quinta-feira, 4 de abril de 2019

Metal e Coerência


Há algum tempo atrás fiz uma postagem aqui no blog chamada “Voltar ou Não Voltar: Eis a Questão...” (leia aqui) onde eu questionava o ímpeto de bandas em retornar à ativa depois de encerradas suas carreiras. Com o texto focando nas bandas nacionais, um dos casos citados foi o de Edu Falaschi, que resolveu retornar com o repertório do Angra dos anos em que esteve na banda, executando-o ao vivo em uma turnê que, de bem sucedida, extrapolou o Brasil e conseguiu até chegar ao Japão. Comentei também que, no caso do Edu, a “carreira solo” dele (vocês entenderão estas aspas mais a frente) com a sua banda Almah não se mostrou tão produtiva quanto estes shows com o material do Angra. O Almah lançou 5 albuns que não conseguiram a mesma repercussão frente aos lançados pela sua ex banda, ainda que tivessem qualidade nas composições e muito bons músicos acompanhando o vocalista. Com isso, não foi necessário muito cálculo para entender que o resultado só viria se o passado fosse revisitado. Até aí tudo bem, pois ele não foi o primeiro e nem será o último músico na Terra a fazer isso: requentar um prato antigo que todos gostam, a arriscar fazer um novo que seria uma incógnita no paladar geral...

Entretanto, é preciso ser honesto consigo mesmo e com todos a sua volta sobre isso. É notório que o músico, como qualquer um, precisa por pão à mesa, e daí não é demérito – apesar de ser um tanto oportunista – se utilizar de algo que é de sua autoria, embora não seja novidade. E daí chego no ponto que é a razão de tocar neste assunto novamente:  a entrevista de Edu Falaschi para a edição #240 da revista Roadie Crew, em janeiro deste ano, que é, no mínimo, vergonhosa. Os argumentos utilizados pelo músico para justificar esta nova fase do seu trabalho chegam a ser engraçados, uma vez que ele alega que recebeu conselhos cruciais sobre sua carreira de ninguém mais, ninguém menos, que Joe Lynn Turner, que culminaram com esta nova empreitada. Confesso que não li a entrevista na revista impressa em si, apenas a que está disponível no site (leia aqui). Não sei se o conteúdo é exatamente o mesmo, mas acredito que o online seja até melhor, pois todos podem acessá-la e confrontar com as opiniões que darei aqui.
 
O primeiro ponto a ser levantado é onde ele coloca e justifica essa nova fase como carreira solo, sendo caracterizada pela adoção do seu nome à frente do projeto. Segundo o ele, o Almah era uma banda, diferentemente do que ele faz agora. Essa concepção teria sido dada por Joe Lynn Turner num encontro em um festival no Peru em que ambos tocaram, sendo que Edu fora convidado para tocar exclusivamente material do Angra e nada de sua carreira “solo”/”Almah”. Surpreso com a receptividade do público, a cereja do bolo nesta sua decisão teriam sidos os referidos conselhos de Joe Lynn Turner. Um deles foi de que a chave do sucesso seria ele se expor como Edu Falaschi cantando o seu legado do Angra. Nas palavras do próprio Edu reproduzindo Joe: "Vai para cima, tem público para você – a galera quer o Edu do Angra”.


A primeira coisa que me vem à mente: no Almah, Edu tinha um projeto seu, autoral, e que obviamente era comandado por ele. O conceito de banda se resumia ao fato do nome que não fazia menção ou remetia a pessoa dele, o que não permitia uma identificação imediata para quem não conhecesse sua história. Mas o “x” da questão é que o direcionamento musical era dele. Partindo desse principio, fica difícil entender como ele só agora tem carreira solo – porque pôs seu nome à frente de tudo – mas executa material de outra banda. Tudo bem que ele teve músicas compostas por ele e que ele tem todo o direito de executá-las, mas vamos lembrar de que haviam outros compositores de peso na banda (Kiko e Rafael prinicipalmente) e os arranjos certamente tiveram ajuda deles ou até mesmo de toda a banda. Ou seja, é um material que embora seja dele como compositor e músico, leva o carimbo de uma outra banda da qual ele fazia parte. Isso pode até lembrar o caso de Blaze Bayley, que vai morrer cantando aquelas músicas do Iron Maiden no período em que ele esteve na banda, embora exista um significativo diferencial, uma vez que ele não abriu mão de material próprio. Alías, o próprio Blaze se lançou na carreira pós-Maiden com uma banda (Blaze), obviamente conduzida por ele, optando pela mudança anos depois e adotando simplesmente seu nome, mas ainda com uma carreira – solo - completamente autoral.

