Mostrando postagens com marcador Resenha DVD. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenha DVD. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de janeiro de 2017

Resenha Vídeo: “Ultimate Revenge 2” 1989 (Death, Dark Angel, Forbidden, Raven e Faith Or Fear)


Impressionante que estamos perto de completar 30 anos da gravação desse vídeo, que é simplesmente um dos mais sensacionais da década de 80, trazendo a nata do cast da Combat Records na época: Forbidden e Faith Or Fear (lançando seus debuts,  respectivamente “Forbidden Evil” e “Punishment Area”),  Death (no 2º álbum, o espetacular “Leprosy”), Dark Angel (lançando o 3º disco, “Leave Scars”) e os veteranos do Raven (no 7º da carreira, “Nothing Exceeds Like Excess”). O mais incrível é que passados todos esses anos, algumas dessas bandas se tornaram lendárias, sendo reverenciadas até hoje. Além disso, a sensação de revisar o espírito daquela época é uma das grandes surpresas desse vídeo, mostrando como a cena Thrash americana era forte, sendo um verdadeiro espetáculo ver estas bandas em ação, num momento em que não paravam de surgir grandes nomes no cenário. O vídeo foi gravado no Trocadero Theater, um clube localizado na Philadelphia, e foi o palco perfeito (desculpem o trocadilho) para este verdadeiro massacre musical.

O primeiro no vídeo é o Forbidden, que já trazia consigo um fato curioso: de suas fileiras, anos mais tarde, sairia o futuro batera do Slayer, Paul Bostaph, substituindo Dave Lombardo por 10 anos. Se não bastasse isso para atiçar a curiosidade de qualquer um sobre a banda, é necessário que dizer que o Forbidden fez um show destruidor. A banda era uma grande promessa e simplesmente fez uma apresentação impecável, misturando agressividade e técnica. Completada pelo vocalista Russ Anderson, os guitarristas Glen Alvelais e Graig Locicero e pelo baixista  Matt Camacho, a banda executa quatro verdadeiras pérolas do álbum de estréia: “Feel No Pain”, “As Good As Dead”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”. A banda é espetacular, destaque para a voz de Russ Anderson que se encaixa como uma luva na proposta da banda. Que conhece este album há de lamentar apenas a ausência de “March Into Fire” no vídeo, que provavelmente ficaria sensacional.

Desconhecido até para mim quando assisti a este vídeo pela primeira vez, o Faith Or Fear é a grande surpresa por aqui. Com o monumental “Punishment Area” recém lançado, a banda surpreende com um Thrash técnico e agressivo que não ficava devendo nada aos grandes nomes da época, bem como as outras bandas desse vídeo. Apesar de nova, a banda mostra segurança e foi destruidora na sua apresentação, com uma presença de palco muito boa. A banda executou as faixas “Punishment Area”, “What Would You Expect”, “CDS” e “Time Bomb” com sangue nos olhos e fez um set fantástico. Formado pelo vocalista Tim Blackman, os guitarristas Chris Bombeke e Bob Perna, o baixista Clarenec “CJ” Jenkins (R.I.P.) e o batera Rich Lohwasser, infelizmente o Faith Or Fear não passou do primeiro álbum, pois a banda se separou 3 anos depois. Uma pena, pois este vídeo deixa claro que a banda poderia ter alçado vôos bem mais altos.

Na sequência, aquele que, que para mim, é o nome seminal do estilo que batizou: o Death. Chuck Schuldiner – na época com apenas 21 anos – já dera ao mundo o assombroso “Scream Bloody Gore” e agora galgava um degrau acima no cenário do Metal extremo com o sensacional “Leprosy”. Com Schuldiner na guitarra e vocais, Rick Rozz na guitarra (que o acompanhava desde o embrionário Mantas, mas não tocou no debut), Terry Butler no baixo e Bill Andrews na bateria, a banda executa os hinos “Left to Die”, “Forgotten Past” e Pull The Plug” (simplesmente monstruosa ao vivo) do novo álbum e “Denial of Life” do primeiro disco. A banda dispensa comentários, as músicas são clássicos absolutos do estilo e são executadas numa performance impecável. Quanto às ausências, “Zombie Ritual” é quase que uma escolha óbvia. Se você é novo e não conhece esta banda, não perca tempo, pois é clássica.

