segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Alter Bridge - Come To Life Live at Wembley 2011

A única surpresa realmente boa e gratificante neste medíocre Rock in Rio 2017. Melodia mesclada com um peso monumental, isso sem mencionar um excelente vocalista!

Vale a pena correr atrás da discografia desta banda relativamente nova (13 anos de carreira) e 5 albuns nas costas. Procure, pois talento como esse aqui está difícil de achar...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

MetalliGaga


Lembro-me bem de quando assisti no Rock in Rio de 2013 a apresentação do Sepultura com o Zé Ramalho. Seria o encontro da maior banda de Metal brasileira com um dos grandes nomes da MPB, em especial da música Nordestina. Lembro-me também de que as opiniões se dividiram, com um lado achando a oitava maravilha do mundo unir Metal e MPB, e o outro achando que era o mesmo que comer Feijoada com Doce de leite. A segunda opinião me pareceu mais coerente, sendo que imaginava que nunca veria outra versão dessa culinária esquisita novamente.

O prato em questão, ou melhor, a apresentação em questão trouxe o Metallica junto de Lady Gaga. O encontro, ocorrido em 12/02 no Grammy 2017, trouxe consigo toda a polêmica que uma parceria desse porte poderia gerar. Ainda que o Metallica já tivesse esgotado sua cota com o controverso “Lulu”, fruto da união com o falecido Lou Reed, ao dividir o palco com uma diva Pop/Dance/Estilista/Marketeira como Gaga, fatalmente o dilema estaria colocado: a água do Metal se mistura com o óleo do Pop? Antes de mais nada, a banda executou “Moth Into Flame”, com Gaga dividindo - literalmente - o microfone com James, já que este, numa inacreditável falha para um evento do porte do Grammy, ficou com o seu sem funcionar quase metade da música. A apresentação teve labaredas pelo palco, bailarinos “bangeando” (?), a banda fazendo o de sempre e uma Lady Gaga se esforçando na atitude Rock n´Roll. A qualidade do que se viu é duvidosa, mas tenho convicção de que coisas desse tipo nada acrescentam a banda ou ao estilo, e foi benéfica única e exclusivamente para Gaga, ao mante-la em evidência na mídia. Como a época das vacas gordas para ela já passou, juntando isto aqui com a recente apresentação no intervalo do Super Bowl, deu para todo mundo lembrar que ela existe. 

Essas parcerias inusitadas não são novidade na música em geral, principalmente em eventos gigantescos como Grammy ou MTV Awards. Entretanto, quando envolve Heavy Metal, a coisa complica, como no caso do “Zépultura”, citado no início do texto. É notório que o radicalismo dos fãs ainda existe, embora hoje a mentalidade geral seja muito diferente de 30 anos atrás. Na década de 80, se instalaria uma guerra civil se algo desse tipo ocorresse. Lembro quando o Anthrax se juntou com o Public Enemy em 1991 para gravar a música “Bring the Noise”, foi um Deus nos acuda, onde só faltou chamarem o Papa para excomungar a banda. E olha que a música ainda tem um apelo Thrash, com o Rap predominando basicamente nas linhas vocais. Acontece que determinadas misturas dão certo, e o caso do Anthrax, além de excepcional, foi até premonitório, pois tempos depois a união Metal + Hip Hop ainda renderia muitos bons frutos.

Apesar do caso do Metallica ter sido apenas uma apresentação ao vivo em conjunto, a polêmica da validade deste encontro começou forte na rede. Já li comentários a favor, comentários contra, numa discussão que parece não ter fim, como era de se esperar. Da parte dos comentários contrários, onde me incluo – já disse acima que isso não acrescenta absolutamente nada para a banda que faz isso – essa resistência vem daqueles fãs mais antigos e, consequentemente, puristas. Lembro da época que o movimento Thrash começava a ferventar e os nomes seminais do estilo ainda engatinhavam suas carreiras: Slayer, Exodus, Kreator, Dark Angel, Sodom, Destruction, Overkill e muitos mais, com uma cena underground em rápida evolução. Para quem acompanhou esse processo, é extremamente difícil visualizar bandas dessa época se aventurarem da maneira que o Metallica eventualmente faz hoje. A questão é que elas, mercadologicamente falando, se encontram num patamar abaixo do Metallica, o que possibilita que elas mantenham intactas suas inspirações musicais, seu estilo, suas convicções e etc.. Talvez esse seja o grande trunfo dessas bandas: o fato de não terem atingido o topo da pirâmide como o Metallica fez, as permitiu manterem seu espírito do início de carreira. Isto possibilitou que elas e todas as outras que seguissem de maneira linear, lançando álbuns com regularidade de tempo e qualidade, enquanto o Metallica se dá ao direito de levar 8 anos entre um disco e outro, só ganhando dinheiro com turnês em cima de turnês. O mainstream e os rios de dinheiro que giram em torno da banda dão a ela conforto e a oportunidade de determinados luxos e excentricidades, como esse de tocar com Lady Gaga. É o tal momento em que o artista pode fazer o que lhe der na telha, pois dinheiro de sobra já há na conta bancária.

