domingo, 13 de maio de 2018

Ghost - Rats (Official Music Video)

Simplesmente o melhor vídeo de 2018!!!! A música nova do Ghost, "Rats", é o primeiro single  do novo album "Prequelle", que sai agora dia 01/06. Se o album for 1/3 dessa música, será fantástico!!!

SLAYER - Early Days: Episode 2

Resenha: "Eonian" Dimmu Borgir



Com o lançamento do novo álbum do Dimmu Borgir, “Eonian”, é possível avaliar agora qual a proposta real da banda, frente a dois singles que não foram nada animadores. A grande questão é: o disco é ruim? Se ruindade for sinônimo de chatice, sim, o disco é muito ruim...

Acho que toda banda tem direito a uma derrapada, é natural. São seres humanos atrás da produção musical, e que têm todo direito de errar. E parando para pensar bem, todo mundo, até os grandes, já tiveram deslizes em suas trajetórias: Slayer, Iron Maiden, Metallica, Judas Priest, Ozzy Osbourne, Anthrax e etc. O detalhe é quando um deslize se transforma numa nova direção musical, com uma proposta diferente da original. Nesse caso, o que acontece na maioria das vezes é que novos fãs surgem, enquanto muitos abandonam o barco insatisfeitos com os novos rumos. No caso do Dimmu Borgir, “Eonian” representa não só o deslize pontual, mas também consolida uma mudança gradual no som da banda que vem se desenrolando já alguns anos. Se o próximo álbum vier na mesma linha, aí é hora de ligar o alerta vermelho.

Vi um comentário na internet muito perspicaz e que faz muito sentido, se pararmos para analisar a evolução da banda e entender como este novo álbum pode ser um ponto de ruptura: os dois primeiros álbuns (“For All Tid” e “Stormblast”) representaram a era Black Metal tradicional; os três seguintes (“Enthrone Darkness Triumphant”, “Spiritual Black Dimensions” e Puritanical Euphoric Misanthropia”) representaram a era dos teclados; os três últimos (“Death Cult Armageddon”, “In Sorte Diaboli” e “Abrahadabra”) a fase sinfônica, com ênfase nas orquestrações. Uma evolução “sadia” até aqui, que manteve o peso constante, apesar da presença crescente das orquestrações. Ao meu ver, “Eonian” representa um ponto negativo nessa curva até então ascendente.
Não farei comentários faixa a faixa, pois o álbum é equilibrado (isso não foi um elogio) e todas as músicas padecem do mesmo mal. Mas antes de falar do álbum em si, gostaria de registrar que o Dimmu Borgir foi a primeira banda que vi na vida a soltar dois singles com as duas músicas mais fracas de um novo lançamento. Só não foi um tiro no pé porque o disco como um todo não empolga, servindo apenas para criar polêmica antes do álbum, e não para aumentar a expectativa. Talvez tenham sido escolhidas por conterem elementos mais atípicos ao som da banda, numa tentativa de antecipar uma nova linha musical.


“Eonian”tem basicamente dois grandes problemas: 1) As músicas são fracas, sem força, sem peso, sem inspiração. Não falo nem da pouca presença de Blast Beats – não é só disso que o Black Metal da banda se caracteriza - mas do clima que o DB sempre soube imprimir em suas músicas, fosse elas rápidas ou cadenciadas. Tampouco se trata de falar que o material antigo era melhor (ok, realmente é), mas de perceber que faltou inspiração e as músicas ficaram muito apagadas. Para não falar em perda total, o disco tem bons momentos isolados nas músicas, mas não a ponto de salvá-las. Juntando as partes realmente legais, talvez tivéssemos uma ou duas músicas fodas. 2) O uso abusivo de corais e orquestrações, ainda que a estrutura das músicas seja mais simples. Apesar de parecer um contrassenso, fica fácil imaginar: pegue o Satyricon do álbum “Diabolical Now” e recheie de coros e samples de orquestra. É assim que o álbum soa, com uma estrutura musical mais simples e com uma cobertura enjoativa de grandiosidade sinfônica. Todas as músicas basicamente têm isso, suprimindo a todo momento determinadas partes instrumentais que eventualmente poderiam dar um fôlego às músicas. Não foi à toa que os comentários de “Nightwish do Inferno” surgiram e, convenhamos, se encaixaram como uma luva... A coisa ficou tão “over”, que alguns momentos chegam a ser “alegres” e distoam brutalmente da proposta que estamos acostumados a ver no Dimmu Borgir, nem de longe lembrando o clima soturno que esse recurso dava ao som da banda.

O resultado final fica muito aquém do esperado e com certeza vai desapontar muita gente. Apesar de comentários positivos na Internet baseados no argumento de “evolução musical” e na crítica “quem não gostou está preso ao passado e quer ver a banda fazendo sempre a mesma coisa”, acho que o DB abrandou seu som, se tornou um pouco mais “comercial”: as investidas ultra sinfônicas e novas influências tendem a ampliar o espectro de fãs, pois torna o Black Metal deles mais “digerível”. Ainda que toda a comunicação visual e marketing do disco sejam agressivos, trata-se de uma realidade cada vez mais distante de bandas como Marduk e Dark Funeral, por exemplo.


Apesar de tudo, não acredito que mesmo com todas as críticas, haverá algum dano sério a carreira do DB, pelo menos por enquanto. A banda vai começar a turnê do disco e obviamente os grandes clássicos que todo mundo gosta estarão lá nos shows, apenas entrecortados por 3 ou 4 músicas novas que obrigatoriamente terão de ser executadas. Agora, um novo álbum com mais experimentos, mais “Nightwish” e menos inspiração pode começar a afugentar os fãs, incluindo este que vos escreve.

domingo, 29 de abril de 2018

Dimmu Borgir: Ascensão e Queda?