Depois do Death, outro nome de peso surge: Dark Angel. Navegando nas águas de um Thrash brutal, tocado a velocidade da luz, a banda havia perdido o vocalista Don Doty, que havia cantado nos dois primeiros álbuns e cujo timbre característico já havia dado uma cara para a banda. Apesar do desafio, a banda recrutou o desconhecido Ron Rinehart, que apesar de inferior a Doty, executa bem o seu papel e tem grande presença de palco. Com restante do grupo intacto - Erick Meyer e Jim Durkin nas guitarras, Mike Gonzalez no baixo e Gene Hoglan na bateria – o Dark Angel faz uma performance coesa e empolgante, com direito até a teatrinho no início do show, com a banda de costas para o publico enquanto rola uma introdução movida à microfonia das guitarras. O destaque individual, obviamente, vai para Gene Hoglan, reconhecido nos dias de hoje como um dos maiores bateristas de metal da atualidade. Já nessa época ele já demonstrava uma técnica absurda, mesmo em meio a velocidade alucinante de algumas músicas. Executando “The Death of Innocence”, “The Burning of Sodom”, “Death is Certain (Life is Not) e “No One Answers”, o Dark Angel mostrava que era uma grande promessa que se concretizava. Apesar dos rumos que banda tomaria no futuro, até aqui ela foi magnífica.

Fechando, temos o bom e velho (no bom sentido) power trio Raven. Diferentemente das demais bandas do vídeo, o Raven é focado no Rock/Heavy Metal – ou “Atlethic Rock” como eles diziam – e não fez feio. Pelo contrário, com seis álbuns nas costas e lançando o sétimo, a banda já era experiente e conhecida na cena, mesmo sendo Inglesa. Apesar de duas patinadas gigantescas nos anos de 85 e 86, onde lançou dois álbuns medíocres tentando penetrar no mercado americano (à época dominado pelo Metal Farofa, lembram?), a banda depois voltou aos trilhos e mostra isso no vídeo. Executando as faixas “Lay Down The Law”, “Into The Jaws of Death” (excelente!), “You Got a Screw Loose” e a Rock N Roll “Gimme a Break”, a banda cativa o público com um som energético e visceral. Formado pelos irmãos Gallagher (Mark na guitarra e John no baixo/vocais) e pelo baterista Jonh Hasselvander, o Raven é a única que se manteve ininterruptamente na ativa até os dias de hoje, e com essa mesmíssima formação.


Depois desse massacre sonoro, é fácil concluir que este “Combat Tour 2” honra com sobra o primeiro volume (famoso também como “Studio 54”), onde Slayer, Exodus e Venom fizeram história. São registros eternos de uma época rica e frutífera para o Metal mundial, onde nomes famosos surgiram e se tornaram verdadeiros ícones. Entre os que ainda estão na ativa e outros que já se foram, fica a certeza de que aqueles que estavam lá e viram isto ao vivo são verdadeiros privilegiados, pois fizeram parte da história do Metal.

FORBIDDEN

DEATH


FAITH OR FEAR


DARK ANGEL


RAVEN


domingo, 16 de janeiro de 2011

Resenha DVD: "The Big 4" (Metallica, Slayer, Megadeth & Anthrax)



Não há menor dúvida que este DVD registrou um show de uma turnê histórica para o Metal, o encontro dos 4 grandes nomes do Thrash Metal da década de 80: Slayer, Megadeth, Metallica e Anthrax. Ainda que, pessoalmente, eu ache que uma 5ª banda deveria ter sido incluída – o fantástico Exodus – é óbvio que o impensável se realizou, uma vez que Megadeth e Metallica se reaproximaram (leia-se Dave Mustaine, James Hetfield e Lars Ulrich). Isso sem contar o Slayer também, que ao longo dos anos sempre foi alvo de comentários sobre diferenças e animosidades com as duas bandas citadas, principalmente Megadeth, onde Kerry King chegou a tocar por um breve período de tempo no passado. Como veremos mais a frente, os shows foram fantásticos, mas ao assistir os extras, onde um documentário mostra os bastidores do evento, fica claro que o Heavy Metal, além de um estilo apaixonante para milhões pelo mundo, também é um grande negócio...

