só falta alguém avisar a eles que eles tem de ganhar também, e
não só lutar. Não me levem a mal, conheço pouquíssimas músicas dos caras e não
estou dizendo que eles são ruins, mas o fato é que eles estão aí há anos e não
chegaram a lugar nenhum... É uma pena, mas é assim que vejo a carreira deles.
Pelo menos chegaram no RIR e mandaram ver. Pelo menos os 5 minutos que
assisti....
E aí chegamos ao Kiara Rocks... Uma polêmica tremenda
envolveu a banda antes e após sua apresentação no festival, mesmo porque
ninguém sabia que diabo era isso, e daí a coisa piorou quando se soube que
diabos eles eram... Vamos por partes: o fato da banda ser nova (3 albuns apenas),
brasileira e desconhecida do grande público não é crime algum. Pelo menos da
parte deles, mas sim de quem os escala em um palco principal, antes do Slayer.
Soube-se depois do dedo (podre) da Sra Monika Cavalera (ex- Igor Cavalera), que
empresaria os caras e conseguiu “encaixá-los” na grade do festival. Isso só
tira a credibilidade da proposta do RIR, que prima pelo “jabá” em detrimento do
bom senso. Rob Zombie teria sido uma escolha trinta e cinco milhões de vez
melhor, mas optou-se em colocá-la no placo Sunset , enquanto os criminosos do
Kiara Rocks burlavam a lei no palco mundo... Lembro a todos que o Glória, que
fez o mesmo papel na edição de 2011, também estava sob a batuta da referida
empresária...
Com relação aos covers, uma verdade tem de ser dita: se o
Metallica abrisse o seu show com “Am I Evil?” do Diamond Head, todo mundo ia
gostar, não é? A única diferença é que o Metallica é uma mega banda e pode
fazer o que quiser da vida, já o nosso KR... Agora, se você só tem 3 discos que
ninguém ouviu e ganha a chance de tocar num RIR com transmissão nacional, vai
começar mostrando que conhece Motorhead? É claro que não!!! Mas o pior de tudo
foi chamar Paul Di’Anno ao palco para cantar cover do Iron Maiden no dia do
show do... Iron Maiden! Era o mesmo que escrever naquele telão
imenso atrás do palco “POR FAVOR, GOSTEM DA GENTE”. Patético até dizer chega...
Ah, quase me esqueço: o material próprio da banda também é uma merda mesmo.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Metallica e Mais do Mesmo 2013
Um dia após o show do Metallica no Rock in Rio 2013, estava eu
ao telefone com um amigo, que me contava que havia ficado até as 3 da matina
vendo o show da banda. Obviamente ele ficou encantado, me dizendo que o show da
véspera havia superado em muito o show de 2011. Eu, por minha vez, contava que
até esperei a banda entrar, mas antes da 1ª primeira música terminar, eu já
havia desligado a TV e ido dormir. É claro que gravei o show e vou assisti-lo
assim que possível, mas esta diferença de prioridades entre eu e meu amigo
deixa claro que a banda, atualmente, já não é mais relevante para mim, com
outros grupos antigos e até mesmo alguns novos que me encantam muito mais.
Não estou querendo dizer que o Metallica seja ruim ou não
tenha o seu valor, muito pelo contrário, ouvir os seus cinco primeiros álbuns
são um verdadeiro prazer para qualquer um que ama música pesada. Vale ressaltar
que, clássicos mesmo, apenas e tão somente os 3 primeiros (“Kill ‘Em All”,
“Ride the Lightning” e “Master of Puppets”) com os 2 seguintes (“... and
Justice for All” e “Metallica”) sendo excelentes, mas num patamar inferior aos
seus antecessores. Tudo o que veio
depois deles só mostrou a banda numa inconsistência qualitativa, onde surgiram albuns
menos inspirados e alguns polêmicos até. A dupla “Load” e “Reload” até hoje
divide opiniões, ao passo que “St. Anger” é quase uma unanimidade como pior
disco de toda a carreira (creio que até na própria banda, que não executa nada
desse disco ao vivo). O que acontece é que, comercialmente, a banda explodiu
com “Metallica” e de lá para cá atingiu outros públicos, chegando ao tão
sonhado “mainstream”. Nessa crescente de sucesso, dinheiro e fama, o Metallica
atingiu o status de megabanda, aquela que pode fazer o que quiser da vida, em
um auge artístico semelhante ao do U2, para citar um exemplo.