É possível que todo o fã, em algum momento da sua vida, viu sua banda preferida cair de nível, lançando obras discutíveis ou então notoriamente ruins, sendo fracasso de crítica ou vendas, ou então os dois juntos. Trata-se daquele disco ou então de uma fase com vários lançamentos em que o artista, por alguma razão, se desvirtua da proposta original do seu som ou então não mantem a qualidade de outrora. Pode ser proposital – alguns chamam de “evolução” quando questionados – ou não, representando aí uma fase menos inspirada mesmo... Alguns admitem a falha, outros não; uns sentem orgulho mesmo sob críticas, outros pedem desculpas e muitos até fazem questão de esquecer, simplesmente não mencionando a existência desse material... Quando se trata de banda grande então, a tragédia e o trauma são ainda maiores, com as reações de artistas, crítica e públicos sendo ainda mais exasperadas. Como exemplos não faltam, cito aqui 10 casos que, na minha opinião, são monumentais e representam até hoje um soco no estômago do fã:
1) Metallica (“St. Anger”)
2) Celtic Frost (“Cold Lake”)
3) Morbid Angel (“Illud Divinum Insanus”)
4) Kreator (“Renewal”)
5) Iron Maiden (“Virtual XI”)
6) Megadeth (“Risk”)
7) Sepultura (“Nation”)
8) Morgoth (“Feel Sorry For The Fanatic”)
9) Fight (“A Small Deadly Space”)
10) Raven (“The Pack is Back”)

Na realidade trago esse assunto à tona porque mais uma grande banda pode estar caindo nesse abismo: o Dimmu Borgir, um dos maiores nomes  do Black Metal Sinfônico mundial, ainda não lançou seu novo álbum (“Eonian”), mas os dois singles já divulgados são simplesmente toscos e pobres frente ao material grandioso que a banda já produziu até hoje. Apesar de seu último álbum (“Abrahadabra”, de 2010) ser um bom disco, este sofreu críticas devido ao grande volume de orquestrações – desta vez gravadas por músicos de verdade e não por teclados como de  costume – e que acabaram se sobrepondo um pouco demais ao Black Metal característico da banda. Entretanto, 8 anos depois, a banda lança em Maio o álbum “Eonian” e (teoricamente) prometeu um som mais calcado nas suas origens, mas não foi o que se viu até agora.

As duas faixas liberadas até agora foram “Interdimensional Summit” e “Council of Wolves and Snakes”, ambas com vídeos bem produzidos, mas que revelam não apenas a questão do baixo nível musical, mas também um outro problema que considero grave, ainda mais se tratando de música extrema: a necessidade da banda em se manter no mainstream (sim, o Dimmu Borgir é um dos maiores nomes da Nuclear Blast), uma vez que ambos os vídeos tem um visual que mostra que o Marketing para esse disco foi cuidadosamente preparado pela gravadora, tal qual já ocorre desde 2007 com o álbum “In Sorte Diaboli”. Nesta época a banda adotou um visual calcado em armaduras; em 2010, o branco tomou conta, dando uma perspectiva gélida ao visual, e agora, o preto volta a reinar e todos usam capuzes (?), uma vez que nos vídeos e no material promocional divulgado até agora o visual da banda é todo assim. Me preocupa que um estilo baseado em músicas gélidas, rápidas, blasfemas e controversas possa ser cuidadosamente produzido e promovido. Isto cai bem para Metallica e Iron Maiden, mas para o Dimmu Borgir e o estilo praticado soa atípico e pouco natural.

Abrahadabra Promo

In Sorte Diaboli Promo

Em todo caso, coloco ambos os vídeos aqui e comento os dois. Vejam se estou delirando ou se  estou certo e a banda pode estar numa descrescente. Só o tempo e o disco completo dirão... Antes do vídeos, deixo uma pergunta no ar: Galder está com algum problema no pescoço, que o mantém torcido o tempo todo para a esquerda?.
Vamos aos vídeos:
    
 “Interdimensional Summit”

Chega a ser impressionante como o título “Nightwish from Hell”, visto nos comentários que se seguiram ao lançamento do vídeo, se aplicou tão bem: parece que o Nightwish, com toda aquela pompa, refrões, côros e melodias sinfônicas resolveu tocar Black Metal... Mas como não é a praia da banda, não deu muito certo... A música não tem aquele peso característico, parecendo até aquelas bandas de industrial com partes apenas com baixo e bateria, com as guitarras entrecortando a música... O refrão principal é ruim, alegre (!) e a música não engata. Em termos visuais, os pentagramas atrás da banda não ajudam, tendo um efeito “bandeira de pirata”, como se aquilo estivesse ali apenas para mostrar que a banda é do mal...  


“Council of Wolves and Snakes”

O Segundo single foi menos pior que o primeiro, mas manteve o alerta da falta de inspiração. Diferentemente  da primeira, esta música tem parte mais rápida – nada de blast beats, esqueça – mas mesmo assim é pouco inspirada e padece do mesmo problema sinfônico, contando ainda com o clichê de uma parte atmosférica burocrática, apenas para dar clima. Para piorar, uma parte tribal (?) surge do nada, o que, no fim das contas, ajudou apenas a diminuir a expectativa sobre o álbum... Sendo honesto, a única coisa legal até agora é a capa do disco, simplesmente belíssima.

quinta-feira, 22 de março de 2018

O Fim do Slayer


Com um atraso inconscientemente proposital, falo aqui do fim do Slayer. Afinal de contas, esta notícia deixou a mim e a milhões de fãs tristes pelo mundo, mesmo sendo algo inevitável, como tudo nesta vida. Entretanto, apesar da tristeza, não serei incoerente, pois já manifestei aqui a minha vontade de que a banda já tivesse parado tempo atrás. A verdade é que quando anúncio saiu, doeu mais do que eu imaginei... Mas reafirmo que a decisão é sábia e a banda sai por cima, ainda como um dos nomes mais violentos dentro Thrash Metal que ajudou a construir com outros nomes seminais do estilo. Mas é uma pena, pois mesmo depois de 35 anos, a banda ainda consegue o mesmo efeito hipnótico no público ao subir no palco e tocar “Raining Blood”, “Hell Awaits”, “Black Magic”, “South of Heaven”, “War Ensemble”, “Angel of Death”, “Dittohead” e tantos outros hinos atemporais do estilo único da banda. É aquele negócio: começou a tocar, você já sabe que é Slayer.