Outro detalhe é que parcerias são coerentes quando feitas com uma ligação lógica, uma conexão que faça sentido. No mesmo Rock in Rio do “Zépultura” tivemos os gigantes do brutal Death Metal Krisiun com os reis do Thrash Alemão Destruction. Na edição de 2015 tivemos Ministry (um dos principais nomes do Metal Industrial) com Burton C Bell (vocal do Fear Factory, outro grande nome do mesmo estilo) no mesmo palco, num encontro de gerações diferentes. Agora, dizer que Metallica + Lady Gaga é revigorante, ainda mais porque um nada tem haver com o outro, é contrassenso. O que se viu naquele palco foi uma banda de rock, tocando rock, com uma cantora pop fingindo ser rockeira: cadê a conectividade? Não há nenhuma, mas há o Marketing. O encontro (extremamente) inusitado chamou a atenção de todos e isso é o que conta, ainda que Gaga tenha se beneficiado mais, por razões já citadas aqui. Ao Metallica restou mais as críticas dos detratores (apesar de muitos defenderem também) e os problemas técnicos ao longo da apresentação. Coroando essa “vergonha alheia” (vi essa expressão muito bem colocada em um dos diversos comentários negativos na Internet), ainda tivemos Lars Ulrich, numa das entrevistas pós apresentação, dizer que Gaga poderia ser efetivada como 5º membro da banda: ainda estou tentando me decidir se foi ironia (creio que não, pois foi DELE essa idéia brilhante), se uma brincadeira de mau gosto com os fãs ou se foi Marketing barato mesmo.

Independente da resposta, é por essas e outras que o Metallica não me enche mais os olhos hoje. Se for para ficar vendo coisas como “Metalligaga” (ou “Gagallica”?) por aí, prefiro pegar meus discos antigos para ouvir, pois o Metal que brilhava naquela época era outro: o do estilo musical, não o do dinheiro.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Resenha Vídeo: “Ultimate Revenge 2” 1989 (Death, Dark Angel, Forbidden, Raven e Faith Or Fear)


Impressionante que estamos perto de completar 30 anos da gravação desse vídeo, que é simplesmente um dos mais sensacionais da década de 80, trazendo a nata do cast da Combat Records na época: Forbidden e Faith Or Fear (lançando seus debuts,  respectivamente “Forbidden Evil” e “Punishment Area”),  Death (no 2º álbum, o espetacular “Leprosy”), Dark Angel (lançando o 3º disco, “Leave Scars”) e os veteranos do Raven (no 7º da carreira, “Nothing Exceeds Like Excess”). O mais incrível é que passados todos esses anos, algumas dessas bandas se tornaram lendárias, sendo reverenciadas até hoje. Além disso, a sensação de revisar o espírito daquela época é uma das grandes surpresas desse vídeo, mostrando como a cena Thrash americana era forte, sendo um verdadeiro espetáculo ver estas bandas em ação, num momento em que não paravam de surgir grandes nomes no cenário. O vídeo foi gravado no Trocadero Theater, um clube localizado na Philadelphia, e foi o palco perfeito (desculpem o trocadilho) para este verdadeiro massacre musical.