E é por conta dessa trajetória de sucesso – merecido,
diga-se de passagem – que hoje já não me empolgo pelo que a banda faz
atualmente. Com todo o sucesso veio uma acomodação quase que óbvia, com toda aquela
fúria inspirada e empolgante do início dando lugar a discos e shows
burocráticos. É claro que nenhum disco novo será passível de comparação com os
do início de carreira, afinal, nunca mais a banda lançará um “Master of
Puppets” novamente, isso é certo. “Death Magnetic” é um bom disco, mas nada
mais que isso, e o próximo provavelmente também o será: entretanto, minha
esperança era de que os shows continuassem empolgantes, mas isso não acontece.
O show de ontem do RIR reforçou a minha percepção de que o Metallica hoje é
como um Chef que tem os melhores ingredientes a sua disposição, mas não sabe
mais como fazer um prato saboroso.
Individualmente, apenas James Hetfield consegue manter o
espírito do passado vivo em termos de postura, embora sua performance (vocal) nas
músicas antigas não seja mais a mesma. Melhor dizendo, trata-se de uma
performance sem aquilo que chamamos de “sangue nos olhos”. Como músico, James
continua um dos maiores guitarristas base do universo Thrash, com uma mão
direita absurdamente rápida e precisa. Seu único problema é a mudança das
linhas vocais no material antigo, mexendo no que é intocável. É claro que o
tempo passou e o cara envelheceu, sendo impossível manter o mesmo timbre de
adolescente; mas mesmo assim, não é difícil tentar manter-se fiel a
agressividade natuarl que aquele matéria contém.
Quanto a Kirk Hammet, este continua sendo o zero a esquerda
que sempre foi na banda, limitando-se a ser o excelente guitarrista que é. Para
quem tem dúvidas, isso fica explícito no documentário “Some Kind of a Monster”
onde o guitarrista simplesmente não tem voz nenhuma dentro da banda, sendo
Hetfield e Lars Ulrich os donos da bola. Ao vivo, continua competente como
sempre foi, e agora que abandonou o visual andrógino da época dos “Loads”, a
coisa melhorou ainda mais.
Deste modo, o problema do Metallica, ao vivo, está na
cozinha da banda, ocupada por Robert Trujillo e Lars Ulrich. No baixo, uma
coisa é certa: Jason Newsted faz uma falta dos diabos, seja na pegada, seja nos
back vocals sensacionais que fazia e que ajudavam muito nas músicas (alguém
falou aí “Creeping Death”???). Robert Trujillo é um excelente baixista, só me
parece ser técnico demais e muito cheio de firulas em cima do palco, destoando
da banda. Jason, além da postura agressiva e perfeita ao completar a linha de
frente da banda, tinha um estilo mais ligado a Clff Burton do que Trujillo, e
isso era um baita diferencial. Agora, sejamos francos, você ir assistir ao show
do METALLICA e ter de ver o baixista de Maria Chiquinha é um pouco demais, não?
Atitude, minha gente...
Agora, o calcanhar de Aquiles da banda chama-se, sem dúvida
nenhuma, Lars Ulrich. Embora seja o criador do Metallica (lembrem-se de que foi
ele que pôs o anúncio num jornal e que o colocou em contato com Hetfield, dando
início a tudo) e responsável pelo gigante que a banda é hoje, Lars é um caso
raro de músico que retrocedeu: se você observar sua performance nas baquetas do
início até os dias de hoje, vai encontrar um músico que ficou preguiçoso e que
não executa suas próprias músicas da maneira como as gravou. Isso mencionar que
o material mais rápido, principalmente com pedais duplos, são reproduzidos hoje
em dia com dificuldade, com as músicas estratégicamente intercaladas no set
list, de modo haja um tema mais lento entre elas. E aí, minha gente, idade não
é desculpa: Dave Lombrado (ex-Slayer) tem mais ou menos a mesma idade de Lars e
ainda hoje em dia continua um monstro tocando.