Não consigo deixar de pensar no seguinte: ou Joe Lynn Turner tirou um sarro gigantesco com seus “ensinamentos”, ou involuntariamente falou uma bobagem sem tamanho para o nosso querido Edu e ele acreditou. Falo isso porque as histórias de ambos são muito diferentes, sem paralelo que pudesse colocar os conselhos de JLT como certeiros. Para quem não sabe, JLT tem 67 anos de idade e muito mais estrada que Falaschi, já tendo tocado com Rainbow, Yngwie Malmsteen, Deep Purple, Glen Huges entre outros, isso sem mencionar sua extensa carreira solo, com seu primeiro álbum lançado no já longícuo ano de 1985. Ou seja, JLT é um músico conhecido tanto pelo seu trabalho em bandas famosas, quanto pelos seus trabalhos solos e também em projetos com outros músicos. Tem uma uma carreira consolidada, mas não por único trabalho ou banda, o que não é o caso de Edu Falaschi. É importante lembrar que a discografia de Edu nos 12 anos em que esteve no Angra é composta de apenas 4 albuns – 5 se contarmos o EP “Hunters and Prey” (o detalhe é que, desses 5 albuns, apenas 2 são bombásticos, sendo que ambos já estão sendo explorados nesta etapa solo). Ao aconselhar que o nome seria tudo para a conexão com o público, JLT só se esqueceu da bagagem que é necessária para isso. Outra bobagem sem tamanho foi a alegação do próprio JLT de que “O Iron Maiden, Metallica – 90% do repertório é coisa antiga”. Mas é a banda executando seu material antigo, coisa que o próprio Angra também faz hoje. E mais: todos continuam produzindo material novo...

Outro ponto da entrevista que é dum absurdo sem tamanho é quando Edu é questionado se a música “The Glory of the Sacred Truth”, se lançada pelo Almah não teria o mesmo efeito que teve simplesmente sob seu nome solo. A resposta é “não”, sob a alegação de que isso é curioso e afirmando que é o nome que faz a diferença (minha nossa...) pois o nome dele remete ao Angra, acionando o carinho e a nostalgia do fã (meu Deus...). É o mesmo que dizer que você ouve Judas Priest, mas não ouviria o Fight do Rob Halford (ou não se interessaria em faze-lo, pelo menos) porque o nome não faz conexão com o da (ex) banda principal (?!). Ao meu ver, isso é até meio ofensivo, pois ele estaria condicionando que o público ouve bandas mais pelo nome do que pela qualidade do material. Neste ponto pego o seguinte gancho: se no Angra haviam outros compositores ou até mesmo a própria banda na composição do repertório, podemos deduzir que o Edu e seu material sozinhos por si só não se sustentam, tendo tomado a dimensão que tomaram por conta da interferência do Angra. Na mesma entrevista, Edu afirma que o Almah atingiu um teto de repercussão do qual não conseguia passar: não seria “a qualidade do meu material sozinho atingiu um teto do qual somente o Angra conseguiu passar?”

Para finalizar, como fica o Ego nisso tudo: ao ser questionado quanto a abrir mão do orgulho em apresentar músicas novas, renegando o passado, somos obrigados a ouvir/ler um “Eu não me venderei” (?!?!). O contexto é de que não seria imposto material novo ao fã abrindo mão do antigo, apenas pela arte de criar novas canções, não havendo mal algum em usufruir de criações passadas, e que fazem parte de sua história. Ainda segundo Edu: “...ego não é algo que me aflige. Aquela coisa de: “nossa, preciso mostrar meu trabalho, pois não quero me apoiar no passado”. Lamentável ver um músico com a bagagem e experiência que ele possui recorrer a um discurso demagogo desse para justificar uma carreira “solo” baseada nas músicas da sua ex banda.


Reconheço duas coisas: primeiro, Edu é um artista talentoso e tem um material sensacional no Angra, tão importante quanto o da fase do André Matos; segundo, as dificuldades do músico com material autoral, ainda mais de Heavy Metal, são notórias no Brasil. É uma verdadeira luta, é verdade. Entretanto, não justifica um artista já estabelecido usar uma história fantástica – que não estou dizendo que seja mentira, pelo contrário – envolvendo outro artista que não conhece a realidade dos fatos. Pior ainda isso ser interpretado como um sinal divino para uma guinada na carreira, que está até se mostrando produtiva e rentável, mas que do ponto de vista artístico representa mais um artista jogando a toalha e apelando para o caminho mais fácil. É o famoso “jogar para a galera”, tocando o que todo mundo quer ouvir. Não é à toa que depois de anos de ostracismo, Sandy & Júnior vão voltar, pois o passado foi mais feliz artisticamente do que o presente, até mesmo para eles. A questão é que o Edu é muito, mas muito diferente de Sandy & Junior...

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Bandas, Músicos, Amor e... Ódio?


O mundo da música é afetado, no que diz respeito à saudade, da mesma maneira que relacionamentos amorosos. Enquanto casais desfeitos sentem falta de seus ex companheiros, bandas sentem falta de ex músicos e vice versa, músicos sentem falta de suas ex bandas, por diversas razões. No Metal isso não é diferente, e um dos casos que sempre me chamou a atenção foi do KISS e sua relação conturbada com os ex membros Ace Frehley (guitarra) e Peter Criss (bateria). Com diversas idas e vindas dos envolvidos, elogios e ofensas, a história acaba de ganhar novo contorno desde que a banda anunciou (pela segunda vez) uma tour de despedida, onde encerrará (?) sua história. Desde então, Ace Frehley tem se oferecido descaradamente para participar. Não satisfeito com isso, ainda condiciona a presença do amigo Peter Criss, embora este nada tenha comentado sobre o assunto. Mas o detalhe interessante é que Ace já conseguiu, mesmo sem ser convidado ou algo que o pareça, brigar com os ex companheiros novamente, aparentemente tornando o até então inexistente convite em algo impossível de se materializar.