O DVD abre com o Anthrax, que pela segunda vez tem Joey Belladonna retornando aos vocais, logo depois da saída conturbada do vocalista anterior Dan Nelson, num episódio confuso e sem muitas explicações até hoje. Vale lembrar que Belladonna já havia retornado ao Anthrax  em 2005 - juntamente com o guitarrista Dan Spitz, reunindo a formação clássica da banda - mas novos desentendimentos aconteceram e ambos partiram novamente. Desta vez, Spitz não voltou (trazendo de volta Rob Caggiano, na banda desde 2001). Com isso, fica clara a sensação de como esta reunião é oportunista, uma vez que é aparente que tanto a banda, quanto Belladonna, não conseguem a mesma exposição junto a mídia e fãs se não estiverem juntos. Outra coisa que reforça isso, vendo o documentário, é a clara falta de empolgação de Belladonna (apesar de ao vivo sair-se muito bem), principalmente no ensaio de “Am I Evil”, junto com os demais músicos, onde sua apatia é visível. Em termos musicais, a banda merece realmente estar neste encontro histórico, uma vez que sua carreira é fantástica. Destaques individuais para Charlie Benante (um dos grandes bateristas do Thrash mundial) e Frank Bello (que é o Bruce Dickinson do baixo, sem parar de agitar um minuto sequer). Em uma hora de show, os grandes clássicos são tocados com a competência de sempre: “Caught in a Mosh”, “Madhouse”, “Metal Thrashing Mad”, “I Am The Law”, além das surpreendentes “Only” (da fase John Bush) e a homenagem a Ronnie James Dio no meio de “Indians” com “Heaven and Hell”. No fim das contas, 1 hora é muito pouco e faz com que a banda deixe vários hinos de fora.

Na sequência vem o espetacular Megadeth, que na minha modesta opinião, podia estar no lugar como headliner em vez do Metallica. Sei que isso choca muita gente, parece heresia, mas não é de hoje que, se feita uma análise correta, podemos ver que o Megadeth teve (e tem) uma carreira muito mais estável que o Metallica. Tirando o fraco “Risk”, os lançamentos da banda sempre foram consistentes. Claro que a banda não teve os 3 primeiros clássicos que o Metallica teve - mas é só isso que o Metallica tem – e esta regularidade sempre me cativou. Entretanto, o Megadeth também tem seus clássicos (na minha opinião: “Peace Sells... But Who´s Buying”, “Rust in Peace”e “Countdown to Extinction”), além de ter tem um show acima da media e que mexe com o público. Preferências à parte, Mustaine e sua trupe simplesmente detonam, mesmo tocando debaixo do maior temporal.  Atualmente o Megadeth conta com uma formação muito estável e talentosa: Chris Broderick rivaliza em talento Marty Friedman, sendo um guitarrista espetacular; Dave Ellfson dispensa comentários, sendo a alma da banda junto com Mustaine. Apenas Shawn Drover me parece um baterista competente, mas certinho demais, bem distante da fúria e técnica do grande Nick Menza, que saiu da banda em 1998. Em termos de set list, o mesmo problema do Anthrax afligiu o Megadeth: apenas 1 hora para tantos clássicos é um desafio, mas a banda não fez feio: “Holy Wars...”, “Hangar 18” (que levanta o público), “Trust” e a pouco executada, mas espetacular, “Hook in Mouth”. Além das antigas, a banda ainda executou “Headchrusher”, faixa do excelente último álbum “Endgame”. Mesmo com todas aquelas presepadas com o Metallica, Mustaine ainda é o cara.