Somado a todos esses argumentos, teve mais um detalhe me
incomodou muito: o show do RIR 2011 compreendeu a turnê do “Death Magnetic”,
lançado 3 anos antes (!). Naquela época, a banda já me parecia no piloto
automático e não me encantou muito. Passados 2 anos daquele show e 5 anos do
lançamento do disco, a banda dá continuidade a mesma turnê com um show
exatamente igual, excetuando-se eventuais alterações nos set lists executados.
Em termos de show, o que vimos em 2011 é a mesmíssima coisa que vimos ontem,
onde até o palco acabou ficando parecido. Este o tipo de coisa que com certeza
não veremos com o Iron Maiden, que mesmo tendo se tornado uma banda assídua no
Brasil, varia bem o show que faz por aqui, tanto em palco, quanto em músicas
(ainda que algumas NUNCA saiam dos seus set lists).
Quero deixar claro meu respeito por quem gosta da banda e
ainda a acha relevante. O importante é que os caras continuem fazendo Metal de
qualidade, mesmo com os contras que relacionei acima. Entretanto, acho
importante elencar algo que muitas das vezes o fã cego não quer enxergar,
simplesmente por conta da devoção exagerada que tem a um determinado artista. E
aí, também temos de citar a mídia, que com a mesma facilidade que destrói
carreiras, também cria mitos, lendas, transformando meros mortais em deuses, merecedores
ou não. Isso tem uma influência muito forte na cabeça da molecada e impede que
ela pense diferente pelo simples fato de que estaria remando contra a maré do
gosto geral. Já imaginou você ter coragem de dizer que “Through the Never”, o
novo filme/documentário em 3D do Metallica, que custou a bagatela de $ 80
milhões é uma porcaria?
Jeff Hanneman, Slayer e ... Futuro?
Mesmo com o Slayer chegando ao Rock in Rio e passados pouco
mais de quatro meses, ainda é difícil de acreditar: Jeff Hanneman morreu. Uma
das cabeças mais criativas de uma das bandas mais espetaculares do planeta se
foi, sem mínima chance de que alguém o substitua a altura. Obviamente, colocar
outro guitarrista ao lado de Kerry King pode ser feito, ou melhor, já o foi, na
figura do lendário Gary Holt. Pode ele tocar o que Jeff tocava? Claro que sim,
pois além de sensacional guitarrista, tem o mesmo background e, como se isso
não bastasse, mantém na ativa outro nome essencial do Thrash americano, o
Exodus. O problema é que ninguém conseguirá compor o que Jeff compunha: Holt é
a cabeça pensante do Exodus, que tem o mesmo estilo, mas não é igual ao Slayer.
O gênio musical que Jeff era em parceria com King ou então sozinho não se
repetirá, ou alguém ainda acha que existe outra mente brilhante no cenário para
nos dar uma nova Angel of Death?
O mais curioso é que achamos que nossos ídolos são
“Highlanders”, imortais, de existência eterna tal qual o filme. Quando
acontece, é um choque maior do que o normal, pois mexe com uma realidade que o
fã julga imutável. Passei algo semelhante em minha vida somente com a morte de
Chuck Schuldiner, do saudoso Death. E olha que a doença dele já era de
conhecimento geral, mas isso não impediu
o baque de perder um grande músico, e mais, uma banda sensacional, já que sem
Chuck o Death simplesmente não poderia existir. Jeff, por sua vez, apesar do
problema da picada da aranha e da necrose no braço, vinha se recuperando e a
qualquer momento poderia voltar à banda, já que era (e ainda é) claro que Gary
Holt era um músico contratado. Além disso, Gary sempre afirmou, desde que
entrou na banda para segurar as seis cordas enquanto Jeff não voltava, que sua
prioridade era o Exodus e que não o trocaria pelo Slayer. Mas voltando ao
paralelo com Chuck e o Death, pode o Slayer existir sem Jeff Hanneman?