Ace e Peter fizeram parte da formação original da banda, estando nela desde sua fundação em 1973 por Gene Simmons e Paul Stanley. Depois de alguns álbuns de estúdio, dois álbuns ao vivo e um sucesso meteórico, os dois deixaram a banda por problemas de relacionamento e ego com Gene e Paul, devidamente amplificados com o consumo de drogas e álcool. O jeito descolado dos dois, com uma vida extremamente desregrada, contrastava diretamente com a disciplina de Paul e Gene, ambos devidamente focados nos objetivos da banda e no seu sucesso. Enquanto Peter deixou a banda em 1980, Ace sairia dois anos depois, em 1982. No ano seguinte a banda faria o icônico show no Maracanã, já com novos músicos e, na sequência, entrou num processo de reformulação da carreira que culminaria com a retirada da maquiagem em 1984.

Ace e Peter entrariam em cena novamente apenas em 1995, quando o Acústico da MTV os aproxima novamente. Com o sucesso e a repercussão desse reencontro, as máscaras voltaram à cena, uma nova tour teve início e um novo álbum com ambos acabou sendo feito (“Psycho Circus”). Entretanto, Ace sai novamente em 2002, com Peter abandonando o barco em 2004. De lá para cá, os músicos foram substituídos, com a formação da banda estando estável desde então, havendo lançado mais um álbum de estúdio inclusive (“Monster”).

Mesmo com todos os problemas e as saídas conturbadas, onde todos se acusavam mutuamente, com direito inclusive a diversos processos judiciais envolvendo uso de imagem, composições e direitos autorais, o contato entre os músicos nunca cessou por completo. Nos últimos 10 anos, pelo menos, onde Ace e Peter pareceram mostrar evolução em seus processos de “limpeza” de álcool e drogas, as participações de ambos em projetos solo de Gene e Paul se tornaram mais frequentes. Com a provável melhora do relacionamento e reaproximação, obviamente retornam os rumores de uma (nova) reunião.


Desde o anúncio da “The End of the Road” do KISS, a derradeira tour na carreira da banda, Ace Frehley tem dado a entender, de maneira totalmente explícita, que seria ideal que ele e Peter participassem, por se tratarem de membros originais. O engraçado de tudo é que, mesmo com a reaproximação recente, Gene Simmons nunca escondeu que não fazia parte dos planos dele tocar com Ace e Peter de novo no Kiss, uma vez que aprendera nas outras oportunidades que não poderia confiar neles. Independentemente disso, Ace continuava dando declarações sobre estar complemente disponível para um retorno, até que numa entrevista recente, Gene estragou a paz aparentemente reinante. Reproduzo abaixo a bombástica declaração, quando finalmente se posicionou sobre uma “possível” reunião:
"Ace e Peter (Criss) tiveram três chances. Eles entraram e saíram da banda... foram despedidos... três vezes. Por uso de drogas, álcool, mau comportamento, por serem pouco profissionais… Eles não aceitavam suas responsabilidades. Então a resposta curta para a sua pergunta é que adoraríamos que Ace e Peter se juntassem a nós na tour. Mas se eles não se juntarem, não será por nossa culpa. Eles nunca estarão no KISS novamente. Três vezes é demais. Prometer que vai funcionar desta vez não é suficiente. Não é confiável. 'Oh, eu estou sóbrio por um milhão de anos.' Ótimo! Tenha uma ótima vida! Ace e Peter são bem-vindos para subir ao palco para uma música ou duas? Claro. Podemos depender de Ace ou Peter para um show completo noite após noite? Nunca!"

Obviamente, Ace não gostou e respondeu cuspindo fogo (desculpe a piada), inclusive com a acusação de que recentemente Gene “apalpara” sua mulher (!) e oferecera sexo a ela (!!). A verdade é que o “possível” categoricamente se tornou “impossível”, e a banda provavelmente vá sair de cena sem subir ao palco com a formação original, ainda que Peter Criss, até então, não tenha se envolvido no caso. Verdadeiramente, Ace estava com os olhos voltados para a fortuna que essa tour irá gerar, como tudo que envolve o nome/marca do Kiss. Como Ace e Peter nem de longe tiveram carreiras solo com a mesma repercussão, sempre foi um ótimo negócio voltar para a banda. Entretanto, seus temperamentos e fraquezas sempre falaram mais alto. Voltando ao comentário de Gene e a resposta simplesmente irada, Ace ameaçou-o dizendo que, “A não ser que vocês peçam desculpas sinceras e completas, me deem de volta o meu emprego na banda, e tirem Tommy do trono que eu construí. A MERDA VAI BATER NO VENTILADOR E NÃO VAI PARAR! VAI CONTINUAR!”. O curioso é que, mesmo na posição mais desfavorável do mundo, Ace exige que Tommy Thayer, um membro estabilizado há 17 anos (isso sem contar que antes disso ele era Tour Manager da banda) seja simplesmente sacado do grupo e da tour para sua volta...

Mas devemos admitir que Ace estava correto ao dizer, também recentemente, que provavelmente estaria havendo pressão dos produtores dos shows para que eles fossem incluídos, uma vez que a formação original aumentaria o “atrativo” aos fãs. Realmente a 1ª reunião foi lucrativa para a banda e foi bom enquanto durou, até os hábitos do passado estragassem tudo novamente. Mas 3 fatores contrariam a expectativa de Ace: a banda continua lotando os lugares por onde passa, mesmo sem ele e Peter. Isso sem mencionar que a formação atual é até mais funcional tecnicamente do que a original; segundo a própria premissa de uma tour de despedida, agora para valer, já será suficiente para lotar estádios. Por fim, a produção de palco que vem sendo prometida provavelmente fará com ninguém se importe com a ausência de ambos. Creio que no fim das contas, Ace terá de se contentar com a rejeição e um amor mal resolvido, musicalmente falando... 