Tive meu primeiro contato com a banda, se não estou enganado, em 1984. Era a época do famoso “Tape Trading” (troca de fitas K7 com gravações dos lançamentos à época, que todo mundo copiava de todo mundo), que se era forte nos EUA e Europa, imagine aqui, onde só se tinha acesso ao era lançado pelos importados, que eram absurdamente caros. Com isso, o jeito era esperar alguém comprar o disco e fazer uma cópia em K7. Mas no caso do Slayer, foi diferente: o debut “Show No Mercy” já havia saído lá fora, mas como no Brasil absolutamente nada era lançado, consegui ouvi-lo via um piratão tosco em vinyl, que até hoje não sei quem lançou por aqui: a capa era preta, com o bode e a logo reduzidos, no verso apenas os nomes das musicas e o disco tinha com um selo amarelo sem nada escrito (o mesmo aconteceu com “Ride the Lightning” do Metallica). Quanto a gravação, apesar de obviamente ruim, serviu para introduzir a violência latente da banda na época, onde ninguém havia alcançado aquele nível de fúria e velocidade. Músicas como “Evil Has No Boundaries”, “Fight Till Death”, “Black Magic”, “The Final Command”  e a própria faixa título me levaram a loucura e a uma paixão imediata pela banda. Fora isso, as poucas imagens e raríssimos vídeos que se tinha acesso na época (lembre-se que não havia Internet...) mostravam uma banda com um visual agressivo – Kerry King e aquele monte de pregos e tachas era algo absurdo de inovador – o que completava o pacote e simplesmente seduzia quem começava a descobrir aquele som mais extremo.

Mas foi com “Hell Awaits”, em 1985, que tive a confirmação de ninguém seria maior do que o Slayer dentro do Thrash Metal. O mesmo amigo que comprou o piratão do “Show No Mercy” conseguiu comprar o HA importado. Ouvir pela primeira vez a introdução de “Hell Awaits” e aquela marcação de ritmo espetacular foi algo indescritível, impensável para a época, mostrando a banda era realmente diferenciada. Quando tive a oportunidade de assistir ao vídeo “Ultimate Revenge” (o famoso Studio 54) e ver a música ao vivo, quase enfartei. Era espetacular ao extremo ver uma banda afiada e que era pura agressividade no palco. Isso sem mencionar Dave Lombardo, que já dava sinais do baterista monstruoso que se consagraria no futuro. Daí para a frente a coisa só piorou (no bom sentido), pois aí o maior disco de Thrash Metal já lançado na história da humanidade, “Reign in Blood”, definiu os rumos do estilo a consolidou o Slayer como nome absoluto dentro Metal mundial.

Mas o curioso, ao meu ver, é que mesmo ao longo dos anos, com eventuais altos e baixos, a banda nunca mudou de estilo ou seguiu modas e tendências. Apesar de “Diabolus in Musica” ser um disco acusado de ser muito influenciado pelo New Metal regente à época de seu lançamento, ao meu ver trata-se apenas de um disco pouco inspirado e com produção não tão boa quanto às anteriores. A banda continuou pesada e sem concessões, e se manteve inclusive ao longo da década de 90 quando do domínio do Grunge se consolidou e conseguiu derrubar grandes bandas do mainstream. Até mesmo as mudanças na formação foram curiosas na carreira da banda, haja visto que perder um baterista como Dave Lombardo não foi o fim do mundo, pelo menos para o próprio Slayer. Sem contar Tony Scaglione (Whiplash) e John Dette (Testament, entre outras), substitutos que não chegaram a esquentar o banco, a banda conseguiu em Paul Bostaph (ex-Forbidden) um baterista à altura de Lombardo e manteve o alto nível de importância do instrumento no som da banda.


Mas, mesmo consolidando em 2018 os 35 anos de carreira, 11 albuns de estúdio, 2 ao vivo e inúmeros outros lançamentos (EP´s, DVD´s, Box Set, Coletâneas e etc.), a banda já em 2009 tinha atingido, pelo menos para mim, o ponto em que deveria ter começado a considerar em parar, quando do lançamento do álbum “World Painted Blood”. Hoje tenho três razões básicas que, gradativamente cronológicas, reforçaram este meu pensamento inicial.
A primeira, o fato de WPB ser o segundo álbum seguido após o retorno de Dave Lombardo a banda 2001, após 10 anos afastado. O Slayer já havia lançado o excelente “Christ Illusion” em 2006 e manteve o nível neste álbum seguinte, o que foi ótimo, mostrando que a formação original continuava afiada. Entretanto, os mais de 25 anos de banda à época certamente iriam começar a cobrar seu preço mediante a idade dos músicos e o estilo de música executado. Meu pensamento era que a banda acabasse por cima, tanto em cima do palco (antes que começassem performances meia boca), como pelos seus lançamentos, e os dois últimos álbuns representaram um ressurgimento frente a fase menos inspirada da dobradinha “Diabolus In Musica” (1998) + “God Hates Us All” (2001), meus dois álbuns menos favoritos na discografia da banda. Além disso, banda participou do “Big Four”, que também foi sensacional de se ver, pois foi uma tour de extremo sucesso ao lado de Metallica, Anthrax e Megadeth.


A segunda e mais forte razão, foi o problema de necrose do braço de Jeff Hanneman em 2011 e seu posterior falecimento em 02/05/2013. Desde que ele precisou se afastar, comecei a me questionar se seria uma atitude prudente da banda em continuar. É claro que é necessário se considerar uma série de fatores aí, principalmente que muitas bandas de Metal são empresas, têm compromissos, muita gente e dinheiro envolvidos, e não podem simplesmente parar de uma hora para outra. Baseado nisso, entendi que alguém deveria ajuda-los e continuar até que Jeff voltasse. Como tudo no Slayer sempre foi surreal, até essa substituição não poderia ter sido mais estupenda: Gary Holt do Exodus. Acho que ninguém mais no mundo puderia fazer isso, não só pelo puta guitarrista de Thrash que Holt é, mas também pela história do Exodus que se cruza com o Slayer desde o início. Holt sempre foi amigo da banda e foi uma escolha natural e perfeita. Mas a morte de Hanneman trouxe duas questões óbvias: a banda vai continuar mesmo assim? Holt aceitará deixar o Exodus para ficar no Slayer? Novamente pensei que seria melhor parar.

