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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Os Mortos se Levantam



Mais um defunto resolve se levantar da tumba: Motley Crue. Depois de 4 anos da faraônica tour de despedida, com direito inclusive a um documentário mostrando a derradeira apresentação da banda em 04 de Dezembro de 2015, os caras resolveram voltar. A justificativa? O sucesso do filme da Netflix “The Dirt”, onde a história da banda é mostrada (não toda, diga-se de passagem), gerou uma repercussão que trouxe uma nova leva de fãs para a banda. Com isso, os quatro quebraram o contrato firmado entre eles mesmos onde sacramentaram o fim da banda, e decidiram voltar.


Podemos fazer duas reflexões sobre esta notícia: a primeira é que é lamentável como esta tem se tornado uma jogada de Marketing corriqueira, que visa tão somente arrancar dinheiro dos fãs, dado o desespero que se instala ao tentar ver seus ídolos pela última vez. Observando a lei da oferta e da procura, não é difícil imaginar a exploração imposta aos fãs nestes casos: a oferta de um punhado de shows, com um mundo inteiro querendo ver, só podendo resultar em ingressos caríssimos, que no fim das contas geram milhões para a banda. Não é preciso ir muito longe, bastando ver quanto o KISS têm faturado nesta sua (olha isso) segunda tour de despedida. No caso do Motley Crue, os caras foram até mais longe na encenação, assinando um contrato que impedia uma volta sem algum dos quatro – obviamente evitando que alguém fosse substituído e não faturasse também – o que foi devidamente respeitado, com os quatro oficializando um retorno à ativa da formação original e clássica da banda.


Daí, fazemos a segunda reflexão: no caso do Motley Crue, há razão para celebrar esta volta? Qualquer um, com um mínimo de bom senso e que viu a situação da banda antes de parar, dirá que não. Se há quatro anos atrás o show da banda já era ruim, imagina agora com os músicos parados por quatro anos... Um jogador de futebol ruim que pára por tanto tempo, que não treina, tem chance de voltar melhor? Com certeza não, e o Motley Crue ainda tem outro agravante nesta situação, o guitarrista Mick Mars. Mick sofre de Espondilite Anquilosante, doença inflamatória que afeta principalmente as articulações da coluna vertebral, o que torna cada vez mais difícil o ato de tocar guitarra e se manter em pé um set inteiro. Até mesmo a capacidade de tocar guitarra de Mars foi muito questionada até a hora da banda parar, uma vez que ficou cada vez mais evidente o uso de bases pré gravadas pelo músico. Aliás, não só por ele, pois a banda como um todo, em maior ou menor grau, aparentava estar se utilizando deste recurso. A situação de Mars hoje é uma incógnita, se houve alguma melhora ou se o estado do músico vai permitir apenas um playback escancarado.


Ainda nessa linha, outra preocupação para a banda deve ser o vocalista Vince Neil, que antes do MC parar, já estava absolutamente fora de forma, com muitos quilos a mais e com capacidade vocal de menos. Quem viu o show da banda no Rock in Rio em 2015 viu a primeira e única apresentação da banda em solo brasileiro, e teve a oportunidade também de ver o quão ruim Vince Neil estava ao vivo. Detalhe: nem quando novo Neil era grande vocalista, entretanto, tal qual Stephen Pearcy no Ratt, os vocais de ambos, mesmo ruins, se encaixavam como uma luva no estilo Hard Rock fanfarrão de suas respectivas bandas – ainda que o Ratt fosse muito mais técnico que o Motley Crue.

Para fechar o raciocínio, fica a pergunta: o Motley Crue ainda é efetivamente relevante, a ponto de um simples filme biográfico ser suficiente para manter show lotados em 2020, na possível tour que ocorrerá com Poison e Def Leppard como parceiros? Mesmo levando em conta que separados cada integrante tem muito menos chance de fazer outra coisa que dê tanta visibilidade quanto Motley Crue - o que de certo modo justificaria essa vontade de ressuscitar a banda – a conta não fecha tão facilmente. O som praticado pela banda e o consequente sucesso obtido ficaram presos lá nos anos 80, com uma descendente gradual a partir dos anos 90 e que culmina hoje num estilo que praticamente inexiste, ou pelo menos a gigantesca cena musical originada na Sunset Boulevard, de onde o Motley e outros nomes icônicos do Glam Metal surgiram. Mais um agravante é a expectativa de que essa turnê só toque em estádios ou grandes arenas. O detalhe é que só para pagar o cachê das bandas em questão serão necessários $ 3,5 milhões de dólares (pois é...) o que demanda que essa tour, antes de começar, já seja um sucesso, Será necessário que muita, mas muita gente mesmo compre ingresso para pagar o simples ato dos caras botarem o pé no palco, isso sem contar toda a estrutura necessária. Voltemos apenas algumas linhas acima: o sucesso estrondoso ficou preso lá nos anos 80...


Apostar que há uma geração “nova” chegando por conta do filme da Netflix e que ela vai dar sustentabilidade a uma nova encarnação da banda é algo arriscado. Só se garantir nos fãs antigos já seria, que dirá nisso: apenas bandas antigas com o porte de um KISS ou Rolling Stones tem esse apelo, coisa que o MC definitivamente não tem. Para fechar, apenas uma curiosidade: Eddie Trunk, do extinto That Metal Show do VH1, ao entrevistar Mick Mars pouco tempo antes do fim da banda, teve de ouvir essa ao questionar se havia alguma chance da banda voltar após seu término: "Deixe-me colocar desta maneira: se isso acontecer, convidarei o mundo a vir de graça." Obviamente ele já veio a público e desconversou essa declaração. Mas bem diz o ditado: “O peixe morre pela boca”...

Rock in Rio 2019 - Metal Rules!


O Rock in Rio 2019 (cuja edição terminou há um porrilhão de tempo mas eu não postei este texto), pode facilmente ser classificado entre as piores, senão a pior edição de todas. Salvou-se apenas pelo dia do Metal, que conseguiu, mesmo com repetições de elenco, trazer a sensação de que se o festival não é exclusivamente de Rock, é nele que ainda reside o espírito do evento em si. A parte “não Metal” do festival desta vez se superou negativamente – e olha que curto pop e geralmente me divirto também vendo no RIR outros shows de artistas que nada têm haver com Heavy Metal -  mas desta vez foi muito difícil. A parte internacional ainda teve poucas gratas surpresas: H.E.R. foi a melhor, com fortes semelhanças com Alicia Keys; Seal, artista veterano e de muito talento que também não fez feio, e com boa vontade, a banda comédia do ator Jack Black (Tenacious D), que divertiu, embora tenha desnecessariamente ocupado o lugar de algo maior e melhor no palco Mundo. De resto, muito pouco se salvou, com a ala nacional se superando em ruindade. Até hoje não entendo o que fazem com Elza Soares, chegando a ser mórbido vê-la no palco naquelas condições. Mesmo que seja por vontade própria, não deixa de ser muito estranho. Outra esquisitice foi unir uma orquestra com funk, numa junção de doce de leite com jiló simplesmente absurda. Vale a pena deixar registrar o engodo da Anitta, que fez playback e pôs a culpa na dança, enquanto a cantora americana PINK foi lá, fez a mesmíssima coisa e levou tudo no gogó. Palmas novamente para o público brasileiro, que gosta de ser enganado e ainda aplaude.