Esta resposta não parece ser um dilema para a banda, que
manteve Gary Holt no posto e continua em turnê promovendo o já não tão
recente “World Painted Blood”, último
álbum a contar com Jeff. Bem antes de sua morte, a banda já estava compondo um
novo disco, com King assumindo sozinho as composições, uma vez que não se sabia
se Jeff retornaria a tempo e se traria material pronto (em declarações
recentes, King afirmou que Jeff se isolou após o acidente e que era difícil ter
alguma noção do seu real estado). Ainda não há noticiais sobre este disco novo,
mas a banda continua em frente, mesmo somando-se a baixa ocorrida antes da
morte de Jeff, a do baterista Dave Lombardo, demitido por King face
divergências contratuais (leia-se “dinheiro”). Para o lugar de Lombardo
chegou-se em definitivo ao nome de Paul Bostaph, que já havia substituído Dave
no passado e ficou na banda durante 10 anos. Com o time reformulado, os
remanescentes King e (Tom) Araya, vão manter o Slayer na ativa.
Particularmente, tenho uma opinião curiosa: acho o Slayer
uma banda tão espetacular, tão sensacional, que deveria parar no auge. Não no
passado, onde a banda teve anos áureos nos anos 80, se tornando grande não só
nos EUA, mas no mundo todo. O lançamento de “Reign in Blood” foi o primeiro
ápice, e quando falo em auge quero dizer nos dias de hoje, onde a banda, depois
de atravessar todos os percalços da indústria musical sem fazer concessões, integra
e bem sucedida na sua proposta. E este auge chegou novamente com “World Painted
Blood”, com o caminho que foi tão bem pavimentado pelo seu antecessor, “Christ
Illusion”. Para uma banda que meio que se perdeu (não ficou ruim, de forma
alguma, somente se tornou mediana) nos dois álbuns anteriores a esses (“Diabolus
in Musica” e “God Hates Us All”, extremamente influenciados pelo metal moderno
americano), o retorno grandioso com “Christ Illusion” foi arrebatador, mesmo porque
estamos falando de uma banda com 30 anos de estrada e que ainda detona e cima
do palco como em início de carreira! A sequência com “World Painted Blood”
selou de vez este bom momento da banda, uma vez que a idade chega e começa a
pesar para um estilo de música tão extremo. Deste modo, entre começar a fazer
álbuns meia boca – pare para pensar e tente encontrar um álbum ruim do Slayer
nos moldes do “St. Anger” do
“maravilhoso” Metallica – e encerrar a carreira em grande estilo, sou da
segunda opção. Isto se tornou mais plausível depois da saída de Dave e agora ainda
mais com a perda de Jeff. Falo sério quando digo que não gostaria de um novo
álbum, ainda mais sem a mão de Jeff nele, mesmo que Kerry King seja a outra
metade das composições clássicas da banda. E sem Lombardo nas baquetas para dar
vida a essas criações com suas viradas alucinantes, a coisa fica muito pior. Mesmo
que os músicos substitutos sejam maravilhosos, o que vemos no palco hoje não
representa o Slayer que mudou a minha juventude e a de muita gente também.
Aquela banda que me assombrou em 1985,
quando ouvi pela primeira vez o “Hell Awaits”, hoje só pode ser vista junta lá,
na contra capa daquele e de outros clássicos que se seguiram.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
O Metal Mundial em 2013: O Que Ainda Falta Conquistar?
Antes de mais nada, quero deixar claro que este texto não é fruto de alguém que não curte mais Metal, pelo contrário: minha paixão pelo estilo ainda é a mesma. A única diferença é que o tempo passou e sinceramente me preocupo com que o futuro reserva para o estilo musical mais fantástico desse planeta. Tampouco também sou um saudosista inveterado, pois mesmo com o passado sendo maravilhoso, a busca por novidades é vital para a renovação e evolução musical de cada um.