A terceira razão era o meu temor da banda fazer novos álbuns. Depois de 2 lançamentos excelentes, como fazer um novo disco com a banda novamente desfalcada? E pior, desta vez de dois membros originais: Jeff falecera em Maio e Lombardo já havia saído em Fevereiro do mesmo ano, agora despedido por King e Araya, em função de desentendimentos financeiros. Mesmo com Hanneman ainda em vida não eram poucos os rumores de um novo álbum da banda. Questionava-se muito se ele participaria do disco ou se teria material que fosse ser utilizado, mas nada de concreto foi comunicado. Depois de sua morte, a banda manteve Holt e trouxe de volta Paul Bostaph para as baquetas. Com esta formação sólida, foi confirmado que haveria um novo álbum. King alegou que teria sozinho material suficiente para isso, tanto que quando o disco (“Repentless”, de 2015) foi lançado, apenas uma música continha material deixado por Hanneman. “Repentless”, não é um disco ruim, pelo contrário, mas deixa aquela sensação de que poderia ter sido melhor trabalhado, mostrando que a contribuição de Jeff fez falta.

Com o anúncio da turnê de despedida, fico triste e feliz ao mesmo tempo. A banda já confirmou que não haverá um novo álbum, o que permitirá deixar um legado imaculado, uma vez que poderia haver chance do nível cair, e o último álbum foi a prova disso. Quanto ao futuro, é difícil dizer, mas arrisco que King deve continuar de algum modo, com alguma coisa similar ao Slayer, como ele já mesmo disse; Tom vai se aposentar, pois não é de hoje que vem reclamando das viagens constantes e distância da família, isso sem mencionar as costas que já não o possibilitam o esforço do passado; Holt volta com certeza ao Exodus e Bostaph, se não seguir com King, volta ao mercado como músico contratado.


Felizmente, ao vivo, o Slayer continua destruidor, e renovado pela presença de Holt e Bostaph, com certeza vai fazer uma tour inesquecível. Se forem coerentes, realmente irão parar e não fazer como o Kiss, Scorpions ou Ozzy que volta e meia anunciam despedidas que nunca vêm. Vão deixar na memória dos fãs a grande banda que sempre foram, com um legado tão poderoso e intenso quanto a sua carreira sempre foi. Mas vão fazer falta...       



sexta-feira, 16 de março de 2018

Regravações: Homenagem ou Risco?


Com  o lançamento do 2º álbum de regravações do Destruction (“Thrash Anthens II”), a banda novamente mexe com um assunto polêmico e que já deu o que falar no primeiro álbum: revisar um passado intocável, com novas versões para clássicos consagrados. Na época do 1º lançamento, o baixista e vocalista Schmier chegou se irritar em algumas entrevistas quando questionado da validade desta regravações, coisa que os fãs puritanos não gostaram. Lembro-me que ele chegou ao ponto de dizer algo do tipo “As músicas são minhas e eu faço com elas o que quiser! Quem não gostar, que ouça as versões antigas!”. Errado ele não está, mas algo que muitos músicos tentam ignorar é que a carreira da banda é o que é por conta dos fãs, e se eles não gostam de algo desse tipo, também estão no seu direito... Entretanto, o que gostaria de discutir aqui não é somente o caso do Destruction, pois, afinal de contas, uma enormidade de músicos e bandas já fizeram isso, e curiosamente uns se deram muito mal, mas outros se saíram muitíssimo bem, com resultados tão bons ou até melhores que os originais.

No caso do Destruction, o efeito negativo foi duplo: além das novas versões não fazerem jus às originais – não por serem ruins ou mal executadas, longe disso, mas a pegada da banda hoje é bem diferente de 30 anos atrás - temos também a questão das produções em si dos discos originais. No caso do Destruction em particular, os 3 albuns que são a fonte de maior parte  destas regravações (“Sentence of Death”(EP), “Infernal Overkill” e “Eternal Devastation”) são discos que têm produções únicas, que apesar de não terem sido primorosas, forjaram as músicas de maneira espetacular, ajudando a moldá-las como os clássicos que se tornaram. No caso do álbum “Eternal Devastation”, por exemplo, ninguém até hoje conseguiu reproduzir o timbre de guitarra obtido no disco, o que demonstra bem o desafio da banda em regravar estas faixas nos dias de hoje. Além disso, há um agravante: de uns anos para cá, os álbuns da banda padecem do mal gerado pelo uso do Pro Tools em excesso, com produções saturadas de polidas a perfeitas demais, que deixaram o som artificial, sem peso e sujeira característicos do estilo.

Outro que se deu mal ao fazer isso também foi o também germânico Sodom. O álbum “The Final Sign of Evil” teima em refazer o imortal EP “In the Sign of Evil”, e o resultado é bem fraco. Tal qual o Destruction, a produção era impossível de ser copiada, isso sem mencionar que ela era muito boa, com todos os instrumentos maravilhosamente nítidos e claros, mas com um peso monumental. Outro detalhe era um certo Chris “Witchhunter” na bateria, que simplesmente estava inspiradíssimo e destruiu tudo do início ao fim do disco, coisa que se perdeu na regravação, apesar desse mesmo músico ter participado deste novo projeto. Os arranjos mudaram e as músicas se desfiguraram, sendo que a única coisa que salvou o disco foram as faixas inéditas, resgatadas de demos da mesma época.

A coisa simplesmente piora quando músicos, que não os originais, encabeçam a empreitada: os Canadenses do Exciter conseguiram um belíssimo tiro no pé ao lançar “New Testament”, com uma formação que, de original, só tinha o guitarrista John Ricci. Das 15 faixas, 10 eram oriundas dos álbuns clássicos “Heavy Metal Maniac”, “Violence and Force” e “Long Live the Loud”, e que ficaram descaracterizadas sem os vocais do sensacional Dan Beehler. Apesar de bem feito, fica a sensação de que tudo não passa de um grandíssimo “cover” do material clássico do Exciter feito por uma outra banda.   