Dentre o dia iluminado (?), tivemos muitas surpresas, até mesmo naquelas que não eram novidades no festival. O dia começou no placo Sunset com o trio Nervosa, que já é uma banda que vem se destacando muito na cena. O Thrash das meninas é nervoso (impossível não fazer este trocadilho!) e elas mandaram muito bem, com um som que mescla muito bem velocidade, cadência e muito, mas muito peso. O único porém do show delas é o excesso de caretas da vocalista e baixista Fernanda Lira: não sei se ainda é ansiedade (embora a banda já tenha estrada e experiência suficientes), mas a verdade é que chega uma hora em que fica muito caricato. Se ela trabalhar isso, o show delas ficará ainda mais brutal, pois carisma ela tem de sobra.

Na sequência, Torture Squad + Claustrofobia e o convidado Chuck Billy (Testament). Apesar da combinação brutal, particularmente acho essas que junções são desnecessárias. Se cada banda tivesse o seu set independente seria muito melhor, uma vez que ambas, nesse caso, nunca tocaram no RIR. Claro que ter Chuck Billly no palco foi sensacional, mas o Testament já esteve no Brasil outras vezes e ver um show completo dos americanos seria muito melhor do que apenas 3 músicas do vocalista com uma banda de apoio. Apesar disso, o show das bandas foi muito bom, com destaque para o Claustrofobia e o peso absurdo do seu som.


Trocando de palco, o Sepultura iniciou os trabalhos no palco Mundo. Confesso que não vi o show e obviamente não irei comenta-lo. Soube da execução de uma música nova do vindouro álbum “Quadra”, a ser lançado em fevereiro de 2020. Sinceramente, mesmo depois de inúmeras tentativas de gostar da banda com Derrick Green nos vocais, nunca o consegui. Os vocais dele são ruins em estúdio, são ruins ao vivo, piorando mais ainda nas músicas antigas. Claro que esta é minha opinião em particular e a banda ainda tem seus fãs, mas não foi por falta de esforço. O instrumental da banda melhorou muito de uns anos para cá, mas a parte vocal não funciona, pelo menos para mim.


Voltando ao Sunset, já com a noite chegando, os americanos do Anthrax entregaram uma performance simplesmente destruidora. Mostraram com folga que experiência e domínio de palco não se consegue da noite para o dia. Com um set list calcado nas músicas antigas, a banda teve o público na mão do início ao fim. Depois de ver o Whitesnake (falo deles mais a frente), confesso que estava um pouco preocupado com Joey Beladonna, uma vez que ele tem 59 anos e temia que o peso da idade começasse a se fazer sentir. Felizmente, eu estava completamente errado e o cara continua mandando muito bem, com uma movimentação intensa e agitando a galera. Na parte vocal também – óbvio, alguns tons mais altos não são mais como antes – mas ele contornou isso muito bem. O restante da banda também merece elogios, com destaque para Charlie Benante, que é um baterista monstruoso. Ótimo show.


Passado o turbilhão Anthrax, o palco mundo recebia o Helloween. Confesso que esperava muito este show, uma vez que um dos vocalistas mais brilhantes que já vi na vida era da banda e estava de volta: Michael Kiske. O material da fase dele é sensacional (até mesmo os mais polêmicos, como aquele nos dois albuns que antecederam sua saída do grupo) e estava ansioso para vê-lo atualmente ao vivo. Apesar de uns kilos a mais e uma bela careca, a voz está lá e ele simplesmente destrói. E é nesse ponto que vi um problema, apesar de ter achado bacana a postura da banda em manter Andi Deris e fazer a divisão dos vocais. Andi já tem 25 anos de estrada com o Helloween e ajudou a banda a se reerguer na fase pós Kiske, em que obviamente muita gente virou as costas para eles. Entretanto, Deris vem de uma banda de Hard Rock e não tem nem de longe o alcance de Kiske (o que lhe rende até hoje um bocado de problemas na hora de executar as músicas antigas). Ao dividi-las, ele se livrou de um peso, mas a disparidade vocal de ambos fica absurdamente evidente no palco. Isso não tira o brilho do show (que foi espetacular por sinal), mas não deixa de ser um incômodo. Além de Kiske, Kay Hansen também voltou e brindou o público com “Ride the Sky”, do clássico “Walls of Jericho”. Impossível não mencionar as faixas dos Keeper´s – das 10 executadas, 6 foram deles – o que tornou o show fantástico. Resta agora aguardar o novo álbum que a banda estava preparando, cuja gravação interrompeu apenas para cobrir a vaga deixada pelo Megadeth e nos presentear com este magnífico show.

     
De volta ao Sunset, era hora deles, os mestres máximos do Thrash Metal: SLAYER! Na sua segunda vinda ao RIR, os americanos estão em sua turnê final e este provavelmente foi o último deles por aqui. Particularmente, sou a favor de que a banda realmente acabe e saia por cima. “Repentless” pode não fazer frente aos clássicos do passado, mas é um disco típico da banda, que ao vivo ainda é destruidora. Acho curioso que a banda conseguiu uma aura em torno de si que nenhuma outra conseguiu, um misto de respeito e admiração... Parafraseando Gastão Moreira (Canal Kazagastão no YouTube, cujo link segue aqui), o “Slayer é uma banda que ainda dá medo!” Não há muito a dizer e que não tenha sido dito antes: clássico atrás de clássico, numa apresentação irrepreensível. Pena que o palco não veio completo como o dos shows lá fora, sem nem ao menos os lança chamas. Mesmo assim foi inesquecível e o público se acabou. Destaque para o primeiro contato de Araya com o público: “E aí, porra!”. Vão deixar saudades...



Findo o Slayer e os shows do Sunset, o Iron Maiden explodia “Doctor Doctor” do UFO nos amps como introdução no palco mundo. Minhas expectativas estavam reduzidas pelo fato de que o Iron Maiden toca muito frequentemente no Brasil, sendo esta a quarta vez deles só no RIR (1985, 2001, 2013 e agora em 2019). É impossível não ter a sensação de o espaço poderia ser ocupado por outro nome, mas o velho dilema do apelo comercial sempre fala mais alto. Some-se a isso a crise musical que assola a cena hoje, onde não existem bandas passíveis de sucederem medalhões como o próprio Iron, por exemplo, e daí temos tantos retornos. O engraçado é que assisti, ao vivo pela TV, apenas as 2 primeiras duas músicas e fui dormir. No dia seguinte, ao assistir o restante do show, fiquei estupefato com a apresentação como um todo! Primeiro ponto a ser celebrado: apesar da média de idade dos músicos girar em torno de 64 anos, a banda ainda não demonstra sinais de cansaço, com as músicas executadas com a perfeição costumeira. Isso mencionar Bruce Dickinson, que mesmo depois de vencer um câncer continua afiadíssimo e com um carisma que coloca o público em suas mãos. Outro detalhe positivo foi o perfil da turnê que prioriza sons antigos, resgatando algumas pérolas como “Where Eagles Dare”, “Flight of Icarus” e “Iron Maiden”. Show histórico e que deu um banho em muita coisa nova por aí....

O Scorpions é um daqueles casos de banda que já fez tour de despedida e na hora “H” não parou... mas deveria. Numa daquelas coisas que não tem explicação, eles foram eleitos em um site de notícias (G1) como o melhor show do festival (?). Piadas à parte, só não foi pavoroso porque as músicas são maravilhosas por si só, mas Klaus Meine simplesmente não consegue mais canta-las... Apoiado no pedestal do microfone como se fosse uma muleta, o vocalista simplesmente mostrou cansaço e falta de pique contagiantes. Não vi o show todo (não deu por razões óbvias), mas “The Zoo” e “Rock You Like a Hurricane” ficaram muito abaixo das versões originais. Quem viu o show da banda no RIR de 1985 lembra a correria desenfreada dos caras e a energia das músicas, sem duvida estranhou muito o marasmo desta apresentação. A única exceção é o baterista e ex-Motorhead Mike Dee, que se esforça para dar algum dinamismo a coisa toda, mas bem diz o ditado: “uma andorinha só não faz verão”.