Annihilator - Set The World On Fire [OFFICIAL VIDEO]

Vídeo: Paradise Lost "Embers Fire"

Vídeo: Morgoth "Body Count" (Live Hardenberg, Holland 20.06.1992)

Vídeo: Gojira "Oroborus" (Live at Les Eurokéennes 2009)

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

E se Tivesse Sido Diferente?


Muito me surpreende que ninguém nunca tenha levantado a seguinte questão: e se o Slayer e o Exodus tivessem lançado seus álbuns de estréia antes do Metallica? Teria a banda esta aura percursora do Thrash Metal que tem hoje? Sempre achei que não, e mais: sempre considerei isso um absurdo sem tamanho, uma vez que é notório que o Metallica não iniciou nada sozinho. A Bay Area de São Francisco ficou conhecida na década de 80 por ter tido uma cena composta de diversas bandas: além dos já citados, havia também Death Angel, Forbidden , Heathen, Testament, Vio-Lence, Possessed e etc.. Entretanto, quis o destino que o Metallica fosse o primeiro a lançar o seu debut, ainda que o mercado de demo tapes estivesse devidamente abastecido com lançamentos de todas as bandas em atividades na época, ou seja, opções não faltavam. Com isso, a banda conseguiu uma fama não merecida, ainda que seu “Kill Em All”, apesar de um excelente disco, fosse ser “engolido” meses depois pela estréia do Slayer, o brutal “Show No Mercy”, infinitamente mais violento, rápido, técnico e impactante.

Em termos de surgimento, o Exodus é a banda mais antiga, tendo se iniciado em 1979, com Metallica e Slayer iniciando suas atividades em 1983. Passada a fase de demos, o Metallica lançou seu “Kill ´Em All” em 25 de Julho de 1983; pouco mais de 4 meses depois, o Slayer lançaria o “Show No Mercy” (03 de Dezembro de 1983). O Exodus, apesar de mais antigo, teve um tremendo azar por problemas com a gravadora, só conseguindo lançar seu debut (o magnífico “Bonded by Blood”) quase dois anos depois do Metallica, em 25 de Abril de 1985. Para se ter uma idéia do atraso que isso representou, nessa época tanto Metallica quanto  Slayer, já haviam lançado seus álbuns seguintes, respectivamente “Ride The Lightning” (Julho de 1984) e “Hell Awaits (Março de 1985). Ainda que a banda já fosse muito conhecida localmente, o reconhecimento mundial veio tardiamente, isso sem mencionar no retorno mercadológico, uma vez que as outras bandas já se encontravam bem mais estabilizadas.

Analisando individualmente, é óbvio que as bandas tiveram direcionamentos distintos dentro do Thrash Metal. Enquanto o Slayer absorveu as influências do Venom e as elevou a uma potência maior, com um som mais rápido, agressivo e com a mesma temática satânica, o Metallica optou por um som mais cru e rápido, mas menos técnico. Dos três, quem mais se destacou neste quesito foi o Exodus, que apresentou um disco com uma variação absurda entre a velocidade e peso, com um show à parte do baterista canhoto Tom Hunting. Além dele, Gary Holt e Rick Hunolt nas guitarras foram responsáveis por riffs absurdamente sensacionais.

Na minha concepção, em nada interferiu o Slayer haver lançado seu disco de estréia depois do Metallica, pois os direcionamentos e, consequentemente, os públicos seriam diferentes. A história mostrou que a banda tinha uma áurea própria, totalmente independente do Metallica. Entretanto, sempre imaginei que se “Bonded By Blood” tivesse vindo antes, a coisa seria diferente em termos de impacto pois, tecnicamente, ele é um álbum infinitamente superior ao “Kill ‘Em All”. Os riffs são melhores, as linhas de bateria são mais complexas e as músicas – e eu digo TODAS – são sensacionais, o que não ocorre no disco do Metallica. Sempre considerei aquele solo de baixo do Cliff Burton muito legal de ser feito no show, mas muito cansativo no disco. Além, do mais, há uma música claramente abaixo das demais, a enfadonha “Jump In The Fire”, cujo riff linear é repetitivo demais. No disco do Exodus temos as destruidoras “And Then There Were None”, “Piranha” e “Strike of The Beast”, só para citar três exemplos de diversidade, técnica e variação.

Se levarmos em conta os músicos, o Exodus levava certa vantagem por ter um baterista fora da curva. Não que Lars Ulrich fosse ruim – pelo menos ainda não era, pois ele só se transformaria em um pastiche de si mesmo anos mais tarde – mas Tom Hunting era (e ainda é) muito superior a ele. Ulrich sempre foi um baterista mais simples, embora tenha tido um desempenho soberbo em pelo menos dois álbuns, na minha modesta opinião: “Ride The Lightning” e “...And Justice For All”. Já Hunting provou, até mesmo nos álbuns seguintes do Exodus – isso sem mencionar ao vivo – o quanto era bom, estando num mesmo patamar do mestre Dave Lombardo. Neste ponto, Slayer e Exodus ficavam empatados.