Mas há quem tenha se dado bem nessa empreitada, mesmo contando com outro vocalista que não o das gravações originais. O Anthrax conseguiu esse feito mesmo com Joey Belladonna longe da banda e tendo o igualmente sensacional John Bush nos vocais. “The Greater of Two Evils” conta com material dos cinco primeiros álbuns da banda (“Fistfull of Metal”, “Spreading the Disease”, “Among the Living”, “State of Euphoria” e “Persistence of Time”) e pôs Bush na difícil situação de cantar material de 2 vocalistas diferentes, pois Belladona assumiu o microfone do Anthrax somente a partir do segundo disco, sendo Neil Turbin a voz do álbum de estréia, saindo logo depois. E o resultado é muito, mas muito bom, não somente pela pegada da banda que manteve o espírito dos registros originais, mas pela voz de Bush que caiu como uma luva no “novo” material. 


Outro que também se deu bem foi o Testament com “The First Strike Still Deadly”. Confesso que não sei exatamente a razão da banda regravar faixas somente dos dois primeiros discos, “The Legacy” e “The New Order” (direitos autorias, será? Ambos saíram pela Megaforce, gravadora responsável pelos lançamentos à época). Apesar da mudança da formação clássica – Loue Clemente não estava mais nas baquetas, posto assumido interinamente por John Tempesta – a banda conseguiu tonar mais visceral faixas que já eram excelentes, talvez por reproduzir o pique que já davam a este material mais antigo ao vivo. A questão que o disco é excelente e faz frente ás versões originais.

Para fechar, um caso esquisito e que me deixa indeciso é o do Exodus, que resolveu fazer a releitura do mega/ultra/clássico “Bonded by Blood”, de 1985. O resultado foi “Let There Be Blood”, que ainda trazia de bônus a faixa “Hells Breath”, conhecida apenas de demos antigas da banda. O problema é que a quantidade de prós e contras era grande, e por isso o resultado ficou 50/50. O contra principal era o fato de regravar um clássico absoluto, um dos pilares do Thrash Metal Bay Area, fruto da mesma safra de “Kill Em All”, “Show No Mercy” e “Fistfull of Metal”, por exemplo. Além disso, o falecido e icônico Paul Balloff imortalizou as vozes desse álbum, isso sem mencionar o fato de ter sido um frontman único e perfeito para o perfil do grupo. Como Balloff morreu, obviamente outro vocalista regravou o álbum, e este foi Rob Dukes. O detalhe é que Dukes tinha um perfil vocal mais gritado/berrado, um pouco diferente de Balloff. Apesar do seu esforço em seguir as linhas originais e o tom de Balloff, é inegável que os vocalistas são distintos. E por fim, outro detalhe é que a produção do álbum original era muito boa, não havendo nenhuma necessidade, no aspecto técnico, de regravar o disco em função desse quesito.    

Mas o disco ficou bom? Sim, ficou. O instrumental é monstruoso, mesmo contando apenas com dois membros da gravação original (Gary Holt e Tom Hunting, guitarra e bateria, respectivamente), a banda em si é extremamente fiel aos arranjos originais, conseguindo um efeito extremamente positivo na produção, que obteve um peso matador (ouça “And Then There Were None” e confirme se não estou certo). Nesse quesito não há o que reclamar, mas os vocais, como dito anteriormente, não são os originais e o perfil de Dukes não é o adequado para esse álbum. A prova disso é que desde sua entrada (após a segunda saída de Zetro Souza, esse sim mais conectado ao trabalho de Balloff) o Exodus direcionou seu Thrash para um estilo mais moderno, onde Dukes se encaixou melhor. No fim das contas, a saudade bate e, entre ouvir este e o original, fico com o original...

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Alter Bridge - Come To Life Live at Wembley 2011

A única surpresa realmente boa e gratificante neste medíocre Rock in Rio 2017. Melodia mesclada com um peso monumental, isso sem mencionar um excelente vocalista!

Vale a pena correr atrás da discografia desta banda relativamente nova (13 anos de carreira) e 5 albuns nas costas. Procure, pois talento como esse aqui está difícil de achar...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

MetalliGaga


Lembro-me bem de quando assisti no Rock in Rio de 2013 a apresentação do Sepultura com o Zé Ramalho. Seria o encontro da maior banda de Metal brasileira com um dos grandes nomes da MPB, em especial da música Nordestina. Lembro-me também de que as opiniões se dividiram, com um lado achando a oitava maravilha do mundo unir Metal e MPB, e o outro achando que era o mesmo que comer Feijoada com Doce de leite. A segunda opinião me pareceu mais coerente, sendo que imaginava que nunca veria outra versão dessa culinária esquisita novamente.

O prato em questão, ou melhor, a apresentação em questão trouxe o Metallica junto de Lady Gaga. O encontro, ocorrido em 12/02 no Grammy 2017, trouxe consigo toda a polêmica que uma parceria desse porte poderia gerar. Ainda que o Metallica já tivesse esgotado sua cota com o controverso “Lulu”, fruto da união com o falecido Lou Reed, ao dividir o palco com uma diva Pop/Dance/Estilista/Marketeira como Gaga, fatalmente o dilema estaria colocado: a água do Metal se mistura com o óleo do Pop? Antes de mais nada, a banda executou “Moth Into Flame”, com Gaga dividindo - literalmente - o microfone com James, já que este, numa inacreditável falha para um evento do porte do Grammy, ficou com o seu sem funcionar quase metade da música. A apresentação teve labaredas pelo palco, bailarinos “bangeando” (?), a banda fazendo o de sempre e uma Lady Gaga se esforçando na atitude Rock n´Roll. A qualidade do que se viu é duvidosa, mas tenho convicção de que coisas desse tipo nada acrescentam a banda ou ao estilo, e foi benéfica única e exclusivamente para Gaga, ao mante-la em evidência na mídia. Como a época das vacas gordas para ela já passou, juntando isto aqui com a recente apresentação no intervalo do Super Bowl, deu para todo mundo lembrar que ela existe. 

Essas parcerias inusitadas não são novidade na música em geral, principalmente em eventos gigantescos como Grammy ou MTV Awards. Entretanto, quando envolve Heavy Metal, a coisa complica, como no caso do “Zépultura”, citado no início do texto. É notório que o radicalismo dos fãs ainda existe, embora hoje a mentalidade geral seja muito diferente de 30 anos atrás. Na década de 80, se instalaria uma guerra civil se algo desse tipo ocorresse. Lembro quando o Anthrax se juntou com o Public Enemy em 1991 para gravar a música “Bring the Noise”, foi um Deus nos acuda, onde só faltou chamarem o Papa para excomungar a banda. E olha que a música ainda tem um apelo Thrash, com o Rap predominando basicamente nas linhas vocais. Acontece que determinadas misturas dão certo, e o caso do Anthrax, além de excepcional, foi até premonitório, pois tempos depois a união Metal + Hip Hop ainda renderia muitos bons frutos.