No 1ª etapa do RIR, na semana anterior, tivemos o Whitesnake. Ao contrário do Scorpions, o show da Cobra Branca foi incendiário, e teria sido perfeito se não fosse um pequeno detalhe: David Coverdale, o vocalista, não consegue mais cantar! Todos os refrãos são cantados em  uníssino por 4 dos 5 músicos da banda – apenas o batera Tommy Aldrige não faz backing vocals – numa situação que chegava a ser hilária em alguns momentos. “Burn” (sim ele fecha o show com isso, uma música clássica do Deep Purple e com tons altíssimos) foi escancarada, pois ele simplesmente não consegue mais fazer um décimo do que fazia no passado, e a banda canta o refrão por ele! Este foi o caso mais crítico, mas praticamente todas as músicas do set se utilizaram desse recurso, enquanto Dave executava sua performance que tentava mascarar um pouco as coisas. Fora esse “pequeno” detalhe, o show foi maravilhoso, com a banda afiadísssima (Tommy Aldrige  é um monstro, mesmo aos quase setenta anos de idade!) e um repertório infalível. Mais um caso em que a hora de parar talvez tenha chegado, ainda que o espetáculo tenha valido a pena. A questão é: até quando?

No geral, a cada edição fica evidente a pouca renovação que a música vem tendo nos dias de hoje. A necessidade de repetição de nomes – leia-se Headliners – que o festival tem praticado reflete-se não somente em agendas conflitantes, mas também na dificuldade de grandes nomes que o façam, dentro e fora do Heavy Metal. Na minha opinião, o Metal ainda é um estilo que ainda oferece opções aos Medina fora a trinca Iron Maiden/Metallica/Guns n` Roses, já tão explorada. Saxon, Accept, Kreator, Dream Theater, Judas Priest, Testament, Exodus, Nightwish, Epica, Machine Head e muitas mais outras bandas ainda seriam um chamariz e tanto para o dia específico do Rock de verdade. Na parte pop, realmente se faz necessário um alinhamento com o gosto popular, uma vez que não há aquela fidelidade ao artista, e sim ao que está na moda. O problema que o Pop de hoje não tem um décimo sequer da qualidade que tinha nas décadas de 80 e 90. Em termos de Brasil, basta lembrar que o “sucesso” daqui é representado por Anitta (?) e Pablo Vitar(?!?)... que a música descanse em paz. 


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Metal e Coerência


Há algum tempo atrás fiz uma postagem aqui no blog chamada “Voltar ou Não Voltar: Eis a Questão...” (leia aqui) onde eu questionava o ímpeto de bandas em retornar à ativa depois de encerradas suas carreiras. Com o texto focando nas bandas nacionais, um dos casos citados foi o de Edu Falaschi, que resolveu retornar com o repertório do Angra dos anos em que esteve na banda, executando-o ao vivo em uma turnê que, de bem sucedida, extrapolou o Brasil e conseguiu até chegar ao Japão. Comentei também que, no caso do Edu, a “carreira solo” dele (vocês entenderão estas aspas mais a frente) com a sua banda Almah não se mostrou tão produtiva quanto estes shows com o material do Angra. O Almah lançou 5 albuns que não conseguiram a mesma repercussão frente aos lançados pela sua ex banda, ainda que tivessem qualidade nas composições e muito bons músicos acompanhando o vocalista. Com isso, não foi necessário muito cálculo para entender que o resultado só viria se o passado fosse revisitado. Até aí tudo bem, pois ele não foi o primeiro e nem será o último músico na Terra a fazer isso: requentar um prato antigo que todos gostam, a arriscar fazer um novo que seria uma incógnita no paladar geral...

Entretanto, é preciso ser honesto consigo mesmo e com todos a sua volta sobre isso. É notório que o músico, como qualquer um, precisa por pão à mesa, e daí não é demérito – apesar de ser um tanto oportunista – se utilizar de algo que é de sua autoria, embora não seja novidade. E daí chego no ponto que é a razão de tocar neste assunto novamente:  a entrevista de Edu Falaschi para a edição #240 da revista Roadie Crew, em janeiro deste ano, que é, no mínimo, vergonhosa. Os argumentos utilizados pelo músico para justificar esta nova fase do seu trabalho chegam a ser engraçados, uma vez que ele alega que recebeu conselhos cruciais sobre sua carreira de ninguém mais, ninguém menos, que Joe Lynn Turner, que culminaram com esta nova empreitada. Confesso que não li a entrevista na revista impressa em si, apenas a que está disponível no site (leia aqui). Não sei se o conteúdo é exatamente o mesmo, mas acredito que o online seja até melhor, pois todos podem acessá-la e confrontar com as opiniões que darei aqui.
 
O primeiro ponto a ser levantado é onde ele coloca e justifica essa nova fase como carreira solo, sendo caracterizada pela adoção do seu nome à frente do projeto. Segundo o ele, o Almah era uma banda, diferentemente do que ele faz agora. Essa concepção teria sido dada por Joe Lynn Turner num encontro em um festival no Peru em que ambos tocaram, sendo que Edu fora convidado para tocar exclusivamente material do Angra e nada de sua carreira “solo”/”Almah”. Surpreso com a receptividade do público, a cereja do bolo nesta sua decisão teriam sidos os referidos conselhos de Joe Lynn Turner. Um deles foi de que a chave do sucesso seria ele se expor como Edu Falaschi cantando o seu legado do Angra. Nas palavras do próprio Edu reproduzindo Joe: "Vai para cima, tem público para você – a galera quer o Edu do Angra”.


A primeira coisa que me vem à mente: no Almah, Edu tinha um projeto seu, autoral, e que obviamente era comandado por ele. O conceito de banda se resumia ao fato do nome que não fazia menção ou remetia a pessoa dele, o que não permitia uma identificação imediata para quem não conhecesse sua história. Mas o “x” da questão é que o direcionamento musical era dele. Partindo desse principio, fica difícil entender como ele só agora tem carreira solo – porque pôs seu nome à frente de tudo – mas executa material de outra banda. Tudo bem que ele teve músicas compostas por ele e que ele tem todo o direito de executá-las, mas vamos lembrar de que haviam outros compositores de peso na banda (Kiko e Rafael prinicipalmente) e os arranjos certamente tiveram ajuda deles ou até mesmo de toda a banda. Ou seja, é um material que embora seja dele como compositor e músico, leva o carimbo de uma outra banda da qual ele fazia parte. Isso pode até lembrar o caso de Blaze Bayley, que vai morrer cantando aquelas músicas do Iron Maiden no período em que ele esteve na banda, embora exista um significativo diferencial, uma vez que ele não abriu mão de material próprio. Alías, o próprio Blaze se lançou na carreira pós-Maiden com uma banda (Blaze), obviamente conduzida por ele, optando pela mudança anos depois e adotando simplesmente seu nome, mas ainda com uma carreira – solo - completamente autoral.