Um argumento válido e que não posso desconsiderar seria o seguinte: “Mas os 3 primeiros do Metallica são clássicos, ao passo que o Exodus não conseguiu esse feito”. Ok, pois “Kill ‘ Em All”, “Ride The Lightning” e “Master of Puppets” são realmente icônicos, ao passo que o Exodus conseguiu apenas “Bonded by Blood” nesta categoria. Os seguintes, “Pleasures of the Flesh” e “Fabulous Disaster”, apesar de muito bons discos, tem lá seus defeitos. Em nenhum momento disse que possivelmente a história seria diferente se o Exodus tivesse lançado sua estréia primeiro, fazendo com que o Metallica não conseguisse o sucesso que teve. Disse apenas que essa aura de “Pais do Thrash Metal” não existiria. Independente da ordem dos discos, a qualidade deles falaria mais alto e o sucesso seria o mesmo.  Mas acho que o Exodus teria mais sorte em alguns quesitos: Paul Ballof possivelmente teria tido tempo de cantar em mais de um disco; Com mais estrada, os albuns talvez viessem mais consistentes e até melhores produzidos, em especial o segundo; Por fim, a banda teria sobrevivido à década de 90, onde Metallica e Slayer conseguiram atravessar praticamente incólumes à ascensão do famigerado Grunge, que atingiu em cheio o mercado americano. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Da Devastação ao Messias: Sepultura


Antigamente, montar uma banda no Brasil não era uma das tarefas mais fáceis. Para começar, era muito difícil comprar instrumentos nacionais de qualidade, pois eram caros. Importar então, nem se fala. Discos e revistas estrangeiros não chegavam aqui, não havia publicações nacionais, havia poucas lojas e selos especializados no estilo e, é claro, ainda não havia Internet. Este cenário de terror do início dos anos 80, entretanto, não foi suficiente para barrar o surgimento da cena metálica brasileira, em especial a mineira, que em meio a um boom de bandas de diversos estilos, viu nascer o seu maior representante: o Sepultura. Num misto de batalha, talento e sorte, a banda conseguiu crescer a ponto de ultrapassar nossas fronteiras e fazer sucesso, aqui e no exterior, durante quase uma década. Nesse período, a banda seguiu numa crescente de sucesso e reconhecimento, levando ao mundo o metal nacional, até que as famigeradas diferenças separaram a banda. Apesar da realidade muito diferente de hoje, com uma maior facilidade de recursos, informações e uma cena numerosa (ainda que, com características bem diferentes), é certo que não teremos nunca mais um novo Sepultura. Os ventos do passado pararam de soprar e os músicos, apesar de ainda na ativa, trilham hoje caminhos diferentes.



Para quem eventualmente não saiba – a galera mais jovem talvez - o Sepultura foi simplesmente o maior nome do Metal nacional em todos os tempos e, proporcionalmente, um dos maiores nomes da música brasileira a nível mundial. Apenas outros poucos nomes no Brasil conseguiram repercussão parecida dentro do Metal mundial: Angra, Ratos de Porão e Krisiun talvez sejam os mais expressivos, com reconhecimento e turnês internacionais bem sucedidas. Mas entre o fim dos anos oitenta e a primeira metade dos anos noventa, o Sepultura reinava absoluto, com uma sequência de álbuns clássicos lançados e excursões pelo mundo com nomes do primeiro escalão do Metal, numa fase áurea que sucumbiu à separação da banda em dezembro de 1996. De lá para cá, as coisas nunca mais foram as mesmas, e é óbvio que os rumores de uma volta da formação clássica nunca cessaram desde então, embora não haja nenhum indicativo de que um dia isso irá acontecer.

Do nascimento ao reconhecimento, o Sepultura foi brilhante, até mesmo na sua fase mais tosca (1985-1986) onde o EP “Bestial Devastation” e o LP “Morbid Visions” eram a expressão do Death Metal que começava a invadir a cena mundial (futuros medalhões como Death, Morbid Angel, Obituary e Deicide também estavam iniciando suas carreiras) e que a banda se encarregava de lançar por aqui. Me recordo até hoje do impacto de ouvir o EP de estréia, algo totalmente inédito em termos de Brasil. O espanto aumentou ainda mais em 1987, com a mudança na formação que trouxe Andreas ao grupo e o lançamento do sensacional “Schizophrenia”, com a banda tendo uma evolução técnica espetacular – Igor principalmente – e apresentando um Thrash Metal soberbo. Com a repercussão do álbum aqui e lá fora (que foi até pirateado e lançado no exterior sem o consentimento da banda) o Sepultura começou sua jornada ao sucesso internacional, que viria no álbum seguinte, o estrondoso “Beneath the Remains” (1989). Gravado por aqui mas com um produtor americano, o disco foi o pulo do gato para a banda, com direito a vídeo veiculado na MTV (“Inner Self”) e a primeira tour gringa, como openning act para os alemães do Sodom.