Apesar do caso do Metallica ter sido apenas uma apresentação ao vivo em conjunto, a polêmica da validade deste encontro começou forte na rede. Já li comentários a favor, comentários contra, numa discussão que parece não ter fim, como era de se esperar. Da parte dos comentários contrários, onde me incluo – já disse acima que isso não acrescenta absolutamente nada para a banda que faz isso – essa resistência vem daqueles fãs mais antigos e, consequentemente, puristas. Lembro da época que o movimento Thrash começava a ferventar e os nomes seminais do estilo ainda engatinhavam suas carreiras: Slayer, Exodus, Kreator, Dark Angel, Sodom, Destruction, Overkill e muitos mais, com uma cena underground em rápida evolução. Para quem acompanhou esse processo, é extremamente difícil visualizar bandas dessa época se aventurarem da maneira que o Metallica eventualmente faz hoje. A questão é que elas, mercadologicamente falando, se encontram num patamar abaixo do Metallica, o que possibilita que elas mantenham intactas suas inspirações musicais, seu estilo, suas convicções e etc.. Talvez esse seja o grande trunfo dessas bandas: o fato de não terem atingido o topo da pirâmide como o Metallica fez, as permitiu manterem seu espírito do início de carreira. Isto possibilitou que elas e todas as outras que seguissem de maneira linear, lançando álbuns com regularidade de tempo e qualidade, enquanto o Metallica se dá ao direito de levar 8 anos entre um disco e outro, só ganhando dinheiro com turnês em cima de turnês. O mainstream e os rios de dinheiro que giram em torno da banda dão a ela conforto e a oportunidade de determinados luxos e excentricidades, como esse de tocar com Lady Gaga. É o tal momento em que o artista pode fazer o que lhe der na telha, pois dinheiro de sobra já há na conta bancária.

Outro detalhe é que parcerias são coerentes quando feitas com uma ligação lógica, uma conexão que faça sentido. No mesmo Rock in Rio do “Zépultura” tivemos os gigantes do brutal Death Metal Krisiun com os reis do Thrash Alemão Destruction. Na edição de 2015 tivemos Ministry (um dos principais nomes do Metal Industrial) com Burton C Bell (vocal do Fear Factory, outro grande nome do mesmo estilo) no mesmo palco, num encontro de gerações diferentes. Agora, dizer que Metallica + Lady Gaga é revigorante, ainda mais porque um nada tem haver com o outro, é contrassenso. O que se viu naquele palco foi uma banda de rock, tocando rock, com uma cantora pop fingindo ser rockeira: cadê a conectividade? Não há nenhuma, mas há o Marketing. O encontro (extremamente) inusitado chamou a atenção de todos e isso é o que conta, ainda que Gaga tenha se beneficiado mais, por razões já citadas aqui. Ao Metallica restou mais as críticas dos detratores (apesar de muitos defenderem também) e os problemas técnicos ao longo da apresentação. Coroando essa “vergonha alheia” (vi essa expressão muito bem colocada em um dos diversos comentários negativos na Internet), ainda tivemos Lars Ulrich, numa das entrevistas pós apresentação, dizer que Gaga poderia ser efetivada como 5º membro da banda: ainda estou tentando me decidir se foi ironia (creio que não, pois foi DELE essa idéia brilhante), se uma brincadeira de mau gosto com os fãs ou se foi Marketing barato mesmo.

Independente da resposta, é por essas e outras que o Metallica não me enche mais os olhos hoje. Se for para ficar vendo coisas como “Metalligaga” (ou “Gagallica”?) por aí, prefiro pegar meus discos antigos para ouvir, pois o Metal que brilhava naquela época era outro: o do estilo musical, não o do dinheiro.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Resenha Vídeo: “Ultimate Revenge 2” 1989 (Death, Dark Angel, Forbidden, Raven e Faith Or Fear)


Impressionante que estamos perto de completar 30 anos da gravação desse vídeo, que é simplesmente um dos mais sensacionais da década de 80, trazendo a nata do cast da Combat Records na época: Forbidden e Faith Or Fear (lançando seus debuts,  respectivamente “Forbidden Evil” e “Punishment Area”),  Death (no 2º álbum, o espetacular “Leprosy”), Dark Angel (lançando o 3º disco, “Leave Scars”) e os veteranos do Raven (no 7º da carreira, “Nothing Exceeds Like Excess”). O mais incrível é que passados todos esses anos, algumas dessas bandas se tornaram lendárias, sendo reverenciadas até hoje. Além disso, a sensação de revisar o espírito daquela época é uma das grandes surpresas desse vídeo, mostrando como a cena Thrash americana era forte, sendo um verdadeiro espetáculo ver estas bandas em ação, num momento em que não paravam de surgir grandes nomes no cenário. O vídeo foi gravado no Trocadero Theater, um clube localizado na Philadelphia, e foi o palco perfeito (desculpem o trocadilho) para este verdadeiro massacre musical.

O primeiro no vídeo é o Forbidden, que já trazia consigo um fato curioso: de suas fileiras, anos mais tarde, sairia o futuro batera do Slayer, Paul Bostaph, substituindo Dave Lombardo por 10 anos. Se não bastasse isso para atiçar a curiosidade de qualquer um sobre a banda, é necessário que dizer que o Forbidden fez um show destruidor. A banda era uma grande promessa e simplesmente fez uma apresentação impecável, misturando agressividade e técnica. Completada pelo vocalista Russ Anderson, os guitarristas Glen Alvelais e Graig Locicero e pelo baixista  Matt Camacho, a banda executa quatro verdadeiras pérolas do álbum de estréia: “Feel No Pain”, “As Good As Dead”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”. A banda é espetacular, destaque para a voz de Russ Anderson que se encaixa como uma luva na proposta da banda. Que conhece este album há de lamentar apenas a ausência de “March Into Fire” no vídeo, que provavelmente ficaria sensacional.