Não consigo deixar de pensar no seguinte: ou Joe Lynn Turner tirou um sarro gigantesco com seus “ensinamentos”, ou involuntariamente falou uma bobagem sem tamanho para o nosso querido Edu e ele acreditou. Falo isso porque as histórias de ambos são muito diferentes, sem paralelo que pudesse colocar os conselhos de JLT como certeiros. Para quem não sabe, JLT tem 67 anos de idade e muito mais estrada que Falaschi, já tendo tocado com Rainbow, Yngwie Malmsteen, Deep Purple, Glen Huges entre outros, isso sem mencionar sua extensa carreira solo, com seu primeiro álbum lançado no já longícuo ano de 1985. Ou seja, JLT é um músico conhecido tanto pelo seu trabalho em bandas famosas, quanto pelos seus trabalhos solos e também em projetos com outros músicos. Tem uma uma carreira consolidada, mas não por único trabalho ou banda, o que não é o caso de Edu Falaschi. É importante lembrar que a discografia de Edu nos 12 anos em que esteve no Angra é composta de apenas 4 albuns – 5 se contarmos o EP “Hunters and Prey” (o detalhe é que, desses 5 albuns, apenas 2 são bombásticos, sendo que ambos já estão sendo explorados nesta etapa solo). Ao aconselhar que o nome seria tudo para a conexão com o público, JLT só se esqueceu da bagagem que é necessária para isso. Outra bobagem sem tamanho foi a alegação do próprio JLT de que “O Iron Maiden, Metallica – 90% do repertório é coisa antiga”. Mas é a banda executando seu material antigo, coisa que o próprio Angra também faz hoje. E mais: todos continuam produzindo material novo...

Outro ponto da entrevista que é dum absurdo sem tamanho é quando Edu é questionado se a música “The Glory of the Sacred Truth”, se lançada pelo Almah não teria o mesmo efeito que teve simplesmente sob seu nome solo. A resposta é “não”, sob a alegação de que isso é curioso e afirmando que é o nome que faz a diferença (minha nossa...) pois o nome dele remete ao Angra, acionando o carinho e a nostalgia do fã (meu Deus...). É o mesmo que dizer que você ouve Judas Priest, mas não ouviria o Fight do Rob Halford (ou não se interessaria em faze-lo, pelo menos) porque o nome não faz conexão com o da (ex) banda principal (?!). Ao meu ver, isso é até meio ofensivo, pois ele estaria condicionando que o público ouve bandas mais pelo nome do que pela qualidade do material. Neste ponto pego o seguinte gancho: se no Angra haviam outros compositores ou até mesmo a própria banda na composição do repertório, podemos deduzir que o Edu e seu material sozinhos por si só não se sustentam, tendo tomado a dimensão que tomaram por conta da interferência do Angra. Na mesma entrevista, Edu afirma que o Almah atingiu um teto de repercussão do qual não conseguia passar: não seria “a qualidade do meu material sozinho atingiu um teto do qual somente o Angra conseguiu passar?”

Para finalizar, como fica o Ego nisso tudo: ao ser questionado quanto a abrir mão do orgulho em apresentar músicas novas, renegando o passado, somos obrigados a ouvir/ler um “Eu não me venderei” (?!?!). O contexto é de que não seria imposto material novo ao fã abrindo mão do antigo, apenas pela arte de criar novas canções, não havendo mal algum em usufruir de criações passadas, e que fazem parte de sua história. Ainda segundo Edu: “...ego não é algo que me aflige. Aquela coisa de: “nossa, preciso mostrar meu trabalho, pois não quero me apoiar no passado”. Lamentável ver um músico com a bagagem e experiência que ele possui recorrer a um discurso demagogo desse para justificar uma carreira “solo” baseada nas músicas da sua ex banda.


Reconheço duas coisas: primeiro, Edu é um artista talentoso e tem um material sensacional no Angra, tão importante quanto o da fase do André Matos; segundo, as dificuldades do músico com material autoral, ainda mais de Heavy Metal, são notórias no Brasil. É uma verdadeira luta, é verdade. Entretanto, não justifica um artista já estabelecido usar uma história fantástica – que não estou dizendo que seja mentira, pelo contrário – envolvendo outro artista que não conhece a realidade dos fatos. Pior ainda isso ser interpretado como um sinal divino para uma guinada na carreira, que está até se mostrando produtiva e rentável, mas que do ponto de vista artístico representa mais um artista jogando a toalha e apelando para o caminho mais fácil. É o famoso “jogar para a galera”, tocando o que todo mundo quer ouvir. Não é à toa que depois de anos de ostracismo, Sandy & Júnior vão voltar, pois o passado foi mais feliz artisticamente do que o presente, até mesmo para eles. A questão é que o Edu é muito, mas muito diferente de Sandy & Junior...

sábado, 21 de janeiro de 2017

Resenha Vídeo: “Ultimate Revenge 2” 1989 (Death, Dark Angel, Forbidden, Raven e Faith Or Fear)


Impressionante que estamos perto de completar 30 anos da gravação desse vídeo, que é simplesmente um dos mais sensacionais da década de 80, trazendo a nata do cast da Combat Records na época: Forbidden e Faith Or Fear (lançando seus debuts,  respectivamente “Forbidden Evil” e “Punishment Area”),  Death (no 2º álbum, o espetacular “Leprosy”), Dark Angel (lançando o 3º disco, “Leave Scars”) e os veteranos do Raven (no 7º da carreira, “Nothing Exceeds Like Excess”). O mais incrível é que passados todos esses anos, algumas dessas bandas se tornaram lendárias, sendo reverenciadas até hoje. Além disso, a sensação de revisar o espírito daquela época é uma das grandes surpresas desse vídeo, mostrando como a cena Thrash americana era forte, sendo um verdadeiro espetáculo ver estas bandas em ação, num momento em que não paravam de surgir grandes nomes no cenário. O vídeo foi gravado no Trocadero Theater, um clube localizado na Philadelphia, e foi o palco perfeito (desculpem o trocadilho) para este verdadeiro massacre musical.

O primeiro no vídeo é o Forbidden, que já trazia consigo um fato curioso: de suas fileiras, anos mais tarde, sairia o futuro batera do Slayer, Paul Bostaph, substituindo Dave Lombardo por 10 anos. Se não bastasse isso para atiçar a curiosidade de qualquer um sobre a banda, é necessário que dizer que o Forbidden fez um show destruidor. A banda era uma grande promessa e simplesmente fez uma apresentação impecável, misturando agressividade e técnica. Completada pelo vocalista Russ Anderson, os guitarristas Glen Alvelais e Graig Locicero e pelo baixista  Matt Camacho, a banda executa quatro verdadeiras pérolas do álbum de estréia: “Feel No Pain”, “As Good As Dead”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”. A banda é espetacular, destaque para a voz de Russ Anderson que se encaixa como uma luva na proposta da banda. Que conhece este album há de lamentar apenas a ausência de “March Into Fire” no vídeo, que provavelmente ficaria sensacional.

Desconhecido até para mim quando assisti a este vídeo pela primeira vez, o Faith Or Fear é a grande surpresa por aqui. Com o monumental “Punishment Area” recém lançado, a banda surpreende com um Thrash técnico e agressivo que não ficava devendo nada aos grandes nomes da época, bem como as outras bandas desse vídeo. Apesar de nova, a banda mostra segurança e foi destruidora na sua apresentação, com uma presença de palco muito boa. A banda executou as faixas “Punishment Area”, “What Would You Expect”, “CDS” e “Time Bomb” com sangue nos olhos e fez um set fantástico. Formado pelo vocalista Tim Blackman, os guitarristas Chris Bombeke e Bob Perna, o baixista Clarenec “CJ” Jenkins (R.I.P.) e o batera Rich Lohwasser, infelizmente o Faith Or Fear não passou do primeiro álbum, pois a banda se separou 3 anos depois. Uma pena, pois este vídeo deixa claro que a banda poderia ter alçado vôos bem mais altos.