Com uma evolução crescente no som e na postura em palco, o Sepultura começava a ter mais e mais apoio da gravadora. Para o álbum seguinte (“Arise”, 1991) o grupo teve a oportunidade de gravar na Flórida, no templo do Death / Thrash metal mundial, o Morrissound Studios. Não é preciso nem dizer que o disco é clássico de ponta a ponta e os colocou em definitivo no cenário mundial. A banda passou a ser vista regularmente nos principais festivais europeus e via seu nome cada vez maior também nos EUA. Coroando o sucesso obtido com extrema ousadia, os 2 albuns seguintes (“Chaos A.D. de 1993 e “Roots” de 1996) foram lançados e chocaram o mundo com uma mudança de direcionamento, focada mais no peso e menos na velocidade, com a inclusão de elementos tribais extremamente bem encaixados. Os 2 discos foram maravilhosamente bem recebidos, apesar de algum estranhamento por parte dos fãs mais radicais num primeiro momento. Mas com o sucesso vieram as discordâncias, ciúme e desentendimentos, que culminaram com a separação de uma das maiores bandas do Metal mundial.


Ao se separarem, Max Cavalera e o restante da banda tiveram resultados bem distintos, tendo apenas em comum o fato de que a relevância obtida com o Sepultura original nunca mais foi alcançada por nenhum deles. Entretanto, é notório que Max, por diversos fatores, foi mais bem sucedido que Andreas e cia. Max montou o Soulfly, que apesar do vacilante New Metal no início de carreira (mais ou menos do ponto onde “Roots” parou, mas sem o mesmo brilho), hoje segue forte no Thrash Metal com alguns álbuns realmente muito bons. Além disso, depois de 10 anos sem falar com o irmão Igor, ambos reataram e montaram o Cavalera Conspiracy, que junto com o Soulfly, também desfruta de boa repercussão a nível mundial. As razões para este sucesso talvez estejam ligadas ao fato de que, ao sair, Max levara consigo a empresária / esposa (alvo da discórdia), a gravadora e toda a estrutura de que a banda dispunha. Some-se a isso ao fato de residir em Phoenix (Arizona), o que tornou mais fácil manter seu nome em evidência dada a proximidade dos grandes mercados, mesmo sem estar com o Sepultura por trás de tudo.

Quanto ao Sepultura restante, inicialmente um trio com Andreas, Paulo e Igor começando do zero pela saída de Max, não havia outra alternativa senão encontrar outra voz para a banda. Depois de uma seleção estranha - onde Chuck Billy do Testament não foi aprovado (penso se eles não se arrependeram disso depois...) - a banda optou pelo ilustre desconhecido Derrick Green, um americano com background no Hardcore  (e que até hoje não vejo ter conexão com o som da banda) para assumir as vozes, com a dura missão de ajudar o Sepultura a se reerguer. É óbvio que a resistência dos fãs xiitas ao novo vocalista e o material de qualidade muito inferior ao que a banda fazia no passado fizeram o Sepultura penar para se levantar. E mesmo depois de 20 anos e oito álbuns de estúdio após a separação (sendo que Igor tocou apenas nos 4 primeiros e depois saiu) o Sepultura não conseguiu o mesmo êxito de Max, levando muito tempo até para mesmo para conseguir engrenar novamente as turnês internacionais. Aproveito para deixar registrado aqui que “Against” (1998), 1º álbum pós separação, é uma das coisas mais pavorosas que eu já ouvi até hoje, sendo pior até que “Soulfly”, 1º álbum do Max, que era absurdamente calcado naquele Metal pula pula que dominava as paradas americanas na época.

Muito se discutiu se Andreas deveria continuar com a bandeira “Sepultura”. Como na época Max abriu mão do nome e Igor ainda estava na banda, foi natural que assim continuassem. Só não contavam com o fato de que isso fosse aplicar-lhes um peso ainda maior, face a expectativa de público e crítica quanto a qualidade do novo material. A escolha equivocada do vocal e a fraca repercussão dos 3 primeiros álbuns pós separação (“Against” de 1998, “Nation” de 2001 e “Roobarck” de 2003) eram o indício de que as coisas não iriam melhorar. Apesar da evolução em “Dante XXI” em 2006, banda nunca conseguiu decolar novamente, com uma base restrita de fãs e de repercussão, bem menor do que se via no passado. Além de Derrick não ser o vocalista adequado – reclamação recorrente dos chamados “viúvas do Max” – ao meu ver a banda também errou quando continuou com apenas uma guitarra. Não é difícil perceber como o som do grupo se perde nas músicas mais antigas (muito mais complexas) e que, sem uma 2ª guitarra, torna isso muito mais evidente. Talvez até mesmo por isso a banda tenha passado a optar por estruturas mais simples nas músicas, com os intrincados riffs do passado sendo deixados de lado.

Apesar de melhor sucedido, Max também tem seus problemas: com uma voz ao vivo que atualmente já não mostra o mesmo vigor de outrora, talvez em função de uma condição física já não mais muito favorável, seus shows têm caído muito de qualidade. Por outro lado, Ig(g)or continua um grande batera, embora tenha evoluído seu estilo para algo mais simples, em função talvez dos anos no Sepultura após a saída do irmão, onde a banda simplificou a estrutura das músicas. Com isso, o material do Sepultura – principalmente dos álbuns mais técnicos - também sofre nas mãos dos irmãos Cavalera quando executado ao vivo. Com base nisso, fica realmente a dúvida de como seria uma reunião da banda, pois a expectativa do passado se chocaria brutalmente com a realidade dos músicos hoje.