O primeiro no vídeo é o Forbidden, que já trazia consigo um fato curioso: de suas fileiras, anos mais tarde, sairia o futuro batera do Slayer, Paul Bostaph, substituindo Dave Lombardo por 10 anos. Se não bastasse isso para atiçar a curiosidade de qualquer um sobre a banda, é necessário que dizer que o Forbidden fez um show destruidor. A banda era uma grande promessa e simplesmente fez uma apresentação impecável, misturando agressividade e técnica. Completada pelo vocalista Russ Anderson, os guitarristas Glen Alvelais e Graig Locicero e pelo baixista  Matt Camacho, a banda executa quatro verdadeiras pérolas do álbum de estréia: “Feel No Pain”, “As Good As Dead”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”. A banda é espetacular, destaque para a voz de Russ Anderson que se encaixa como uma luva na proposta da banda. Que conhece este album há de lamentar apenas a ausência de “March Into Fire” no vídeo, que provavelmente ficaria sensacional.

Desconhecido até para mim quando assisti a este vídeo pela primeira vez, o Faith Or Fear é a grande surpresa por aqui. Com o monumental “Punishment Area” recém lançado, a banda surpreende com um Thrash técnico e agressivo que não ficava devendo nada aos grandes nomes da época, bem como as outras bandas desse vídeo. Apesar de nova, a banda mostra segurança e foi destruidora na sua apresentação, com uma presença de palco muito boa. A banda executou as faixas “Punishment Area”, “What Would You Expect”, “CDS” e “Time Bomb” com sangue nos olhos e fez um set fantástico. Formado pelo vocalista Tim Blackman, os guitarristas Chris Bombeke e Bob Perna, o baixista Clarenec “CJ” Jenkins (R.I.P.) e o batera Rich Lohwasser, infelizmente o Faith Or Fear não passou do primeiro álbum, pois a banda se separou 3 anos depois. Uma pena, pois este vídeo deixa claro que a banda poderia ter alçado vôos bem mais altos.

Na sequência, aquele que, que para mim, é o nome seminal do estilo que batizou: o Death. Chuck Schuldiner – na época com apenas 21 anos – já dera ao mundo o assombroso “Scream Bloody Gore” e agora galgava um degrau acima no cenário do Metal extremo com o sensacional “Leprosy”. Com Schuldiner na guitarra e vocais, Rick Rozz na guitarra (que o acompanhava desde o embrionário Mantas, mas não tocou no debut), Terry Butler no baixo e Bill Andrews na bateria, a banda executa os hinos “Left to Die”, “Forgotten Past” e Pull The Plug” (simplesmente monstruosa ao vivo) do novo álbum e “Denial of Life” do primeiro disco. A banda dispensa comentários, as músicas são clássicos absolutos do estilo e são executadas numa performance impecável. Quanto às ausências, “Zombie Ritual” é quase que uma escolha óbvia. Se você é novo e não conhece esta banda, não perca tempo, pois é clássica.

Depois do Death, outro nome de peso surge: Dark Angel. Navegando nas águas de um Thrash brutal, tocado a velocidade da luz, a banda havia perdido o vocalista Don Doty, que havia cantado nos dois primeiros álbuns e cujo timbre característico já havia dado uma cara para a banda. Apesar do desafio, a banda recrutou o desconhecido Ron Rinehart, que apesar de inferior a Doty, executa bem o seu papel e tem grande presença de palco. Com restante do grupo intacto - Erick Meyer e Jim Durkin nas guitarras, Mike Gonzalez no baixo e Gene Hoglan na bateria – o Dark Angel faz uma performance coesa e empolgante, com direito até a teatrinho no início do show, com a banda de costas para o publico enquanto rola uma introdução movida à microfonia das guitarras. O destaque individual, obviamente, vai para Gene Hoglan, reconhecido nos dias de hoje como um dos maiores bateristas de metal da atualidade. Já nessa época ele já demonstrava uma técnica absurda, mesmo em meio a velocidade alucinante de algumas músicas. Executando “The Death of Innocence”, “The Burning of Sodom”, “Death is Certain (Life is Not) e “No One Answers”, o Dark Angel mostrava que era uma grande promessa que se concretizava. Apesar dos rumos que banda tomaria no futuro, até aqui ela foi magnífica.