Desconhecido até para mim quando assisti a este vídeo pela primeira vez, o Faith Or Fear é a grande surpresa por aqui. Com o monumental “Punishment Area” recém lançado, a banda surpreende com um Thrash técnico e agressivo que não ficava devendo nada aos grandes nomes da época, bem como as outras bandas desse vídeo. Apesar de nova, a banda mostra segurança e foi destruidora na sua apresentação, com uma presença de palco muito boa. A banda executou as faixas “Punishment Area”, “What Would You Expect”, “CDS” e “Time Bomb” com sangue nos olhos e fez um set fantástico. Formado pelo vocalista Tim Blackman, os guitarristas Chris Bombeke e Bob Perna, o baixista Clarenec “CJ” Jenkins (R.I.P.) e o batera Rich Lohwasser, infelizmente o Faith Or Fear não passou do primeiro álbum, pois a banda se separou 3 anos depois. Uma pena, pois este vídeo deixa claro que a banda poderia ter alçado vôos bem mais altos.

Na sequência, aquele que, que para mim, é o nome seminal do estilo que batizou: o Death. Chuck Schuldiner – na época com apenas 21 anos – já dera ao mundo o assombroso “Scream Bloody Gore” e agora galgava um degrau acima no cenário do Metal extremo com o sensacional “Leprosy”. Com Schuldiner na guitarra e vocais, Rick Rozz na guitarra (que o acompanhava desde o embrionário Mantas, mas não tocou no debut), Terry Butler no baixo e Bill Andrews na bateria, a banda executa os hinos “Left to Die”, “Forgotten Past” e Pull The Plug” (simplesmente monstruosa ao vivo) do novo álbum e “Denial of Life” do primeiro disco. A banda dispensa comentários, as músicas são clássicos absolutos do estilo e são executadas numa performance impecável. Quanto às ausências, “Zombie Ritual” é quase que uma escolha óbvia. Se você é novo e não conhece esta banda, não perca tempo, pois é clássica.

Depois do Death, outro nome de peso surge: Dark Angel. Navegando nas águas de um Thrash brutal, tocado a velocidade da luz, a banda havia perdido o vocalista Don Doty, que havia cantado nos dois primeiros álbuns e cujo timbre característico já havia dado uma cara para a banda. Apesar do desafio, a banda recrutou o desconhecido Ron Rinehart, que apesar de inferior a Doty, executa bem o seu papel e tem grande presença de palco. Com restante do grupo intacto - Erick Meyer e Jim Durkin nas guitarras, Mike Gonzalez no baixo e Gene Hoglan na bateria – o Dark Angel faz uma performance coesa e empolgante, com direito até a teatrinho no início do show, com a banda de costas para o publico enquanto rola uma introdução movida à microfonia das guitarras. O destaque individual, obviamente, vai para Gene Hoglan, reconhecido nos dias de hoje como um dos maiores bateristas de metal da atualidade. Já nessa época ele já demonstrava uma técnica absurda, mesmo em meio a velocidade alucinante de algumas músicas. Executando “The Death of Innocence”, “The Burning of Sodom”, “Death is Certain (Life is Not) e “No One Answers”, o Dark Angel mostrava que era uma grande promessa que se concretizava. Apesar dos rumos que banda tomaria no futuro, até aqui ela foi magnífica.

Fechando, temos o bom e velho (no bom sentido) power trio Raven. Diferentemente das demais bandas do vídeo, o Raven é focado no Rock/Heavy Metal – ou “Atlethic Rock” como eles diziam – e não fez feio. Pelo contrário, com seis álbuns nas costas e lançando o sétimo, a banda já era experiente e conhecida na cena, mesmo sendo Inglesa. Apesar de duas patinadas gigantescas nos anos de 85 e 86, onde lançou dois álbuns medíocres tentando penetrar no mercado americano (à época dominado pelo Metal Farofa, lembram?), a banda depois voltou aos trilhos e mostra isso no vídeo. Executando as faixas “Lay Down The Law”, “Into The Jaws of Death” (excelente!), “You Got a Screw Loose” e a Rock N Roll “Gimme a Break”, a banda cativa o público com um som energético e visceral. Formado pelos irmãos Gallagher (Mark na guitarra e John no baixo/vocais) e pelo baterista Jonh Hasselvander, o Raven é a única que se manteve ininterruptamente na ativa até os dias de hoje, e com essa mesmíssima formação.


Depois desse massacre sonoro, é fácil concluir que este “Combat Tour 2” honra com sobra o primeiro volume (famoso também como “Studio 54”), onde Slayer, Exodus e Venom fizeram história. São registros eternos de uma época rica e frutífera para o Metal mundial, onde nomes famosos surgiram e se tornaram verdadeiros ícones. Entre os que ainda estão na ativa e outros que já se foram, fica a certeza de que aqueles que estavam lá e viram isto ao vivo são verdadeiros privilegiados, pois fizeram parte da história do Metal.

FORBIDDEN

DEATH


FAITH OR FEAR


DARK ANGEL


RAVEN


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

METALEIRO

Se você tem bom humor e não é radical, pode rir com esse vídeo, que já nasceu clássico!!!! Tente passar imune ao nome da banda e a música que eles tocam, que é hilária!!!

sábado, 24 de dezembro de 2016

Resenha: Metallica - "Hardwired... to Self-Destruct"


Ao que parece, o Metallica quis justificar a longa espera desde o lançamento de “Death Magnetic” (2008), ao lançar, após 8 anos (!), não apenas um disco, mas um álbum duplo com 12 composições e quase 80 minutos de material inédito. Vários fatores que vão além da longa espera tornam este lançamento mais significativo ainda, como por exemplo os diversos formatos em que ele foi lançado (edições diferenciadas), o forte Marketing envolvendo seu lançamento e o uso massivo da Internet – vide o fato de que cada uma das 12 músicas teve um clipe lançado(!) no YouTube.  Não é preciso nem dizer esse Marketing todo deu resultados e o disco já aparece bem colocado em vários charts mundo afora. Afinal de contas, o Metallica já deixou o underground há muito tempo, navegando hoje em águas onde somente grandes bandas, como U2 e Iron Maiden, ousam flutuar. Mas, e o disco? Justifica o alvoroço?