Com 25 anos de Metal pesado na bagagem, não é raro eu me ver pensando em como o Rock Pesado mudou nesses anos todos. As novidades, os clássicos, os fracassos, as decepções, as surpresas, enfim, todos os altos e baixos que o estilo teve, tem e provavelmente terá no futuro. Mas esta é a real razão dos meus pensamentos mais profundos: se o estilo passou por tanta coisa enquanto se desenvolvia e consolidava, o que o destino reserva para ele agora que se encontra estabilizado, definitivamente estabelecido como um grande negócio e com um grande público? Como ficará depois que a geração atual – que sedimentou a base dos anos 80 para cá, for embora, deixando um cenário onde não há mais espaço para muita novidade? Será a nova geração capaz de reinventar o estilo? Questões como essa bombardeiam minha mente no momento em que muitas das novas bandas não conseguem mais chamar minha atenção, uma vez que o que se tem é mais do mesmo, sem nada de novo. Ou, fazendo uma analogia culinária, que apresente a comida requentada, mas pelo menos saborosa.
Quem se encontra na faixa dos 40 anos, como eu, já deve ter
entendido muito bem o espírito contido no início deste texto. A diferença do cenário de 1983 e o de hoje
não se mede apenas pela quantidade de anos que se foram, mas por toda uma
cultura que mudou de forma drástica, afetando seriamente os rumos do estilo. Cito
um ponto pelo exemplo contido na biografia “O Reino Sangrento do Slayer” (Mclver,
Joel - 288 páginas, Edições Ideal), onde, em diversos momentos, encontramos
referências ao “Tape Trading”, largamente praticado naquela época, e que nada
mais era a troca de fitas K7 com demo tapes, bootlegs ou lançamentos oficiais, e
que os fãs faziam entre si com fins de
aumentar o arsenal de discos e de conhecimento de bandas. Em tempos sem
Internet, era isto que conectava fãs e, por incrível que pareça, mantinha uma
cena (underground, é claro) unida e forte, tendo sido a base de sucesso de muitas
bandas grandes hoje. Imagine um mundo sem sites das bandas, “Youtubes” ou “Myspaces”,
onde você só podia obter informações e as novidades pela troca de fitas, pelos
fanzines e, é claro pelos shows. E em maior ou menor escala isso aconteceu em vários
lugares do mundo, inclusive aqui no Brasil. Rio de janeiro, São Paulo e Minas
foram os centros catalisadores de um movimento que gerou grandes bandas, sendo
a principal delas o finado Sepultura (desculpem a ironia e o trocadilho,
mas...). Esperar um colega comprar um importado e depois copiar em fitas K7 até
dizer chega era algo comum na época, onde até algumas lojas faziam isso(!) por
um valor mais em conta. Em resumo, era uma época em que as coisas eram muito
mais difíceis, demandavam muito mais esforço, mas contava com a paixão e o
envolvimento de quem tinha amor pelo estilo e queria ver a coisa acontecer.
Passado o tempo, o reconhecimento veio e alguns nomes
transpuseram a barreira comercial imposta pelo “mainstream”, onde o lixo pop
imperava e o Metal era considerado coisa de vagabundo. Em seguida, veio a
Internet e, na minha opinião, foi aí que a coisa ao mesmo tempo teve um impulso
muito grande, mas também teve fim... O advento da tecnologia, com o passar do
tempo, obviamente foi positivo: equipamentos melhores, melhores estúdios,
melhores profissionais e etc.. Estes foram fatores que aumentaram o nível
qualitativo das bandas, somando-se ao próprio talento delas e sua evolução musical.
Com a Internet, a divulgação das bandas se tornou mais fácil, mais rápida,
independente do lugar do mundo onde se estivesse. As novidades chegavam quase
que instantaneamente para todos e os fanzines de outrora deram lugar a sites
especializados; as fitas K7, soberanas durante anos deram lugar a sites onde
áudio e vídeo podiam ser divulgados livremente; o vinil, alvo das coleções dos
headbangers no mundo todo deu lugar ao
CD, que depois deu lugar ao MP3, que trouxe de bandeja a pirataria, onde a
música não tinha mais dono. Até mesmo as
gravadoras, entidades máximas e supremas do meio musical, sucumbiram diante da
fúria da revolução da Internet.