Slayer, Man! Fuck Yeah! Fica difícil escolher palavras para definir o show do Slayer, principalmente sendo a única das quatro bandas deste DVD que manteve-se absolutamente fiel a sua proposta, não fazendo concessões no seu som. Mesmo com dois álbuns experimentais (“Diabolus In Musica” e “God Hates Us All”), a banda não tirou o pé do acelerador e nem abriu mão de sua fúria tradicional. Além disso, a banda não tem muitas firulas ao vivo (nem back drop os caras usaram nesta apresentação) e vai direto ao ponto: Thrash Metal! Nem o fato de Tom Araya não poder mais agitar por conta da recente operação nas costas - e uma conseqüente proibição médica para o resto da vida – tira o brilho do show. Novamente 60 míseros minutos limitam estes Deuses, mas a magia está lá: “Angel of Death”, “Chemical Warfare”, “Mandatory Suicide”, além dos novos clássicos “Disciple”, “Jihad”  e “World Painted Blood”. É importante frisar que o Slayer é o único dos quatro que conseguiu gerar clássicos nos últimos álbuns (eu disse clássicos, não apenas boas músicas).  Tecnicamente, a formação clássica é imbatível: Lombardo continua sendo uma referência para bateristas do estilo, Hanneman e King são um exemplo de dupla de guitarristas perfeita dentro do Thrash e Araya, mesmo mais contido, permanece um excelente frontman, dominando a platéia com seus olhares sérios e sorrisos sinistros. Em suma: o Slayer está num outro patamar, e o publico sabe disso. Nota 10!

Chegando ao show principal, temos o Metallica, que encara uma situação um tanto quanto peculiar: depois de 3 albuns referenciais para o Thrash Metal, começou a mudar o seu som até chegar no multiplatinado “Metallica” - onde fez fama e fortuna - e daí começou uma descendente que passou pelos famigerados “Load” e “Reload”, culminando no trágico e patético “St Anger”.  Depois de idas e vindas ao Terapeuta, a banda ressurgiu com o bom “Death Magnetic”.  Entretanto, é óbvio que a banda tem uma legião de fãs por conta de seu passado glorioso e já não tem um show tão poderoso como antigamente, por várias razões.  Primeiro, a pegada não é mais a mesma, com várias canções antigas sendo tocadas sem a mesma gana do passado, com execuções que passam longe do que víamos nos anos 80. Segundo, a banda hoje perde em técnica, uma vez que Lars Ulrich (sim, eu não ia deixar de falar dele!), hoje em dia, é apenas um baterista mediano e bem ensaiadinho, não passando disso. Ao contrário de seus colegas Dave Lombardo (Slayer) e Charlie Bennante (Anthrax), Ulrich se contenta com o feijão com arroz que a banda pede e só. Diante desse quadro, o Metallica até arrisca 3 faixas novas entre as 18 que executa, mas são os clássicos que predominam e seguram a onda. Comprovando o que eu disse, apenas uma faixa de “Reload” é tocada, mas absolutamente nada do “St Anger”. Se olharmos direito, a banda não tem nada consistente no período destes álbuns - de 1996  a 2008 - para apresentar, ao passo que as demais (a exceção do Anthrax, que estava em crise com a formação) continuaram na ativa, mandando muito bem. O show é competente, mas não encanta como os demais.

Com relação ao documentário nos extras, este serve não somente para se ver o back stage  do show, mas para comprovar como nem tudo são flores nesta reunião histórica.  Mais do que amizade, nota-se que a grana falou mais alto ao juntar alguns desafetos. Para comprovar isso, basta checar o bate papo entre Mustaine e Ulrich sobre filhos: chega a ser constrangedor de tão forçado, como se ambos fossem grandes amigos. Quem viu o documentário “Some Kind of a Monster” do Metallica, sabe do que estou falando. Não se vê tambem muita empolgação quando Hetfield vai ao camarim do Slayer ao para falar sobe a Jam em “Am I Evil”. Esta Jam, aliás, não contou com todos os músicos, uma vez que do Slayer, apenas com Dave Lombardo (Jeff Hanneman e Tom Araya só sobem ao placo na hora da foto), o que deixa claro que a empolgação do encontro não era geral... Para finalizar, deixo uma questão: por que não fazer a Jam com 4 kits de bateria, e não apenas o do Sr Ulrich, com os outros três restritos a uma simples caixa? Os caras tinham de enrolar sem ter onde tocar! Medo da concorrência? Vai saber...

Saldo final: compre, porque vale muito a pena. Som e imagens excelentes, bandas idem (guardadas as devidas proporções, óbvio), com 4 shows que mostram parte da história do Thrash Metal como o conhecemos hoje.