Na sequência, aquele que, que para mim, é o nome seminal do estilo que batizou: o Death. Chuck Schuldiner – na época com apenas 21 anos – já dera ao mundo o assombroso “Scream Bloody Gore” e agora galgava um degrau acima no cenário do Metal extremo com o sensacional “Leprosy”. Com Schuldiner na guitarra e vocais, Rick Rozz na guitarra (que o acompanhava desde o embrionário Mantas, mas não tocou no debut), Terry Butler no baixo e Bill Andrews na bateria, a banda executa os hinos “Left to Die”, “Forgotten Past” e Pull The Plug” (simplesmente monstruosa ao vivo) do novo álbum e “Denial of Life” do primeiro disco. A banda dispensa comentários, as músicas são clássicos absolutos do estilo e são executadas numa performance impecável. Quanto às ausências, “Zombie Ritual” é quase que uma escolha óbvia. Se você é novo e não conhece esta banda, não perca tempo, pois é clássica.

Depois do Death, outro nome de peso surge: Dark Angel. Navegando nas águas de um Thrash brutal, tocado a velocidade da luz, a banda havia perdido o vocalista Don Doty, que havia cantado nos dois primeiros álbuns e cujo timbre característico já havia dado uma cara para a banda. Apesar do desafio, a banda recrutou o desconhecido Ron Rinehart, que apesar de inferior a Doty, executa bem o seu papel e tem grande presença de palco. Com restante do grupo intacto - Erick Meyer e Jim Durkin nas guitarras, Mike Gonzalez no baixo e Gene Hoglan na bateria – o Dark Angel faz uma performance coesa e empolgante, com direito até a teatrinho no início do show, com a banda de costas para o publico enquanto rola uma introdução movida à microfonia das guitarras. O destaque individual, obviamente, vai para Gene Hoglan, reconhecido nos dias de hoje como um dos maiores bateristas de metal da atualidade. Já nessa época ele já demonstrava uma técnica absurda, mesmo em meio a velocidade alucinante de algumas músicas. Executando “The Death of Innocence”, “The Burning of Sodom”, “Death is Certain (Life is Not) e “No One Answers”, o Dark Angel mostrava que era uma grande promessa que se concretizava. Apesar dos rumos que banda tomaria no futuro, até aqui ela foi magnífica.

Fechando, temos o bom e velho (no bom sentido) power trio Raven. Diferentemente das demais bandas do vídeo, o Raven é focado no Rock/Heavy Metal – ou “Atlethic Rock” como eles diziam – e não fez feio. Pelo contrário, com seis álbuns nas costas e lançando o sétimo, a banda já era experiente e conhecida na cena, mesmo sendo Inglesa. Apesar de duas patinadas gigantescas nos anos de 85 e 86, onde lançou dois álbuns medíocres tentando penetrar no mercado americano (à época dominado pelo Metal Farofa, lembram?), a banda depois voltou aos trilhos e mostra isso no vídeo. Executando as faixas “Lay Down The Law”, “Into The Jaws of Death” (excelente!), “You Got a Screw Loose” e a Rock N Roll “Gimme a Break”, a banda cativa o público com um som energético e visceral. Formado pelos irmãos Gallagher (Mark na guitarra e John no baixo/vocais) e pelo baterista Jonh Hasselvander, o Raven é a única que se manteve ininterruptamente na ativa até os dias de hoje, e com essa mesmíssima formação.


Depois desse massacre sonoro, é fácil concluir que este “Combat Tour 2” honra com sobra o primeiro volume (famoso também como “Studio 54”), onde Slayer, Exodus e Venom fizeram história. São registros eternos de uma época rica e frutífera para o Metal mundial, onde nomes famosos surgiram e se tornaram verdadeiros ícones. Entre os que ainda estão na ativa e outros que já se foram, fica a certeza de que aqueles que estavam lá e viram isto ao vivo são verdadeiros privilegiados, pois fizeram parte da história do Metal.

FORBIDDEN

DEATH


FAITH OR FEAR


DARK ANGEL


RAVEN


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Rock in Rio 2013


Fim de Rock In Rio 2013! Entre mortos e feridos – sim, porque algumas coisas foram realmente ruins de matar – tivemos 2 dias dedicados à música pesada, o que foi muito bom. Eu diria que, mesmo com alguns equívocos, esta edição teve o melhor cast de Metal (sem contar 1985, é óbvio)  até hoje. Talvez o ineditismo de algumas atrações tenha tido maior impacto, mas a verdade é que o ecletismo obtido agradou a quase todos os fãs dos vários subgêneros em que o Metal se divide. Foi realmente gratificante ver Slayer, Metallica, Iron Maiden, Destruction, Krisiun, Helloween, Rob Zombie e Ghost juntos num festival que, apesar do Rock no nome, nunca achamos que chegaria a tanto. A presença de atrações mais underground realmente nos anima para o que possa vir nas edições futuras, tornando tudo ainda mais atraente para os fãs do bom e velho Rock n´Roll.


Individualmente, algumas coisas foram espetaculares, outras nem tanto, outras realmente ruins. Na minha humilde opinião, o festival foi assim:


O Slayer, para quem é fã (como eu) é algo que extravasa o conceito de banda, sendo quase uma entidade sobrenatural. Mesmo sem Jeff Hanneman que nos deixou recentemente e sem a lenda das baquetas Dave Lombardo, o Slayer mostrou porque ainda é uma banda respeitada na cena, mesmo com 30 anos de Thrash nas costas. Contando o lendário Gary Holt na guitarra e o novamente substituto de Lombardo, Paul Bostaph, a banda fez um set destruidor. Mesmo que isso soe ofensivo para alguns, mil vezes melhor que o Metallica... Sobre este último, já dediquei um post só para eles, visto tratar-se de um caso especial e um mistério para mim...


O nosso bom e velho Maiden veio pela 3ª vez! Não há muito o que falar, pois mesmo com as reclamações que já estamos habituados a fazer sobre os set lists da banda, onde ela deveria ter tirado isso e colocado aquilo, o show é espetacular. Mesmo cinquentona/sessentona, a banda ainda arrasa no palco e toca maravilhosamente bem, isso sem falar no show cenográfico que sempre surpreende a todos. Nota 10 e pronto.


O Ghost é uma banda que tem dividido opiniões e eu particulamente gosto muito. Os caras não inventaram a roda, o som não é novo, mas agradável, cativante e somado ao Marketing da banda, chama a atenção. Só acho que o show do grupo, sua apresentação em si, não funcione em grandes arenas, sendo mais eficaz em lugares menores. Foi o que houve aqui, com o grande distanciamento do público e banda não proporcionando a quem não conhecia a real ideia da proposta do grupo.  Respeito quem não gostou – realmente não é fácil assimilar de cara aquele show extremamente parado – mas particularmente achei sensacional.

O grunge passou e poucos sobreviveram: o Alice in Chains que o diga, mesmo porque seu vocalista original, Layne Stanley, já passou dessa para melhor. Trocadilhos de humor negro à parte, a banda se manteve e continua na estrada até hoje. Não é muito minha praia, acho deprê demais, mas algumas músicas são muito boas como Would, Angry Chair, Man in the Box e outras mais. Tem seu público e foi uma boa escolha.