Mas onde entram as pessoas nessa história toda? O que houve
com aqueles fãs ardorosos que mantinham a cena lá no início? Simplesmente se
adaptaram, como este que vos escreve. O romantismo de uma cena embrionária deu
lugar a algo profissional e sofisticado, que facilitou a vida de todo mundo e
este talvez tenha sido a derrocada de um estilo que sempre foi caracterizado pela
sua paixão. Deixo claro que não estou dizendo que o fã de Metal hoje não tenha
paixão, não se trata disso: o que estou dizendo é que hoje tudo é muito fácil,
e essa facilidade gera quantidade, que não é sinônimo de qualidade. Também não
estou dizendo que o mundo era melhor quando tudo era mais difícil, mas que hoje
não há mais o impacto do passado, isso não há. Como exemplo, me lembro até hoje de como conheci o Slayer: um amigo me levou a um
Shopping (Rio Sul, construído em 1980) e fomos a uma loja de discos, onde
ouvimos juntos, em uma cabine (!), um vinil pirata do “Show No Mercy”. A capa
era tosca, preta, com a logo e o bode reduzidos no centro, a contra capa era sem
fotos, somente com o nome das músicas. O disco não tinha selo nenhum e hoje,
com certeza, é item de colecionador. Só me lembro que era caro e umas poucas
cópias circularam por aqui. Hoje, você entra na Internet, baixa o disco, capa,
contracapa, encarte e tudo mais em questão de segundos. Qualquer adolescente
que se torne um headbanger hoje pode, em questão de dias ter a mesma coleção
que levei anos para juntar. Repito: não é despeito pela facilidade, mas a luta
para conseguir algo trazia embutido um grande valor pessoal, ausente dos velozes
downloads de hoje. O mesmo se aplica as bandas: hoje é fácil ter um
instrumento, é fácil gravar, ter CD na mão e divulgar: é nessa hora que a
qualidade cai e a quantidade aumenta, e daí voltamos ao que disse no início
desse texto. Ouço muita coisa nova, mas nada que seja capaz de me encantar como
acontecia no passado. Pessoalmente, desde o Slayer, a única banda que foi capaz
de me deixar embasbacado foi o Dimmu Borgir, que se mostrou uma puta novidade
com aquele Black Metal Sinfônico – e olha que não sou fã de Black Metal –
extremamente técnico e soturno, fruto do uso inteligente dos teclados, algo não
habitual até então neste tipo de som.
É óbvio que o próprio esgotamento do estilo chegaria em
algum momento (desculpem-me os puristas, mas o que falta se inventar no Metal?)
e aí entraríamos num ciclo de repetição até que algum novo talento apareça e
seja a tábua de salvação do estilo. Para se ter uma ideia, basta pensar no
seguinte: bandas como Slayer, Megadeth, Metallica, Anthrax, Exodus, Iron
Maiden, Motorhead, AC/DC, Saxon, Overkill, Kiss, Destruction, Sodom, Accept, Kreator,
Rush e muitas outras estão na ativa há 25, 30 anos e, mais cedo ou mais tarde,
vão parar. Agora, quais são os nomes mais novos, de mesmo porte, que estarão em
seu lugar? Particularmente, não consigo
visualizar nomes a altura para representar uma continuidade. Ou melhor dizendo, alguma conseguirá
revolucionar a cena como os nomes citados o fizeram, cada um do seu modo? Essa “recessão”
fica ainda mais comprovada pelo saudosismo que se levanta de vem em quando, tendo
hoje como figura o revival do Thrash, com as bandas da Bay Area (ainda) em alta
e outras tantas simplesmente copiando descaradamente - até no visual - o que se
fez milhares de vezes naquela época. Há alguns anos atrás, o Death Metal foi a
bola da vez, com uma banda atrás da outra adotando o estilo, numa onda que veio
e passou.
Entendam, não estou dizendo que o Metal vai morrer, mas não
sei dizer os rumos que ele vai tomar sem o espírito guerreiro que tinha no
início. A geração de hoje encontra um cenário mundial diferente e não há como
prever como ela vai escolher mostrar ao mundo sua revolta contra o sistema: se
empunhando uma guitarra ou se atrás de um computador.
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