Atualmente o Sepultura segue em turnê do seu 8º álbum (“Machine Messiah” de 2017) e conta com Derrick Green vocais, Andreas Kisser na guitarra, Paulo Jr no baixo e Eloy Casagrande na bateria. Max está prestes a lançar o 11º álbum de estúdio do Soulfly (“Ritual”) que conta também com Marc Rizzo na guitarra solo, Zyon Cavalera (seu filho) na bateria e Mike Leon no Baixo; O Cavalera Conspiracy, além de Max e Igor, conta também com o mesmo Marc Rizzo e mais o baixista Johny Chow. A banda lançou seu 4º álbum, Psychosis, em 2017.


Apenas uma coisa é certa, enquanto a reunião não vem: das cinzas do Sepultura original brotaram 3 novas e distintas bandas, capazes de agradar a Gregos e Troianos. É questão de apenas aproveitar o que for do seu gosto. 

sábado, 11 de agosto de 2018

Voltar ou Não Voltar: Eis a Questão...


Não é nenhuma novidade no cenário musical, ainda mais no metálico, o retorno à ativa de bandas ou músicos que já encerraram carreiras e mudaram de idéia, ou então de bandas que reúnem suas formações clássicas (ou quase clássicas) depois de tempos afastados. Vários fatores influenciam estes retornos, sendo que o argumento preferido dos artistas é o clamor dos fãs. Ou seja, seus insistentes pedidos para uma volta (se possível, permanente) fazem com que músicos passem por cima de tudo aquilo que fez a banda se separar e atendam aos anseios do seu público. Paralelamente, a justificativa mais odiada por 10 entre 10 músicos, e que muito dificilmente é admitida por alguém é: o dinheiro falou mais alto. Entretanto, mesmo dependendo da banda e das situações passadas, é sempre isso que acontece.

Lá fora, onde a estrutura e a cena como um todo ainda é muito maior do que aqui no Brasil – embora as coisas hoje aqui tenham evoluído muito frente ao que era nos anos 80 – isso ocorre com muito mais frequência e tem amparo maior de mídia e público. Um caso típico e bem recente é do Helloween, que conseguiu reunir 4/5 da formação clássica dos Keepers (obviamente excluindo apenas o baterista Ingo Schwichtenberg, falecido em 08/03/1995, por suicídio) numa tour que tem feito um sucesso estrondoso e já gerou um single com uma música inédita. Existem muitos outros exemplos de bons resultados: Exciter que reuniu a formação clássica e já planeja um novo álbum; Dark Angel, na ativa desde 2013 com a formação (quase) clássica, excetuando apenas o vocalista Don Doty, estando no seu lugar o seu exato substituto a partir no 3º álbum da banda (“Leave Scars”), Ron Rinehart; Possessed, que apesar de trazer apenas o vocalista original Jeff Becerra e não se enquadrar no perfil dos retornos citados aqui por conta disso, foi um comeback extremamente comemorado em 2007 e já tem um novo álbum prestes a sair.


No Brasil isso também acontece, mas em menor escala. Apesar de existir a demanda, os custos ainda são um empecilho: afinal, tem de dar retorno e isso nem sempre é garantido frente ao que é necessário para uma estrutura profissional mínima. Basta lembrar que aqui no Brasil não temos a quantidade monstruosa de festivais como na Europa e uma tour pelo país não é algo fácil de ser fazer. Além disso, temos também o fato de que muitos músicos retomam suas carreiras profissionais e abandonam a música quando do fim de suas bandas. Num retorno, conciliar estas agendas nem sempre é fácil. Some-se a isso a questão de que os novos tempos, onde a Internet impera e gravar um novo álbum ou um DVD já não é garantia de retorno financeiro. Junte tudo isso e temos qualquer motivacional bastante abalado para trazer uma banda de volta à ativa.



Entretanto, apesar das dificuldades, tivemos o retorno recente de 3 grandes nomes do cenário nacional, que  foram notórios pela repercussão e tiveram sucesso em suas empreitadas: Viper, Edu Falaschi/Angra e o Shaman. Apesar de serem casos distintos, todos de certo modo estão interligados em suas histórias: para quem não lembra, das fileiras do Viper saiu André Matos para o Angra; após a saída de Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori do Angra, estes criaram o Shaman, sendo que Edu Falaschi foi o substituto de André Matos no Angra. Curiosidades à parte, estes retornos, mesmo que muito celebrados, mostram as dificuldades do cenário nacional atual, uma vez que esses retornos refletem carreiras solo ou com bandas sem igual repercussão.

Isso se aplica muito ao caso de Edu Falaschi, que montou um projeto com um nome pra lá de pomposo (“Edu Falaschi: Rebirth of Shadows Tour”), uma vez que Rafael Bittercourt o impediu de usar o termo “The Angra Years” no nome, e que consiste em tocar músicas dos cinco álbuns do Angra (lançados entre 2001 e 2010) em que participou. Ou seja: nenhum material da fase Andre Matos é executado. Iniciada em Julho/2017, a tour foi um sucesso pelo Brasil e agora tem datas marcadas até no Japão para 2018. Apesar de reunir apenas 2 músicos da formação que gravou os discos envolvidos – o próprio Edu e mais o baterista Aquiles Priester (Obs: que não participou do álbum “Acqua”) – os fãs não se importaram e celebraram cada show com os clássicos do Angra, principalmente do fantástico “Temple of Shadows”.