O Avenged Sevenfold tem mais ou menos 14 anos de estrada, sendo uma banda nova e com moderno, bem ao gosto da molecada de hoje. Não conheço quase nada e o pouco que vi me parece meio indefinido, pois os caras não sabem se são rápidos ou mais lentos, mais pesados ou mais melódicos, enfim: a garotada curtiu, mas eu, nem tanto. Teria sido mais interessante ter visto na fase com Mike Portnoy (ex-Dream Theater) nas baquetas.


Falar o quê do Sepultura (ou Zépultura, como andaram falando ao longo do festival)? O que falar de uma banda que acha a 8ª maravilha do mundo pegar “Vida de Gado” ( clássico da MPB), botar uma base pesada no fundo e o pobre do Zé Ramalho que se vire pra cantar? É claro que ele não o fez obrigado, mas desde que o Sr. Andreas Kisser botou na cabeça de que é um músico “plural”, parcerias estapafúrdias como essa se tornaram rotineiras. Uma pena, pois desde que criaram a expressão “viúvas do Max”, a gente não pode dizer que a banda nunca mais fez nada que preste e que hoje é pateticamente ruim. Assim sendo, não vou dizer nada disso.


Destruction e Krisiun detonaram o palco Sunset com o que há melhor no Underground: O thrash dos anos 80 e o Death Metal, ainda que na sua vertente mais moderna, tocado na velocidade da luz. Foi fora do comum ver a intro de “Curse the Gods” echoar nos PA´s, com a banda entrando em seguida, com a mesma postura de estar tocando num Wacken, onde a banda é sempre presente. Set maravilhoso, até mesmo nas composições mais recentes. Junto do Krisiun, tocaram “Black Metal” do Venom e a fudidíssima “Total Desaster”. Surreal!


André Matos e o Viper fizeram bons shows, primeiro André com sua carreira solo, acrescido de sons do Angra e Shaman, depois o Viper, com sons apenas do 2º álbum “Theatre of Fate” e do “Evolution” (fase sem André nos vocais). Como disse, bons shows, nada mais. Na minha opinião, essa onda de saudosismo não funciona com certas bandas, e para mim, não sei a razão, o Viper é uma delas.


Helloween com Kay Hansen prometia ser algo mágico, mas não foi por duas razões: a primeira, Andy Deris ainda teima em (tentar) cantar o material de Michael Kiske. Simplemente não entendo como alguém não chega para ele e diz que não funciona e pronto. Se querem um exemplo apenas, basta checar os minutos finais de “I Want Out” e ver que aqueles pulmões quase explodiram... A segunda razão é que chamaram Kay Hansen para tocar guitarra apenas , ao passo que se ele pegasse o microfone do Andi Deris (para ele respirar um pouco até) e cantasse “Victims of Fate” ou “Gorgar”, seria perfeito!  De saldo, apenas as músicas mais recentes da banda, que dão para o gasto e Andi não morre ao tentar cantá-las.

Dr. Sin é uma banda guerreira. Tão guerreira, mas tão guerreira, que só falta alguém avisar a eles que eles tem de ganhar também, e não só lutar. Não me levem a mal, conheço pouquíssimas músicas dos caras e não estou dizendo que eles são ruins, mas o fato é que eles estão aí há anos e não chegaram a lugar nenhum... É uma pena, mas é assim que vejo a carreira deles. Pelo menos chegaram no RIR e mandaram ver. Pelo menos os 5 minutos que assisti....

E aí chegamos ao Kiara Rocks... Uma polêmica tremenda envolveu a banda antes e após sua apresentação no festival, mesmo porque ninguém sabia que diabo era isso, e daí a coisa piorou quando se soube que diabos eles eram... Vamos por partes: o fato da banda ser nova (3 albuns apenas), brasileira e desconhecida do grande público não é crime algum. Pelo menos da parte deles, mas sim de quem os escala em um palco principal, antes do Slayer. Soube-se depois do dedo (podre) da Sra Monika Cavalera (ex- Igor Cavalera), que empresaria os caras e conseguiu “encaixá-los” na grade do festival. Isso só tira a credibilidade da proposta do RIR, que prima pelo “jabá” em detrimento do bom senso. Rob Zombie teria sido uma escolha trinta e cinco milhões de vez melhor, mas optou-se em colocá-la no placo Sunset , enquanto os criminosos do Kiara Rocks burlavam a lei no palco mundo... Lembro a todos que o Glória, que fez o mesmo papel na edição de 2011, também estava sob a batuta da referida empresária...


Com relação aos covers, uma verdade tem de ser dita: se o Metallica abrisse o seu show com “Am I Evil?” do Diamond Head, todo mundo ia gostar, não é? A única diferença é que o Metallica é uma mega banda e pode fazer o que quiser da vida, já o nosso KR... Agora, se você só tem 3 discos que ninguém ouviu e ganha a chance de tocar num RIR com transmissão nacional, vai começar mostrando que conhece Motorhead? É claro que não!!! Mas o pior de tudo foi chamar Paul Di’Anno ao palco para cantar cover do Iron Maiden no dia do show do... Iron Maiden! Era o mesmo que escrever naquele telão imenso atrás do palco “POR FAVOR, GOSTEM DA GENTE”. Patético até dizer chega... Ah, quase me esqueço: o material próprio da banda também é uma merda mesmo. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Metallica e Mais do Mesmo 2013


Um dia após o show do Metallica no Rock in Rio 2013, estava eu ao telefone com um amigo, que me contava que havia ficado até as 3 da matina vendo o show da banda. Obviamente ele ficou encantado, me dizendo que o show da véspera havia superado em muito o show de 2011. Eu, por minha vez, contava que até esperei a banda entrar, mas antes da 1ª primeira música terminar, eu já havia desligado a TV e ido dormir. É claro que gravei o show e vou assisti-lo assim que possível, mas esta diferença de prioridades entre eu e meu amigo deixa claro que a banda, atualmente, já não é mais relevante para mim, com outros grupos antigos e até mesmo alguns novos que me encantam muito mais.


Não estou querendo dizer que o Metallica seja ruim ou não tenha o seu valor, muito pelo contrário, ouvir os seus cinco primeiros álbuns são um verdadeiro prazer para qualquer um que ama música pesada. Vale ressaltar que, clássicos mesmo, apenas e tão somente os 3 primeiros (“Kill ‘Em All”, “Ride the Lightning” e “Master of Puppets”) com os 2 seguintes (“... and Justice for All” e “Metallica”) sendo excelentes, mas num patamar inferior aos seus  antecessores. Tudo o que veio depois deles só mostrou a banda numa inconsistência qualitativa, onde surgiram albuns menos inspirados e alguns polêmicos até. A dupla “Load” e “Reload” até hoje divide opiniões, ao passo que “St. Anger” é quase uma unanimidade como pior disco de toda a carreira (creio que até na própria banda, que não executa nada desse disco ao vivo). O que acontece é que, comercialmente, a banda explodiu com “Metallica” e de lá para cá atingiu outros públicos, chegando ao tão sonhado “mainstream”. Nessa crescente de sucesso, dinheiro e fama, o Metallica atingiu o status de megabanda, aquela que pode fazer o que quiser da vida, em um auge artístico semelhante ao do U2, para citar um exemplo.


E é por conta dessa trajetória de sucesso – merecido, diga-se de passagem – que hoje já não me empolgo pelo que a banda faz atualmente. Com todo o sucesso veio uma acomodação quase que óbvia, com toda aquela fúria inspirada e empolgante do início dando lugar a discos e shows burocráticos. É claro que nenhum disco novo será passível de comparação com os do início de carreira, afinal, nunca mais a banda lançará um “Master of Puppets” novamente, isso é certo. “Death Magnetic” é um bom disco, mas nada mais que isso, e o próximo provavelmente também o será: entretanto, minha esperança era de que os shows continuassem empolgantes, mas isso não acontece. O show de ontem do RIR reforçou a minha percepção de que o Metallica hoje é como um Chef que tem os melhores ingredientes a sua disposição, mas não sabe mais como fazer um prato saboroso.