Fechando, temos o bom e velho (no bom sentido) power trio Raven. Diferentemente das demais bandas do vídeo, o Raven é focado no Rock/Heavy Metal – ou “Atlethic Rock” como eles diziam – e não fez feio. Pelo contrário, com seis álbuns nas costas e lançando o sétimo, a banda já era experiente e conhecida na cena, mesmo sendo Inglesa. Apesar de duas patinadas gigantescas nos anos de 85 e 86, onde lançou dois álbuns medíocres tentando penetrar no mercado americano (à época dominado pelo Metal Farofa, lembram?), a banda depois voltou aos trilhos e mostra isso no vídeo. Executando as faixas “Lay Down The Law”, “Into The Jaws of Death” (excelente!), “You Got a Screw Loose” e a Rock N Roll “Gimme a Break”, a banda cativa o público com um som energético e visceral. Formado pelos irmãos Gallagher (Mark na guitarra e John no baixo/vocais) e pelo baterista Jonh Hasselvander, o Raven é a única que se manteve ininterruptamente na ativa até os dias de hoje, e com essa mesmíssima formação.


Depois desse massacre sonoro, é fácil concluir que este “Combat Tour 2” honra com sobra o primeiro volume (famoso também como “Studio 54”), onde Slayer, Exodus e Venom fizeram história. São registros eternos de uma época rica e frutífera para o Metal mundial, onde nomes famosos surgiram e se tornaram verdadeiros ícones. Entre os que ainda estão na ativa e outros que já se foram, fica a certeza de que aqueles que estavam lá e viram isto ao vivo são verdadeiros privilegiados, pois fizeram parte da história do Metal.

FORBIDDEN

DEATH


FAITH OR FEAR


DARK ANGEL


RAVEN


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

METALEIRO

Se você tem bom humor e não é radical, pode rir com esse vídeo, que já nasceu clássico!!!! Tente passar imune ao nome da banda e a música que eles tocam, que é hilária!!!

sábado, 24 de dezembro de 2016

Resenha: Metallica - "Hardwired... to Self-Destruct"


Ao que parece, o Metallica quis justificar a longa espera desde o lançamento de “Death Magnetic” (2008), ao lançar, após 8 anos (!), não apenas um disco, mas um álbum duplo com 12 composições e quase 80 minutos de material inédito. Vários fatores que vão além da longa espera tornam este lançamento mais significativo ainda, como por exemplo os diversos formatos em que ele foi lançado (edições diferenciadas), o forte Marketing envolvendo seu lançamento e o uso massivo da Internet – vide o fato de que cada uma das 12 músicas teve um clipe lançado(!) no YouTube.  Não é preciso nem dizer esse Marketing todo deu resultados e o disco já aparece bem colocado em vários charts mundo afora. Afinal de contas, o Metallica já deixou o underground há muito tempo, navegando hoje em águas onde somente grandes bandas, como U2 e Iron Maiden, ousam flutuar. Mas, e o disco? Justifica o alvoroço?

A banda numa pose extremamente "underground"

Não é preciso nem dizer que os combates sangrentos entre fãs e “haters” já começou na Internet: uma parte adorou, dizendo que o Metallica renasceu e trouxe consigo a aura dos primeiros álbuns; outros alegam que se trata de mais do mesmo, que a banda não tem mais pegada e por aí vai. Lars Ulrich é um detalhe à parte, com uns exaltando sua performance, outros criticando até não poder mais. Antes de dar minha opinião, deixo claro que concordo os dois lados, não por ser indeciso, mas porque ambos estão certos. O Metallica de hoje não é o fundo do poço, mas também não é o salvador da pátria. Aliás, ninguém do Big Four, para dar um exemplo de impacto, é mais como era antigamente. O tempo passou, a idade chegou com pesos diferentes para cada um, e o direcionamento das bandas também sofreu mudanças. Ainda que lançando bons trabalhos, nenhum deles repetirá a inovação e o frescor de sua música da mesma maneira que nos 80´s. Com isso, novos trabalhos podem sim ser relevantes, impactantes, mas não inventarão a roda novamente. E é isso que também ocorre com o novo do Metallica.

Antes de mais nada, este novo álbum padece do mesmo problema dos “Load´s”: álbum de estúdio duplo – sim os dois “Loads” seriam sim um álbum duplo - mas a gravadora barrou a ideia na época, fazendo com que os lançamentos fossem simples e separados. Sábia decisão, pois a combinação muitas músicas + muito tempo de duração = qualidade irregular. É claro que existem lançamentos que refutam essa minha afirmação, mas a maioria se dá mal quando adota esta tática... Quem sabe apreciar os “Load´s” (como eu, admito) há de concordar que os dois discos, se unificados com as melhores músicas, dariam um puta disco, mesmo com a pegada mais Rock n´Roll não muito comum à banda. Com isso, “Hardwired...” também é longo demais e em vez de doze, se daria muito bem com menos faixas, condensadas em menos tempo. De cara, pelo menos 4 faixas desse trabalho são perfeitamente descartáveis. Antes que você, caro leitor, me xingue, permita-me apenas levantar uma questão crucial para reflexão: preste atenção se algumas faixas não estão calcadas na pegada dos “Load´s”, os discos que, atrás somente do “St. Anger”, são os mais execrados da banda...