A banda numa pose extremamente "underground"

Não é preciso nem dizer que os combates sangrentos entre fãs e “haters” já começou na Internet: uma parte adorou, dizendo que o Metallica renasceu e trouxe consigo a aura dos primeiros álbuns; outros alegam que se trata de mais do mesmo, que a banda não tem mais pegada e por aí vai. Lars Ulrich é um detalhe à parte, com uns exaltando sua performance, outros criticando até não poder mais. Antes de dar minha opinião, deixo claro que concordo os dois lados, não por ser indeciso, mas porque ambos estão certos. O Metallica de hoje não é o fundo do poço, mas também não é o salvador da pátria. Aliás, ninguém do Big Four, para dar um exemplo de impacto, é mais como era antigamente. O tempo passou, a idade chegou com pesos diferentes para cada um, e o direcionamento das bandas também sofreu mudanças. Ainda que lançando bons trabalhos, nenhum deles repetirá a inovação e o frescor de sua música da mesma maneira que nos 80´s. Com isso, novos trabalhos podem sim ser relevantes, impactantes, mas não inventarão a roda novamente. E é isso que também ocorre com o novo do Metallica.

Antes de mais nada, este novo álbum padece do mesmo problema dos “Load´s”: álbum de estúdio duplo – sim os dois “Loads” seriam sim um álbum duplo - mas a gravadora barrou a ideia na época, fazendo com que os lançamentos fossem simples e separados. Sábia decisão, pois a combinação muitas músicas + muito tempo de duração = qualidade irregular. É claro que existem lançamentos que refutam essa minha afirmação, mas a maioria se dá mal quando adota esta tática... Quem sabe apreciar os “Load´s” (como eu, admito) há de concordar que os dois discos, se unificados com as melhores músicas, dariam um puta disco, mesmo com a pegada mais Rock n´Roll não muito comum à banda. Com isso, “Hardwired...” também é longo demais e em vez de doze, se daria muito bem com menos faixas, condensadas em menos tempo. De cara, pelo menos 4 faixas desse trabalho são perfeitamente descartáveis. Antes que você, caro leitor, me xingue, permita-me apenas levantar uma questão crucial para reflexão: preste atenção se algumas faixas não estão calcadas na pegada dos “Load´s”, os discos que, atrás somente do “St. Anger”, são os mais execrados da banda...

Mas vejamos:
Das excelentes, 4 saltam aos olhos:  “Hardwired...”, “Spit out the Bone”, “Here Comes Revenge” e “Murder One”. As duas primeiras obviamente pela pegada mais Thrash e mais saudosista. O detalhe é que elas só não são melhores ainda por que Lars Ulrich está lá sentado naquele banquinho da bateria, mas falo mais sobre isso mais a frente. “Here Comes Revenge” é mais cadenciada e sensacional, com um riff espetacular e um refrão muitíssimo bem encaixado. O único porém é a marcação de bateria de Lars no início da música que é igual, igual a “Lepper Messiah”(autoplágio?). Curiosamente, também achei o melhor clip entre os doze feitos. “Murder One”, também com ritmo mais arrastado, fecha os quatro momentos espetaculares do disco. Vale salientar que o clip desta presta uma bela homenagem ao grande Lemmy.

Nos bons momentos, temos “Now That We´re dead” e “Moth Into Flame”. A primeira destaca-se pela intro diferente, sem Lars fazendo as mesmíssimas marcações na caixa, mas como disse, falarei do ruinzinho, quer dizer, baixinho mais para a frente. A faixa tem um estilo Load/Reload e o solo é bem bacana (uma raridade no álbum...) A segunda mostra a  busca do Metallica por refrões de impacto, como conseguido no Black Album. Nesta faixa em especial, foi que ficou legal, além da alternância de cadência e partes rápidas, com resultado satisfatório.

Metade do disco é bacana, mas a outra... “Atlas, Rise!” e “Confusion” são regulares. “Confusion”, em particular, é mais um caso - talvez poucos tenham percebido - de autoplágio. Neste caso, “Cyanide” do “Death Magnetic”. A estrutura da música é a mesma, com os versos em cima de uma base cadenciada, calcada num riff bem destacado (que aqui é legal até), mas que muda no refrão. Não precisa muito para se perceber a semelhança das músicas. A diferença que o refrão de “Cyanide” é bacana, mas o daqui é bem chatinho.

As quatro restantes são realmente fraquíssimas: “Halo on Fire” tem outro autoplágio (!), pois na qualidade de ser a semi-balada do disco, puxa o riff do meio de outra semi balada, “The Day That Never Comes” do “Death Magnetic”. Ouça e me diga se não são irmãs. Em tempo, esta aqui também tem refrão chato. A trinca “Am I Savage”, “Dream no More” (linha vocal horrível) e “ManUnkind” tem forte apelo Load/Reload, mas lembram o material ruim daqueles discos. Aliás, novamente digo: chega a ser curioso como parte das músicas deste disco tem influência de um material passado da banda que foi e até hoje é criticado, mas que aqui ganharem elogios...
    
Já mencionei que Lars não ajuda muito, certo? E não ajuda mesmo, uma vez que sua criatividade e uso de recursos são limitados, tornando as músicas previsíveis e pouco interessantes neste aspecto. Quer um exemplo: 1/3 das músicas deste álbum começam com marcações de caixa, e não é de hoje que ele faz isso com frequência. Quer outro? Não há uma música sequer em que ele faça uso do Ride, ou prato de condução. Para quem não sabe o que é, ouça a última vez em que ele fez isso em “Until It Sleeps”, do “Load”. Outra coisa: não espere encontrar em nenhum lugar destes 80 minutos, viradas de bateria que te deixem de queixo caído...


No fim das contas, é muito mais que um St. Anger, melhor gravado do que um “Death Magnetic”, mas não chega aos pés de um Kill Em´All”. Se você gostar do CD todo, ok. Se não, o bom dos dias de hoje é que você pode ter as músicas separadas (ITunes ou YouTube, por exemplo), pois aí você pega as melhores. Em qualquer opção, não será dinheiro ou tempo jogado fora, mas definitivamente não é o investimento num clássico ser lembrado por gerações futuras.