Individualmente, apenas James Hetfield consegue manter o espírito do passado vivo em termos de postura, embora sua performance (vocal) nas músicas antigas não seja mais a mesma. Melhor dizendo, trata-se de uma performance sem aquilo que chamamos de “sangue nos olhos”. Como músico, James continua um dos maiores guitarristas base do universo Thrash, com uma mão direita absurdamente rápida e precisa. Seu único problema é a mudança das linhas vocais no material antigo, mexendo no que é intocável. É claro que o tempo passou e o cara envelheceu, sendo impossível manter o mesmo timbre de adolescente; mas mesmo assim, não é difícil tentar manter-se fiel a agressividade natuarl que aquele matéria contém.

Quanto a Kirk Hammet, este continua sendo o zero a esquerda que sempre foi na banda, limitando-se a ser o excelente guitarrista que é. Para quem tem dúvidas, isso fica explícito no documentário “Some Kind of a Monster” onde o guitarrista simplesmente não tem voz nenhuma dentro da banda, sendo Hetfield e Lars Ulrich os donos da bola. Ao vivo, continua competente como sempre foi, e agora que abandonou o visual andrógino da época dos “Loads”, a coisa melhorou ainda mais.

Deste modo, o problema do Metallica, ao vivo, está na cozinha da banda, ocupada por Robert Trujillo e Lars Ulrich. No baixo, uma coisa é certa: Jason Newsted faz uma falta dos diabos, seja na pegada, seja nos back vocals sensacionais que fazia e que ajudavam muito nas músicas (alguém falou aí “Creeping Death”???). Robert Trujillo é um excelente baixista, só me parece ser técnico demais e muito cheio de firulas em cima do palco, destoando da banda. Jason, além da postura agressiva e perfeita ao completar a linha de frente da banda, tinha um estilo mais ligado a Clff Burton do que Trujillo, e isso era um baita diferencial. Agora, sejamos francos, você ir assistir ao show do METALLICA e ter de ver o baixista de Maria Chiquinha é um pouco demais, não? Atitude, minha gente...

Agora, o calcanhar de Aquiles da banda chama-se, sem dúvida nenhuma, Lars Ulrich. Embora seja o criador do Metallica (lembrem-se de que foi ele que pôs o anúncio num jornal e que o colocou em contato com Hetfield, dando início a tudo) e responsável pelo gigante que a banda é hoje, Lars é um caso raro de músico que retrocedeu: se você observar sua performance nas baquetas do início até os dias de hoje, vai encontrar um músico que ficou preguiçoso e que não executa suas próprias músicas da maneira como as gravou. Isso mencionar que o material mais rápido, principalmente com pedais duplos, são reproduzidos hoje em dia com dificuldade, com as músicas estratégicamente intercaladas no set list, de modo haja um tema mais lento entre elas. E aí, minha gente, idade não é desculpa: Dave Lombrado (ex-Slayer) tem mais ou menos a mesma idade de Lars e ainda hoje em dia continua um monstro tocando.

Somado a todos esses argumentos, teve mais um detalhe me incomodou muito: o show do RIR 2011 compreendeu a turnê do “Death Magnetic”, lançado 3 anos antes (!). Naquela época, a banda já me parecia no piloto automático e não me encantou muito. Passados 2 anos daquele show e 5 anos do lançamento do disco, a banda dá continuidade a mesma turnê com um show exatamente igual, excetuando-se eventuais alterações nos set lists executados. Em termos de show, o que vimos em 2011 é a mesmíssima coisa que vimos ontem, onde até o palco acabou ficando parecido. Este o tipo de coisa que com certeza não veremos com o Iron Maiden, que mesmo tendo se tornado uma banda assídua no Brasil, varia bem o show que faz por aqui, tanto em palco, quanto em músicas (ainda que algumas NUNCA saiam dos seus set lists).

Quero deixar claro meu respeito por quem gosta da banda e ainda a acha relevante. O importante é que os caras continuem fazendo Metal de qualidade, mesmo com os contras que relacionei acima. Entretanto, acho importante elencar algo que muitas das vezes o fã cego não quer enxergar, simplesmente por conta da devoção exagerada que tem a um determinado artista. E aí, também temos de citar a mídia, que com a mesma facilidade que destrói carreiras, também cria mitos, lendas, transformando meros mortais em deuses, merecedores ou não. Isso tem uma influência muito forte na cabeça da molecada e impede que ela pense diferente pelo simples fato de que estaria remando contra a maré do gosto geral. Já imaginou você ter coragem de dizer que “Through the Never”, o novo filme/documentário em 3D do Metallica, que custou a bagatela de $ 80 milhões é uma porcaria?



quinta-feira, 12 de abril de 2012



Um sonho de banda: é assim que podemos definir o que é o Metal Masters, que na realidade é um projeto de amigos que se juntaram para "tirar um som". O detalhe é que esses "amigos" são nada mais, nada menos que Scott Ian (ANTHRAX), David Ellefson (MEGADETH), Mike Portnoy (DREAM THEATER), Frank Bello (ANTHRAX), Charlie Benante (ANTHRAX) e Kerry King (SLAYER) e eventualmente, Dave Lombardo (SLAYER). No video abaixo, uma participação de Phil Anselmo (DOWN, PANTERA) tocando o clássico "Fucking Hostile" do Pantera. Muito foda!


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Slayer no Brasil - Tour 2011

O Deuses do Thrash já tocaram no Chile e tocam aqui em Curitiba (dia 08) e em SP (dia 09). O pior:  eu não poderei ir! SSSSSLLLLLAAAAYYYYYEEEERRRRRR



domingo, 16 de janeiro de 2011

Resenha DVD: "The Big 4" (Metallica, Slayer, Megadeth & Anthrax)



Não há menor dúvida que este DVD registrou um show de uma turnê histórica para o Metal, o encontro dos 4 grandes nomes do Thrash Metal da década de 80: Slayer, Megadeth, Metallica e Anthrax. Ainda que, pessoalmente, eu ache que uma 5ª banda deveria ter sido incluída – o fantástico Exodus – é óbvio que o impensável se realizou, uma vez que Megadeth e Metallica se reaproximaram (leia-se Dave Mustaine, James Hetfield e Lars Ulrich). Isso sem contar o Slayer também, que ao longo dos anos sempre foi alvo de comentários sobre diferenças e animosidades com as duas bandas citadas, principalmente Megadeth, onde Kerry King chegou a tocar por um breve período de tempo no passado. Como veremos mais a frente, os shows foram fantásticos, mas ao assistir os extras, onde um documentário mostra os bastidores do evento, fica claro que o Heavy Metal, além de um estilo apaixonante para milhões pelo mundo, também é um grande negócio...