Mas vejamos:
Das excelentes, 4 saltam aos olhos:  “Hardwired...”, “Spit out the Bone”, “Here Comes Revenge” e “Murder One”. As duas primeiras obviamente pela pegada mais Thrash e mais saudosista. O detalhe é que elas só não são melhores ainda por que Lars Ulrich está lá sentado naquele banquinho da bateria, mas falo mais sobre isso mais a frente. “Here Comes Revenge” é mais cadenciada e sensacional, com um riff espetacular e um refrão muitíssimo bem encaixado. O único porém é a marcação de bateria de Lars no início da música que é igual, igual a “Lepper Messiah”(autoplágio?). Curiosamente, também achei o melhor clip entre os doze feitos. “Murder One”, também com ritmo mais arrastado, fecha os quatro momentos espetaculares do disco. Vale salientar que o clip desta presta uma bela homenagem ao grande Lemmy.

Nos bons momentos, temos “Now That We´re dead” e “Moth Into Flame”. A primeira destaca-se pela intro diferente, sem Lars fazendo as mesmíssimas marcações na caixa, mas como disse, falarei do ruinzinho, quer dizer, baixinho mais para a frente. A faixa tem um estilo Load/Reload e o solo é bem bacana (uma raridade no álbum...) A segunda mostra a  busca do Metallica por refrões de impacto, como conseguido no Black Album. Nesta faixa em especial, foi que ficou legal, além da alternância de cadência e partes rápidas, com resultado satisfatório.

Metade do disco é bacana, mas a outra... “Atlas, Rise!” e “Confusion” são regulares. “Confusion”, em particular, é mais um caso - talvez poucos tenham percebido - de autoplágio. Neste caso, “Cyanide” do “Death Magnetic”. A estrutura da música é a mesma, com os versos em cima de uma base cadenciada, calcada num riff bem destacado (que aqui é legal até), mas que muda no refrão. Não precisa muito para se perceber a semelhança das músicas. A diferença que o refrão de “Cyanide” é bacana, mas o daqui é bem chatinho.

As quatro restantes são realmente fraquíssimas: “Halo on Fire” tem outro autoplágio (!), pois na qualidade de ser a semi-balada do disco, puxa o riff do meio de outra semi balada, “The Day That Never Comes” do “Death Magnetic”. Ouça e me diga se não são irmãs. Em tempo, esta aqui também tem refrão chato. A trinca “Am I Savage”, “Dream no More” (linha vocal horrível) e “ManUnkind” tem forte apelo Load/Reload, mas lembram o material ruim daqueles discos. Aliás, novamente digo: chega a ser curioso como parte das músicas deste disco tem influência de um material passado da banda que foi e até hoje é criticado, mas que aqui ganharem elogios...
    
Já mencionei que Lars não ajuda muito, certo? E não ajuda mesmo, uma vez que sua criatividade e uso de recursos são limitados, tornando as músicas previsíveis e pouco interessantes neste aspecto. Quer um exemplo: 1/3 das músicas deste álbum começam com marcações de caixa, e não é de hoje que ele faz isso com frequência. Quer outro? Não há uma música sequer em que ele faça uso do Ride, ou prato de condução. Para quem não sabe o que é, ouça a última vez em que ele fez isso em “Until It Sleeps”, do “Load”. Outra coisa: não espere encontrar em nenhum lugar destes 80 minutos, viradas de bateria que te deixem de queixo caído...


No fim das contas, é muito mais que um St. Anger, melhor gravado do que um “Death Magnetic”, mas não chega aos pés de um Kill Em´All”. Se você gostar do CD todo, ok. Se não, o bom dos dias de hoje é que você pode ter as músicas separadas (ITunes ou YouTube, por exemplo), pois aí você pega as melhores. Em qualquer opção, não será dinheiro ou tempo jogado fora, mas definitivamente não é o investimento num clássico ser lembrado por gerações futuras.