Quando mencionei a questão de carreiras solo, basta recordar que Edu, após a saída do Angra, focou sua carreira solo no Almah, banda que já tinha em paralelo mesmo quando ainda estava na sua banda principal. Mesmo com 5 albuns gravados e aceitação do público, fica óbvio que para todos que o Almah não é/era páreo para este projeto, muito mais rentável ao relembrar o passado glorioso do Angra. Vale registrar também que Edu já havia gravado em 2016 um álbum acústico com 9 faixas, das quais 8 eram de sua fase no Angra. Outro detalhe muito curioso e que reforça o poder de revisar o passado de sucesso em detrimento os riscos de uma carreira nova é o fato de que em Maio de 2012 Edu deixou o Angra e, entre diversas razões, alegou que os altos tons necessários nas músicas haviam desgastado sua voz. Entretanto, 5 anos depois, cá está ele cantando as mesmas músicas... Para fechar com chave de ouro, acaba de ser divulgado o lançamento de um single com duas faixas inéditas, com esta mesmíssima formação e sob o nome de Edu Falaschi, e não Almah...

Antes de falar do Shaman, é necessário comentar a volta Viper, mesmo porque um dos protagonistas é comum aos dois casos: André Matos. Matos e o Viper, bem como o Angra, sempre foram pressionados pelos fãs e pela mídia para um retorno. Com a carreira solo iniciada em 2007 e com 3 albuns lançados, André nunca aceitou e nem cogitava estas ofertas. Em paralelo ao lançamento do álbum do seu último álbum “The Turn of the Lights” (2012), Andre aceitou se reunir com o Viper para as comemorações dos 25 anos do debut da banda, o magistral “Soldiers of Surise”. A tour gerou um DVD ao vivo em 2013, e após seu fim, Andre continuou dando sequência a turnê de divulgação de seu 3º disco.


Neste caso, a reunião não conseguiu juntar a formação completa (apenas 3/5 dela) e  serviu apenas paras as comemorações do álbum de estréia. Mas vale salientar que este projeto teve muito mais repercussão do que a promoção do álbum solo de Matos. Passados 6 anos de seu lançamento, Matos deu uma sumida de cena até que surgiu o retorno do Shaman.

E finalmente o Shaman, que lançou apenas dois álbuns de estúdio (2002 e 2005) e um ao vivo (2003) em sua carreira meteórica,  retorna com a formação original e apenas – a princípio – para um único show. Entretanto, esta data rapidamente esgotou ingressos e uma data adicional foi marcada, que também esgotou e por aí vai... Começando em Setembro, a tour já tem 5 datas marcadas.
É óbvio que o sucesso do Viper, mesmo com uma reunião temporária e sem nenhum material inédito gerado, deu a André Matos a noção do poderio deste tipo de empreitada. Com o Shaman, a repercussão tende a ser ainda maior, pois a banda nasceu e se desenvolveu numa época muito melhor em termos de estrutura e exposição (os dois álbuns do Viper com Matos saíram em 1987 e 1989, quando as coisas no Brasil ainda não eram tão profissionais assim). Entretanto, ambas as bandas tiveram carreiras mais focadas no Brasil: o Viper pela época e falta de estrutura em alçar vôos mais altos; o Shaman simplesmente porque não deu tempo, com a banda surgindo, fazendo muito sucesso e logo depois se separando.

Foco meu comentário em André Matos por uma razão muito simples: se tanto Viper e Shaman tiveram carreiras mais focadas no Brasil, o Angra teve uma carreira internacional de absoluto sucesso. E por que falo isso? Porque Matos, depois de anos e anos de resistência, deu declaração de que uma reunião com o Angra seria possível, desde que com a formação original...  Quem lembra dos motivos da separação de banda viu que os problemas de empresariamento e as diferenças com Kiko e Rafael (que acabaram ficando sozinhos na banda na época) geraram mágoas a tal ponto que André sempre refutou qualquer chance de voltar.

Não quero dizer que dinheiro seja tudo e os músicos sejam cegos em trocar o certo pelo duvidoso. Ainda que o sucesso do Shamam seja estrondoso e aumente mais ainda a pressão pela volta do Angra com a formação original, é óbvio que temos dois entraves sérios a considerar. O primeiro, Kiko vai muito bem no Megadeth, e de todos os guitarristas contratados pelo Dave Mustaine até hoje, Kiko aparenta ser o que mais se entrosou, até a nível pessoal, com o patrão. O Megadeth é muito maior que o Angra em termos mundiais, e talvez esteja longe o dia em que ele queira sair da banda ou então que o patrão o faça; o segundo, o bom momento do Angra, com disco novo na praça (“OMNI”) , novo DVD no forno e uma extensa turnê internacional por vir. Mesmo com Fabio Lione ainda dividindo opiniões, é de fato um grande cantor e já se desligou dos seus maiores projetos em paralelo (Rhapsody e Vision Divine) e se dedica apenas ao Angra hoje. Mas é claro que, se milagres acontecerem, Fabio Lione, Felipe Andreolli e Bruno Valverde que se cuidem...

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Cool Metal Flyers











Performance: Tim Yeung "Sworn To The Black" (Drum Cam)

Performance monstruosa do ex-baterista do Morbid Angel Tim Yeung executando o clássico "Sworn To The Black" do album "Covenant". Chega a ser absurdo como ele consegue fazer parecer fácil reproduzir as linhas criadas pelo ícone Pete "Commando" Sandoval. Perfeito!