O DVD abre com o Anthrax, que pela segunda vez tem Joey Belladonna retornando aos vocais, logo depois da saída conturbada do vocalista anterior Dan Nelson, num episódio confuso e sem muitas explicações até hoje. Vale lembrar que Belladonna já havia retornado ao Anthrax  em 2005 - juntamente com o guitarrista Dan Spitz, reunindo a formação clássica da banda - mas novos desentendimentos aconteceram e ambos partiram novamente. Desta vez, Spitz não voltou (trazendo de volta Rob Caggiano, na banda desde 2001). Com isso, fica clara a sensação de como esta reunião é oportunista, uma vez que é aparente que tanto a banda, quanto Belladonna, não conseguem a mesma exposição junto a mídia e fãs se não estiverem juntos. Outra coisa que reforça isso, vendo o documentário, é a clara falta de empolgação de Belladonna (apesar de ao vivo sair-se muito bem), principalmente no ensaio de “Am I Evil”, junto com os demais músicos, onde sua apatia é visível. Em termos musicais, a banda merece realmente estar neste encontro histórico, uma vez que sua carreira é fantástica. Destaques individuais para Charlie Benante (um dos grandes bateristas do Thrash mundial) e Frank Bello (que é o Bruce Dickinson do baixo, sem parar de agitar um minuto sequer). Em uma hora de show, os grandes clássicos são tocados com a competência de sempre: “Caught in a Mosh”, “Madhouse”, “Metal Thrashing Mad”, “I Am The Law”, além das surpreendentes “Only” (da fase John Bush) e a homenagem a Ronnie James Dio no meio de “Indians” com “Heaven and Hell”. No fim das contas, 1 hora é muito pouco e faz com que a banda deixe vários hinos de fora.

Na sequência vem o espetacular Megadeth, que na minha modesta opinião, podia estar no lugar como headliner em vez do Metallica. Sei que isso choca muita gente, parece heresia, mas não é de hoje que, se feita uma análise correta, podemos ver que o Megadeth teve (e tem) uma carreira muito mais estável que o Metallica. Tirando o fraco “Risk”, os lançamentos da banda sempre foram consistentes. Claro que a banda não teve os 3 primeiros clássicos que o Metallica teve - mas é só isso que o Metallica tem – e esta regularidade sempre me cativou. Entretanto, o Megadeth também tem seus clássicos (na minha opinião: “Peace Sells... But Who´s Buying”, “Rust in Peace”e “Countdown to Extinction”), além de ter tem um show acima da media e que mexe com o público. Preferências à parte, Mustaine e sua trupe simplesmente detonam, mesmo tocando debaixo do maior temporal.  Atualmente o Megadeth conta com uma formação muito estável e talentosa: Chris Broderick rivaliza em talento Marty Friedman, sendo um guitarrista espetacular; Dave Ellfson dispensa comentários, sendo a alma da banda junto com Mustaine. Apenas Shawn Drover me parece um baterista competente, mas certinho demais, bem distante da fúria e técnica do grande Nick Menza, que saiu da banda em 1998. Em termos de set list, o mesmo problema do Anthrax afligiu o Megadeth: apenas 1 hora para tantos clássicos é um desafio, mas a banda não fez feio: “Holy Wars...”, “Hangar 18” (que levanta o público), “Trust” e a pouco executada, mas espetacular, “Hook in Mouth”. Além das antigas, a banda ainda executou “Headchrusher”, faixa do excelente último álbum “Endgame”. Mesmo com todas aquelas presepadas com o Metallica, Mustaine ainda é o cara.

Slayer, Man! Fuck Yeah! Fica difícil escolher palavras para definir o show do Slayer, principalmente sendo a única das quatro bandas deste DVD que manteve-se absolutamente fiel a sua proposta, não fazendo concessões no seu som. Mesmo com dois álbuns experimentais (“Diabolus In Musica” e “God Hates Us All”), a banda não tirou o pé do acelerador e nem abriu mão de sua fúria tradicional. Além disso, a banda não tem muitas firulas ao vivo (nem back drop os caras usaram nesta apresentação) e vai direto ao ponto: Thrash Metal! Nem o fato de Tom Araya não poder mais agitar por conta da recente operação nas costas - e uma conseqüente proibição médica para o resto da vida – tira o brilho do show. Novamente 60 míseros minutos limitam estes Deuses, mas a magia está lá: “Angel of Death”, “Chemical Warfare”, “Mandatory Suicide”, além dos novos clássicos “Disciple”, “Jihad”  e “World Painted Blood”. É importante frisar que o Slayer é o único dos quatro que conseguiu gerar clássicos nos últimos álbuns (eu disse clássicos, não apenas boas músicas).  Tecnicamente, a formação clássica é imbatível: Lombardo continua sendo uma referência para bateristas do estilo, Hanneman e King são um exemplo de dupla de guitarristas perfeita dentro do Thrash e Araya, mesmo mais contido, permanece um excelente frontman, dominando a platéia com seus olhares sérios e sorrisos sinistros. Em suma: o Slayer está num outro patamar, e o publico sabe disso. Nota 10!

Chegando ao show principal, temos o Metallica, que encara uma situação um tanto quanto peculiar: depois de 3 albuns referenciais para o Thrash Metal, começou a mudar o seu som até chegar no multiplatinado “Metallica” - onde fez fama e fortuna - e daí começou uma descendente que passou pelos famigerados “Load” e “Reload”, culminando no trágico e patético “St Anger”.  Depois de idas e vindas ao Terapeuta, a banda ressurgiu com o bom “Death Magnetic”.  Entretanto, é óbvio que a banda tem uma legião de fãs por conta de seu passado glorioso e já não tem um show tão poderoso como antigamente, por várias razões.  Primeiro, a pegada não é mais a mesma, com várias canções antigas sendo tocadas sem a mesma gana do passado, com execuções que passam longe do que víamos nos anos 80. Segundo, a banda hoje perde em técnica, uma vez que Lars Ulrich (sim, eu não ia deixar de falar dele!), hoje em dia, é apenas um baterista mediano e bem ensaiadinho, não passando disso. Ao contrário de seus colegas Dave Lombardo (Slayer) e Charlie Bennante (Anthrax), Ulrich se contenta com o feijão com arroz que a banda pede e só. Diante desse quadro, o Metallica até arrisca 3 faixas novas entre as 18 que executa, mas são os clássicos que predominam e seguram a onda. Comprovando o que eu disse, apenas uma faixa de “Reload” é tocada, mas absolutamente nada do “St Anger”. Se olharmos direito, a banda não tem nada consistente no período destes álbuns - de 1996  a 2008 - para apresentar, ao passo que as demais (a exceção do Anthrax, que estava em crise com a formação) continuaram na ativa, mandando muito bem. O show é competente, mas não encanta como os demais.

Com relação ao documentário nos extras, este serve não somente para se ver o back stage  do show, mas para comprovar como nem tudo são flores nesta reunião histórica.  Mais do que amizade, nota-se que a grana falou mais alto ao juntar alguns desafetos. Para comprovar isso, basta checar o bate papo entre Mustaine e Ulrich sobre filhos: chega a ser constrangedor de tão forçado, como se ambos fossem grandes amigos. Quem viu o documentário “Some Kind of a Monster” do Metallica, sabe do que estou falando. Não se vê tambem muita empolgação quando Hetfield vai ao camarim do Slayer ao para falar sobe a Jam em “Am I Evil”. Esta Jam, aliás, não contou com todos os músicos, uma vez que do Slayer, apenas com Dave Lombardo (Jeff Hanneman e Tom Araya só sobem ao placo na hora da foto), o que deixa claro que a empolgação do encontro não era geral... Para finalizar, deixo uma questão: por que não fazer a Jam com 4 kits de bateria, e não apenas o do Sr Ulrich, com os outros três restritos a uma simples caixa? Os caras tinham de enrolar sem ter onde tocar! Medo da concorrência? Vai saber...

Saldo final: compre, porque vale muito a pena. Som e imagens excelentes, bandas idem (guardadas as devidas proporções, óbvio), com 4 shows que mostram parte da história do Thrash Metal como o conhecemos hoje.